Secretaria de Estado de Saúde acompanha a incidência de excesso de peso por faixa etária e aposta na informação e conscientização contra o problema
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) vem acompanhando de perto o avanço da obesidade entre crianças de 5 a 9 anos e adolescentes. Nessas faixas etárias, segundo dados de 2019 analisados pela Divisão de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DIVDANT) da SES-RJ, os percentuais de excesso de peso já estão em torno de 30%.
Esse cenário é preocupante, considerando que o excesso de peso está associado a problemas de saúde como asma, hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer. A obesidade também é considerada fator de risco para a Covid-19, como afirma o relatório da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) sobre o coronavírus e doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), divulgado em julho.
A SES-RJ monitora a incidência da obesidade no estado do Rio e avalia o estado nutricional e o consumo alimentar de cada município, em diferentes faixas etárias, por meio do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). A DIVDANT fornece apoio técnico às equipes de vigilância nos municípios na forma de análises situacionais de saúde, boletins e informes técnicos, elaborados a partir de dados sobre vigilância alimentar e nutricional coletados em pesquisas e inquéritos nacionais e regionais e, em especial, do SISVAN.
“A divulgação dessas informações inicia um processo em que a Vigilância, que tem como objetivo nortear as ações que serão planejadas junto às equipes de Atenção Primária em Saúde, pode planejar o enfrentamento da obesidade”, informou a diretora da DIVDANT, Márcia Teixeira.
Com base na análise detalhada sobre obesidade nos territórios, a SES-RJ pode priorizar as ações de redução e controle dos fatores de risco da doença. Entre as populações priorizadas, estão as crianças e adolescentes com sobrepeso, acompanhados pelo Programa Saúde do Escolar (PSE). “No Brasil, 1/3 das crianças estão com excesso de peso. No estado do Rio de Janeiro, os dados são semelhantes. Em 2019, na faixa etária de 5 a 9 anos e de adolescentes, os percentuais foram de 30% de excesso de peso, segundo o SISVAN”, frisou Márcia.
A dificuldade de mudar hábitos
Para a coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da SES, Eralda Ferreira, o principal objetivo da SES-RJ no combate à obesidade entre os fluminenses passa justamente pela redução gradual dos percentuais de sobrepeso entre as crianças e adolescentes. Segundo ela, de todas as faixas etárias, a que mais preocupa são as crianças de 5 a 9 anos, já que a obesidade nessa fase dificulta a mudança de hábitos alimentares durante a adolescência.
“Esses hábitos mantêm a obesidade nos jovens adultos e também estão relacionados ao aparecimento precoce de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, antes dos 20 anos de idade. Essas duas doenças são fatores de risco para a morbimortalidade das doenças do aparelho circulatório de maior prevalência no estado”, afirma Eralda.
Segundo os números do SISVAN de 2019, há uma estimativa da obesidade em 134.478 crianças de 5 a 9 anos e de 271.807 adolescentes no estado do Rio de janeiro. Entre os menores de 5 anos de idade, a estimativa é de 84.097 crianças obesas.
Os dados monitorados pela DIVDANT confirmam que o problema se estende para outros segmentos da população e ciclos de vida. Entre os idosos, o percentual de sobrepeso beira os 60%. Entre os adultos, os valores são semelhantes.
Para reverter esse quadro, a SES-RJ tem promovido ações intersetoriais nas escolas, como o Programa Saúde na Escola. “Por meio de ações de vigilância e promoção da saúde integrados com a atenção primária, o cuidado no estado atua em rede com a atenção ambulatorial especializada, atendendo os casos de obesidade entre as crianças em idade escolar e, encaminhando-os, quando necessário, para a assistência no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), que é um dos Centro de Referência em endocrinologia do estado”, diz a coordenadora.
Porém, os desafios para rever hábitos alimentares ainda na juventude são vários. “O alto consumo de refrigerantes e bebidas adoçadas, como guaraná natural, sucos industrializados e iogurtes, e o baixo consumo de frutas, verduras e legumes, principalmente entre os mais jovens de baixa renda e baixa escolaridade, são os maiores obstáculos a serem enfrentados. Costuma-se pensar que estas escolhas são pessoais, mas temos uma imensa propaganda de alimentos não-saudáveis na contramão das recomendações individuais em atendimentos de saúde e da comunicação institucional para promover modos de viver saudáveis”, destaca.