Contribuir para a sustentabilidade é saudável para o meio ambiente e para o ser humano
O Dia da Consciência Ecológica, celebrado em 22 de dezembro, surgiu como tributo à data da morte do ecologista e seringueiro Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes. A memória desse ativista que deu a vida pela causa ambiental marca a necessidade da conscientização daquilo que cada pessoa pode fazer para preservar a natureza. Afinal, ao zelar pelo meio ambiente, preserva-se também a saúde humana.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, chama a atenção para a relação entre saúde mental e meio ambiente. As mudanças climáticas estão associadas à depressão e à ansiedade, por exemplo. Por outro lado, o contato com a natureza traz diversos benefícios à saúde física e mental.
A nutricionista Eralda Ferreira, coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), fala sobre a importância do tema: “A consciência ecológica nos permite ter atitudes individuais que podem contribuir para o bem-estar coletivo. Então, conhecer o impacto de simples ações diárias pode favorecer a sua incorporação nos hábitos da sociedade. As campanhas com dicas simples e práticas em mídias digitais, transportes coletivos e outdoors, realizadas de forma contínua e com comunicação leve e divertida, podem colocar em pauta do dia a dia das pessoas a importância e a facilidade de realização dessas atitudes que preservam a nossa vida e o ambiente”.
Menos resíduos, mais saúde
Um dos meios mais práticos e fáceis é evitar a produção desnecessária de resíduos. Para controlar o excesso de lixo, é importante adotar bons hábitos e promover a sustentabilidade. Entre as ações recomendadas pela SES, está reduzir o uso de embalagens, preferir o consumo de alimentos naturais e evitar o desperdício de comida e de água.
Os alimentos industrializados, processados e ultraprocessados, como macarrão instantâneo, lasanhas, biscoitos, salgadinhos, embutidos e enlatados, utilizam embalagens diversas para transporte, armazenamento, conservação, exposição para venda e consumo. Estas várias embalagens se tornam resíduos sólidos, aumentando a necessidade da capacidade de descarte em aterros sanitários ou da coleta seletiva para a reciclagem. Esses alimentos trazem ainda malefícios à saúde, como aumento do risco para obesidade, hipertensão arterial, diabetes e doenças cardíacas, devido ao alto conteúdo de açúcar, gorduras e sal presentes.
“Quando optamos pelo consumo de alimentos naturais ou minimamente processados, reduzimos a necessidade de embalagens para a compra e transporte. Os resíduos domiciliares são, em sua maioria, de caráter orgânico e de fácil decomposição. A opção por frutas, legumes e verduras da safra, privilegiando os produtores mais próximos, reduzindo a necessidade de transportes de longa distância e gasto de energia para conservação dos produtos, é uma atitude simples que favorece a saúde física e financeira das famílias, tornando as comunidades, bairros e cidades mais sustentáveis”, ressalta a nutricionista.
Água, cada vez mais necessária
Outra questão ambiental que afeta a saúde humana é o desperdício de água, recurso indispensável à saúde do corpo humano, além de necessária, especialmente neste momento de pandemia do coronavírus, aos processos de higiene e limpeza, que reduzem a propagação de doenças infecciosas. O uso consciente é importante para que haja quantidade suficiente a ser distribuída a todas as famílias. Atitudes como evitar lavar calçadas e banhos demorados e reaproveitar a água da chuva para limpezas podem prevenir a escassez de água potável. O cuidado no descarte de resíduos sólidos, evitando o acúmulo de lixo nos rios e a presença de esgoto não tratado em águas fluviais, também reduz os custos de captação e produção da água potável e a necessidade de maior uso de produtos químicos para o tratamento de efluentes.
A utilização de produtos biodegradáveis reduz a necessidade de uso de produtos químicos para o tratamento de efluentes, pois os materiais não biodegradáveis tornam necessária a neutralização de químicos residuais. Ao escolher os biodegradáveis, há redução da poluição das águas que retornarão aos mares e rios e serão captadas novamente para a produção de água potável.
Por fim, Eralda aponta que o descarte impróprio de pilhas, baterias e lâmpadas podem contaminar o solo e a água com metais pesados como mercúrio, chumbo, zinco, cádmio, manganês e mercúrio: “Ao serem descartadas em lixos domésticos, podem ser levados a aterros sanitários com o lixo comum, provocando danos ao meio ambiente e representando riscos à saúde pública devido à alta toxicidade para a saúde humana e animal. Quando ocorre o descarte em locais sinalizados de coleta seletiva específica, pode ser feito o reaproveitamento dos metais pesados, reciclagem ou a transformação em produtos não tóxicos, reduzindo os riscos ao ambiente e à saúde coletiva”.
Medidas que são benéficas para o meio ambiente e para a saúde
- Use menos embalagens para a compra, consumo e armazenamento de comida. Reutilize sacolas, bolsas, caixas e vidros.
- Dê preferência ao consumo de alimentos naturais produzidos localmente. Quanto mais próximo o local de produção, menos poluição e consumo de combustível o transporte gera.
- Realize a compra de alimentos de acordo com o consumo domiciliar. Planeje o cardápio para comprar somente o que vai ser de fato consumido, e assim ingerir alimentos mais frescos e nutritivos.
- Evite o desperdício de água. Feche a torneira e o chuveiro enquanto não está usando, ao lavar louça, escovar os dentes e tomar banho, por exemplo.
- Faça o descarte consciente de materiais como pilhas, baterias e lâmpadas. Procure os locais adequados.
- Utilize produtos biodegradáveis para a limpeza e higienização.