Durante rodas de conversa, experiências de populações em situação de vulnerabilidade sobre comunicação e saúde pública foram compartilhadas
Duas rodas de conversa promoveram a troca de experiências entre a equipe de Comunicação da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e representantes de populações em situação de vulnerabilidade. Os encontros, realizados na sede da secretaria na terça-feira (29/09) e quarta-feira (30/09), fazem parte dos trabalhos do Projeto de Qualificação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O projeto envolve pessoas em situação de vulnerabilidade social – que vão atuar como Agentes de Equidade, os Agentes E+ – e visa debater a inclusão dentro das políticas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a consultora técnica da Superintendência de Atenção Psicossocial e Populações Vulneráveis (SAPV) da SES-RJ e coordenadora do projeto, Alice Menezes, as rodas de conversa têm o objetivo de mostrar o papel da comunicação em garantir o direito à informação e divulgar o caráter universal do SUS. “A comunicação é muito importante para fortalecermos o SUS, alinhando mensagens e diretrizes gerais para a população de um modo geral. Sendo assim, um dos principais eixos do projeto é estimular os agentes a desenvolverem materiais de comunicação que possam transmitir os debates sobre equidade e defender o direito à saúde pública de qualidade.”
Nos dois encontros, foi apresentado aos agentes de equidade como funciona a estrutura da Assessoria de Comunicação da SES-RJ, destacando a importância do conceito de Comunicação e Saúde para dar visibilidade e ajudar a proporcionar o acesso a direitos. Os agentes presentes nos encontros, quando questionados sobre o que é comunicação, expuseram coletivamente suas visões sobre o tema. "Acho que hoje a comunicação são as redes sociais. Lidamos com comunicação em muitas áreas e âmbitos”, disse o representante do sistema socioeducativo, Paulo Thiago do Nascimento. A quilombola Ivone de Mattos também destaca o papel das redes sociais em suas vivências comunitárias. "Usamos as redes sociais especialmente durante a pandemia. Monitoramos a Covid-19 dentro das comunidades graças a elas”, reiterou.
Para o agente de equidade e livreiro Rafael Barros, comunicação é sinônimo de poder. "Ser livreiro me faz falar de coisas para outras pessoas sobre quais elas não conversariam. Aprendi a puxar assuntos sobre temas que, em geral, as pessoas não falariam." Já a agente Veridiane Vidal ressaltou o quanto a comunicação não constitui um fenômeno estático. "Comunicação é dizer algo, é movimento, é início, meio e fim. Quando nos comunicamos, a gente transforma.". A agente de equidade Viviane Correa destacou que utiliza ferramentas de comunicação em seu dia a dia para contar as próprias vivências como mãe. "Notei a total ausência de conteúdo na Internet voltado para a maternidade de mulheres negras. As redes sociais propiciam a oportunidade de falar da minha realidade e me comunicar com outras mães com experiências semelhantes."
Esse foi o primeiro encontro do grupo com a equipe de Comunicação. Em breve, serão oferecidas oficinas para auxiliar na produção de materiais para o projeto.![]()