A importância do alerta em tempos de pandemia da Covid-19
As pesquisas mostram um cenário vivenciado há décadas: a população mundial está envelhecendo, devido ao aumento da expectativa de vida e à queda dos níveis de fertilidade. Relatório da ONU de 2019 aponta que uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos até 2050, e o Brasil segue o padrão mundial em seu processo de transição demográfica. Diante desse panorama, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, em 2006, o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, comemorado em 15 de junho. A data ganha ainda mais relevância durante a pandemia da Covid-19, quando houve um aumento das denúncias de violência doméstica, física e psicológica, além de crimes contra pessoas fragilizadas, como a população idosa.
Segundo dados da Agência Senado, do início da pandemia no Brasil até o dia 15 de junho, foram denunciados quase 15 mil casos de violação de direitos humanos em idosos. No estado do Rio, no primeiro quadrimestre de 2021, houve 541 notificações de violência em idosos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), sendo que em 57% dos casos a vítima era mulher. O tipo de violência mais notificado foi a violência física (41,6%), seguida da psicológica/moral (20,6%); em terceiro, a negligência/abandono (19,1%), e, em quarto, a autoprovocada (11,6%).
Grave violação aos Direitos Humanos, a violência contra o idoso - seja ela de qualquer tipo - deve ser notificada pelos profissionais da saúde, que têm papel fundamental na percepção dessas ocorrências para que estratégias e encaminhamentos sejam realizados. Fragilizados pela idade e por comorbidades, o idoso precisa que toda a sociedade agir pela garantia de seus direitos. É importante ressaltar a necessidade da qualificação desses profissionais, para o atendimento aos casos de violência e conhecimento do fluxo de encaminhamento para cada situação.
No ano passado, o 15 de junho foi lembrado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos com uma série de ações, dentre as quais o lançamento de uma cartilha com o título “Violência contra a pessoa idosa: vamos falar sobre isso?”, que orienta sobre a prevenção e denúncias a esse tipo de violência.
Há vários canais para solicitar orientação ou realizar denúncias. Entre eles, os serviços gratuitos “Disque 100” e “Ligue 180”, este último voltado para os direitos da mulher; o portal http://www.disquedireitoshumanos@sdh.gov.br.; e os canais de comunicação da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, que atende pelos números (21) 9 84858026 ou (21) 2285-8115.