Palestrantes falaram sobre avaliação multidimensional e o idoso contemporâneo
Para homenagear o Dia Internacional do Idoso, comemorado em outubro, a área técnica de saúde do idoso da Secretaria de Estado de Saúde (SES) realizou, na manhã desta quinta-feira, dia 22 de outubro, uma webinar sobre avaliação do idoso: como e por quê avaliar? A caderneta de saúde da pessoa idosa foi apresentada como uma das ferramentas de avaliação multidimensional. Outro tema discutido foi o novo conceito de envelhecimento.
Membro da coordenação de Saúde da Pessoa Idosa da Coordenação-Geral de Ciclos da Vida (CGCIVI) do Ministério da Saúde (MS), Ana Lucia Ferraz acredita que fazer a avaliação multidisciplinar do idoso é primordial para o trabalho da promoção da saúde, porque permite conhecer o grau de vulnerabilidade dos idosos do território. Assim, é possível organizar ações de saúde individuais e coletivas. É muito útil reconhecer o grau de dependência para a realização das atividades da vida diária (AVDs) e os sinais que podem levá-las a limitações funcionais, definindo prioridades no plano de cuidados.
Para a coordenadora, a identificação da fase que cada pessoa idosa vive é fundamental para auxiliá-la da forma correta. E a maneira mais eficaz é ficar atento aos sinais de alerta. "Alguns deles são: internações recentes (mais de duas no último ano), incontinência urinária e fecal, quedas recorrentes, alteração da marcha e do equilíbrio, comprometimento cognitivo, comprometimento sensorial, dificuldades de comunicação, perda de peso, insuficiência familiar, autocuidado negligenciado, redução da participação social e comunitária, suspeita de violência/maus-tratos. É necessário acompanhar esses fatos e interferir de acordo com a necessidade de cada situação", explica Ana Lucia.
A palestrante ainda enaltece a importância de trabalhar a caderneta de saúde do idoso nas unidades básicas para conhecer melhor esse paciente e incentivar bons hábitos para que eles tenham um envelhecimento saudável. Para isso acontecer, é primordial estimular mudanças de hábito na vida do idoso. "Fazer atividade física com o acompanhamento de um profissional para não perder massa muscular, algo que acaba acontecendo com a passagem do tempo, manter uma alimentação equilibrada, principalmente os idosos que são diabéticos e hipertensos, ter momentos de lazer e manter a mente ativa".
Geriatra e Coordenadora da Saúde do Idoso em Petrópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro, Rita Cassia Ravaglia Campos falou sobre o novo conceito de envelhecimento: quem é o idoso contemporâneo. A médica acredita que esse tema contempla uma discussão abrangente envolvendo o idoso, o cuidador, a família, a sociedade e o meio científico.
Rita explicou que a estimativa de vida dos idosos está subindo. Em 2010, por exemplo, vivia-se uma média de 73,9 anos. Em 2040, essa idade subirá para 79,9 anos e em 2060, para 81,2 anos. "É preciso dizer que o envelhecimento é a maior conquista da humanidade, mas a gente precisa se preparar para receber esses idosos, para cuidar dos nossos idosos, principalmente os mais frágeis. Onde eles estão? que tipo de intervenção individualizada vamos ter que fazer? Qual é o melhor planejamento? É muito importante ter um atendimento especializado".
Segundo ela, o conceito de saúde do idoso é a manutenção da capacidade funcional independente da presença de doenças. A idade do indivíduo não pode ser taxada como um bom parâmetro de marcador de declínio funcional, pois dois idosos de 80 anos podem ter disposição e vitalidades diferentes. O termômetro dessa avaliação é a análise das atividades avançadas de vida diária (AAVDs). "Trata-se das atividades relacionadas ao desempenho do papel social, trabalho, integração produtiva e recreativa. Ações como direção veicular, viajar, atividades laborais, cinema, teatro e outras atividades culturais".
Tanto Ana Lucia quanto Rita defendem a máxima de que se cada um fizer a sua parte, o paciente, o profissional de saúde, a família e a sociedade como um todo, é possível promover um envelhecimento ativo e saudável, a diminuição do declínio funcional, prevenção de complicações ocasionadas pelo uso inadequado de medicamentos, redução de custos com internações, exames e medicamentos, melhora do desempenho cognitivo e redução de óbitos por causas evitáveis