O evento virtual abordou a aproximação entre os profissionais dos CAPS e das unidades básicas de saúde
Estratégias de integração entre profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e da Atenção Primária à Saúde (APS) nos municípios foram tema de evento virtual que reuniu gestores municipais e profissionais de todo o estado do Rio na quinta-feira (12/11). Este foi o primeiro fórum da coordenação de Atenção Psicossocial da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) promovido em conjunto com a Atenção Primária.
Entre os objetivos principais do encontro, está a busca por pontos de contato nos territórios entre o cuidado da saúde mental e a rede de Atenção Primária. Segundo o professor do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFF, Eduardo Melo, o atendimento da saúde mental nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) tem como foco pacientes com alguns agravos e o principal para a Atenção Primária é o uso de álcool e drogas.
“A Atenção Básica tem como marca a prevenção, promoção e cuidado. De todo modo, por ser a porta de entrada à rede pública de saúde para muita gente, ela envolve muitos tipos de pacientes. Por isso, temos que pensar melhor a articulação entre saúde mental e Atenção Básica, tanto nos pontos de encontro, como de desencontros”, afirmou Eduardo. O professor acredita que a interlocução entre profissionais dos dois segmentos é tarefa para os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). “A saúde mental também tem campos muito abertos, mas nela há duas interfaces principais: os CAPS e as unidades básicas de saúde”, ponderou.
A coordenadora de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde de Quissamã, Delma Barros, ressaltou a necessidade da articulação entre saúde mental e Atenção Primária também para evitar a fragmentação do cuidado ao paciente. “A gente sabe que a integralidade vai da rede de Atenção Primária aos cuidados paliativos, mas observávamos que os serviços estavam muito focados apenas na internação”.
Entre as estratégias de reversão desse quadro em seu município, Delma destacou o fomento da relação interprofissional e interdisciplinar entre os profissionais e a otimização da produção de serviços médicos. “O CAPS e a Atenção Básica se encontram nas reuniões de planejamento, que são mecanismos de governança instituídos entre a gestão e os programas de saúde. Esse espaço é um fórum colegiado e cabe a nós pensarmos como ampliá-lo ainda mais, introduzindo outros trabalhadores da saúde”, frisou a coordenadora.
O coordenador de CAPS III de Campos de Goytacazes, Leandro Bittencourt, ressaltou o quanto o trabalho da Atenção Primária ajuda a levar novos pacientes para o atendimento dos CAPS. “Avançamos nessa integração porque há casos que chegam até a gente nos CAPS que não teriam chegado se não fosse a retaguarda da Atenção Primária. Por isso, a capitalização da Atenção Primária é tão fundamental. Sua ampliação deve ser uma estratégia prioritária no cuidado da saúde mental”, salientou Leandro.
Já a coordenadora de Saúde Mental de Macaé, Maria do Carmo Stroligo, acredita que planejamento e boas propostas são essenciais para essa integração em cada município. “Quando a gestão está próxima das unidades, isso dá o suporte que o servidor precisa para dar continuidade dos serviços. Aqui em Macaé temos uma boa parceria com as equipes de Atenção Primária, com um trabalho rico de troca e atendimento ao usuário.” Maria reiterou a importância de os profissionais de saúde mental também irem até os territórios para se intensificar o contato com os pacientes. “Vemos, no geral, um trabalho muito voltado para dentro da unidade do CAPS. Precisamos ampliar esse atendimento para os territórios”, acrescentou.