Mais de 200 profissionais da Atenção Primária e da Gestão do SUS participaram do evento no Centro do Rio de Janeiro
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) debateu políticas públicas mais eficientes para controle da Tuberculose com gestores de sáude em um seminário no Centro do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (20/03). O evento em alusão ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado no próximo dia 24 de março, contou com a participação de assessores técnicos de diversos setores da secretaria, especialmente da gerência voltada à doença. Eles apresentaram ações para reduzir os indicadores, como as taxas de incidência e de mortalidade. A principal delas é a descentralização do cuidado à doença. Representantes do Ministério da Saúde e da Organização Panamericana de Saúde (Opas) também participaram do encontro.
De acordo com os especialistas presentes, embora existam diretrizes operacionais, observa-se que as peculiaridades locais, de município para município, desafiam os gestores para implementação de uma política pública uniforme. Nesse sentido, o projeto de descentralizar o cuidado à doença para a Atenção Primária à Saúde pode promover mudanças efetivas no planejamento e nos resultados das ações.
Dayse Muller, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da SES-RJ, falou sobre a importância de uma força tarefa intersetorial para avanço das medidas estabelecidas pela pasta, e reforçou a necessidade de os gestores municipais se engajarem e capacitarem as equipes nas unidades básicas de saúde de forma recorrente.
“A gente sabe que o nosso desafio é muito grande, principalmente na área do controle social, do monitoramento das políticas públicas, de saúde e de assistência social. A tuberculose é uma doença da atenção primária à saúde, que precisa ser rastreada, diagnosticada, acompanhada e curada na atenção primária”, ressaltou.
De acordo com ela, a alta rotatividade de profissionais nas unidades de saúde prejudica o planejamento das ações de controle da doença. As ações previstas pelo programa de controle da doença do Ministério da Saúde e das organizações internacionais são de médio e longo prazos.
Os especialistas destacaram que a eficácia dessas medidas depende também de uma boa interlocução entre pacientes e profissionais. Nesse sentido, acredita-se que o processo de descentralização do atendimento dos casos para a Atenção Primária, como as Clínicas da Família, por exemplo, possa fortalecer a capacidade técnica das equipes em incentivar a preocupação com o diagnóstico e com o tratamento, devido à relação de proximidade com a população.
Gleidson Alves, representante da Opas no evento, destacou o impacto da doença no mundo. Do ponto de vista global, a tuberculose continua sendo a segunda doença de agente infeccioso identificado que mais mata na história da humanidade. “O Brasil é um país extremamente valioso para a Opas, já que representa mais de um terço da carga de casos de toda a região das Américas. Quando a gente olha para o cenário do Brasil, percebe as diferenças entre as regiões. Nesse momento, o estado do Rio se torna uma oficina para discutir a descentralização do cuidado, mais do que necessária”, disse Gleidson.
Danielle Del’Orti, da Coordenação de Vigilância com a Tuberculose do Ministério da Saúde, também manteve um discurso de alinhamento entre os entes para que a melhora do serviço impacte na redução dos indicadores. De acordo com ela, a resolução do problema passa também por outros setores.
“A gente precisa traçar estratégias em conjunto. Aliar com outros parceiros para que a gente consiga alguma coisa. Se a gente continuar fazendo as mesmas coisas, a gente não vai conseguir mudar o cenário. Por isso, a gente precisa unir esforços, todos nós, tanto da atenção primária, que é a porta de entrada dos pacientes, quanto das referências e de outros serviços, que vão além da saúde. Todas essas estratégias têm que estar alinhadas”, pediu.
Como parte de sua política de desenvolvimento tecnológico e de transparência à população e imprensa, a SES-RJ anunciou um novo painel público de monitoramento da doença, que será divulgado em breve. O boletim anual com todos os indicadores epidemiológicos e assistenciais também será publicado no site da secretaria ainda neste mês.
Com mais de duzentas pessoas na plateia, o evento contou com a participação de profissionais da atenção básica dos 19 municípios prioritários no combate à tuberculose, por concentrarem mais de 80% dos casos no estado: Belford Roxo, Campos dos Goytacazes, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Itaperuna, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Resende, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda.
O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, foi criado para conscientizar o público sobre a epidemia global de tuberculose e os esforços para eliminar a doença. A criação do dia como de combate mundial à doença foi proposta em 24 de março de 1982, quando completaram-se 100 anos do dia em que Robert Koch anunciou a um pequeno grupo de cientistas do Instituto de Higiene da Universidade de Berlim que havia descoberto a causa da tuberculose, um bacilo ao qual foi dado o nome de Bacilo de Koch, em homenagem ao médico e pesquisador alemão. Na época, a tuberculose causava a morte de uma em cada sete pessoas. A descoberta de Koch abriu caminho para o diagnóstico e a cura da tuberculose. Hoje, a doença tem tratamento eficiente que, se cumprido, leva à cura completa.