Estado é o primeiro no acompanhamento de indígenas assistidos por programas como o Auxílio Brasil
Mudanças de comportamento relacionadas à comida, resistência à alimentação, visão distorcida do próprio corpo e alterações de humor estão entre os sinais de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia. A prevenção e o controle das mais diversas formas de má nutrição, como excesso de peso (sobrepeso e obesidade), desnutrição, baixo peso e deficiência de micronutrientes estão entre os problemas de saúde pública que afetam a população mundial em todos os ciclos da vida. Neste 31 de março, Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, os olhares se voltam para esses e outros desafios relacionados ao tema, assim como para as estratégias governamentais que visam a formulação de diretrizes recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o cumprimento da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).
- A PNAN é um conjunto de princípios e diretrizes que visam estabelecer a saúde e a segurança alimentar por meio da melhoria das condições de alimentação, nutrição e saúde da população. No estado do Rio, a Área Técnica de Alimentação e Nutrição (Atan) da Secretaria de Estado de Saúde (SES) é a responsável pela garantia de execução desta política - explica a nutricionista Katiana Teléfora, responsável pela Área Técnica da SES que coordena, dentre outras ações, a realização de capacitações em gestão estadual de alimentação e nutrição no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Katiana, o estado vem avançando expressivamente quando o assunto é a promoção da alimentação saudável e das políticas públicas alimentares e nutricionais. A SES dá ênfase a conquistas recentes, como a evolução no acompanhamento dos municípios no âmbito do programa de transferência de renda Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família), que tem a nutrição de crianças como um dos fatores avaliados. O território fluminense se destacou na cobertura da população indígena, alcançando a primeira posição nacional, com 86,7%; e de crianças indígenas, com 85,19%.
– Costumamos dizer que os números desses indicadores são pessoas. Nos últimos três anos, ampliamos parcerias com municípios, universidades e a sociedade civil organizada, inclusive fora do segmento da saúde, e retomamos a participação nos espaços em que a área deve estar. Apesar dos desafios que ainda temos, vemos mudanças significativas e potencializamos o acesso à saúde. No caso do Auxílio Brasil, por exemplo, a avaliação semestral alcança as populações mais vulneráveis – comemora a nutricionista.
A Atan anuncia outros indicadores positivos do estado: o Rio de Janeiro ocupa a quarta posição em todo o Brasil na cobertura do acompanhamento de crianças assistidas pelo Auxílio Brasil (53,6%) e a oitava posição na cobertura de crianças quilombolas, com 60,38%. As unidades básicas de saúde acompanham as famílias assistidas pelo programa que tenham crianças, gestantes e mulheres em idade fértil (entre 14 e 44 anos) em sua composição, aferindo peso e estatura, entre outros quesitos, como realização do pré-natal e situação vacinal. Também foi expressivo o crescimento da cobertura no estado do Programa Nacional de Suplementação da Vitamina A, um aumento percentual de 172,3% no período de 2018 a 2021, saltando de 9,2% para 25,1%. O programa suplementa a cada semestre crianças a partir de seis meses com megadoses de vitamina A, um dos micronutrientes indispensáveis à saúde. Entre 2020 e 2021, o aumento da cobertura foi de 49,1%, com mais de 34 mil crianças beneficiadas no ano passado.
- As vitaminas são administradas nas unidades básicas de saúde pelos profissionais da Atenção Primária. O serviço é indispensável para prevenir a carência do elemento e assim garantir a saúde dos olhos, mantendo a boa visão e a hidratação da superfície ocular, além da renovação adequada das células que compõem os tecidos do corpo - ensina Katiana, listando alguns dos sinais de alerta que orientam ações com foco na prevenção e no controle dos distúrbios alimentares e nutricionais: - É importante que famílias e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais e consequências da má nutrição, geralmente percebidos pelas equipes de saúde da família no atendimento e acompanhamento. Ganho ou perda de peso muito rapidamente, mudança expressiva do Índice de Massa Corpórea (IMC), excesso de sede e urina podem apontar para doenças relacionadas à alimentação, como diabetes, por exemplo.
O consumo excessivo de ultraprocessados é outra preocupação dos nutricionistas, especialmente com a influência de marcas e da propaganda. A nutricionista da SES volta a alertar: não há vida saudável sem alimentação adequada, e a prática da boa alimentação começa cedo, com o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida.
– A alimentação é determinante da saúde. É uma questão social atrelada à qualidade de vida. É fator de proteção para evitar câncer, diabetes, hipertensão e outras doenças. O aleitamento materno e a alimentação complementar saudável nos primeiros 500 dias de vida são cruciais para o crescimento e o desenvolvimento da criança – conclui a nutricionista.
O apoio institucional da Secretaria de Saúde envolve ainda eventos e reuniões planejadas, além do desenvolvimento de material técnico relacionado ao tema, como o documento “Duas faces da insegurança alimentar em crianças no Estado do Rio de Janeiro”, divulgado no Observatório da Obesidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).