Evento apresentou dados sobre a transmissão de doenças entre mães e bebês no estado do Rio
Práticas e estratégias para a atenção à saúde de gestantes e bebês foram debatidas por gestores e profissionais de saúde em webinar promovida pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. O evento virtual foi realizado nesta quarta-feira (14/10) e teve como foco o Eixo I da PNAISC Atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao Recém-Nascido na rede pública de saúde.
"Ações, Iniciativas e Estratégias para a implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) é um evento realizado pela Área Técnica de Saúde das Crianças (SAPS/SGAIS) da SES-RJ, que trabalha os 7 eixos estratégicos da Política em webinários mensais, promovidos pela SES-RJ", explicou Anna Rigato, coordenadora da Área Técnica.
Como modelo de atenção à saúde da mulher e da criança, foi apresentada a estrutura da Rede Cegonha, instituída em 2011 pelo Ministério da Saúde. Ela conta com quatro eixos básicos de atendimento: pré-natal, parto, puerpério e sistema logístico (transporte sanitário e regulação). A coordenadora da Área Técnica de Saúde das Mulheres e Rede Cegonha, Leila Adesse, explicou que a rede foi constituída com os objetivos de melhorar o acesso, cobertura, qualidade e humanização da atenção obstétrica e neonatal, integrando o neonatal com acompanhamento da criança pela Atenção Básica.
Entre as ações estratégicas do eixo de atenção humanizada à gestação, parto, nascimento e recém-nascido, estão a prevenção do HIV e sífilis, a capacitação de médicos e enfermeiros, o “método canguru” para bebês de baixo peso, a qualificação das unidades neonatais e a alta qualificada do recém-nascido da maternidade, com encaminhamento direto para a rede de Atenção Básica. “A atenção às mães e bebês, tanto do pré-natal para a maternidade, quanto da maternidade para a Atenção Básica, é muito importante e tem sido uma busca em nossas reuniões. Temos que fazer isso de forma de precoce para a continuidade do cuidado, que se traduz em um conjunto de ações essenciais para a mãe e o bebê”, destacou a coordenadora.
Leila ressaltou a atuação da Rede Cegonha no estado do Rio durante a pandemia da Covid-19, sobretudo na promoção do aleitamento materno e da alimentação saudável de mulheres grávidas. “Fizemos um esforço na pandemia pela atenção tanto às gestantes, quanto às puérperas com seus recém-nascidos. Trabalhamos também notas técnicas voltadas para as grávidas e para a saúde da criança. Pudemos acompanhar e orientar todo esse movimento, por meio do diálogo, junto aos grupos condutores regionais.”
Doença sexualmente transmissível, a sífilis também é objeto de alerta para o atendimento de grávidas e crianças, segundo a gerente de IST/HIV/AIDS da SES-RJ, Elizabeth Lemos. “Temos uma programação anual de saúde para organizar nosso trabalho de combate à sífilis. Temos uma meta de redução em 5% da sífilis congênita neste ano. Sintetizamos as ações em três pontos: qualificar os profissionais e serviços no SUS para análise epidemiológica da sífilis, apoiar a prevenção e o diagnóstico da doença e desenvolver projetos de monitoramento de diagnóstico e tratamento das gestantes com sífilis”.
Outro problema abordado na webinar foi a transmissão vertical da hepatite. A gerente de Hepatites Virais da SES-RJ, Clarice Gdalevici, chamou a atenção para a necessidade de monitoramento dos tipos da doença entre os fluminenses. “Temos uma subnotificação de casos de gestantes com hepatite B porque, acredito eu, nem todas as unidades hoje fazem teste de hepatite com a mesma frequência que o HIV e a sífilis. Os manuais de diagnóstico e prevenção indicam essa testagem na primeira consulta do pré-natal. Dispomos no SUS do diagnóstico sorológico por teste rápido, e cada região ou município conta com um laboratório de referência.”
Para a prevenção das hepatites B e C entre gestantes e crianças, Clarice reiterou a importância de conciliar estratégias no âmbito da própria rede estadual de saúde. “Há muitas crianças expostas ao vírus durante a gravidez da mãe, sem acompanhamento específico para ver se ocorreu ou não a transmissão vertical. O apoio ao pré-natal e ao puerpério necessita de integração para trabalharmos em conjunto e melhorarmos a saúde materna e infantil.”