Ação da Assessoria Técnica de Humanização (ATH) busca melhorar a comunicação dentro dos hospitais
Quem já passou pela experiência de ter alguém próximo internado por motivos de saúde conhece a dor e a angústia de ficar sem notícias, ainda mais em tempos de Covid-19. A ordem é o isolamento, para reduzir os riscos de transmissão e frear a pandemia. Com o objetivo de garantir às famílias o acesso a informações sobre pacientes e melhorar a comunicação dentro dos hospitais, a Assessoria Técnica de Humanização da Secretaria de Estado de Saúde (SES) está promovendo uma capacitação sobre a Política Nacional de Humanização (PNH), nos dias 20 e 21, no Rio Imagem. Durante o evento, que tem a participação de representantes de cinco unidades de saúde do estado com setores de emergência, estão sendo apresentados projetos como o que propõe a padronização do funcionamento dos Núcleos de Acolhimento à Família (NAFs) dos hospitais de emergência.
– O acesso a informações claras, objetivas e compreensíveis sobre o diagnóstico do paciente é um direito de todo usuário de serviços de saúde. E os NAFs garantem às famílias a informação mais fidedigna possível, como preconiza a PNH, dando acolhimento a essas pessoas, em processos de gestão e cuidado. Queremos falar sobre a importância desses espaços e da capacitação das equipes que nele trabalham. É preciso ter cuidado com as informações passadas, sobre exames, ações terapêuticas, procedimentos, riscos. E, em caso de óbito, por exemplo, garantir que a notícia seja dada num espaço reservado, com ambiência adequada – esclarece Rafael Fornerolli, assessor Técnico de Humanização da SES.
Criados em 2012 com o objetivo de dar suporte terapêutico às famílias em hospitais de emergência, os NAFs dispõem de equipes matriciais multidisciplinares, que incluem profissionais como médicos, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas. São eles os principais articuladores do acesso às informações sobre as unidades de internação, de forma a garantir o elo entre o paciente e sua rede social. As equipes são preparadas para reorganizar o fluxo de informações e más notícias prestadas aos familiares e aos usuários, de forma acolhedora, digna, com respeito às suas necessidades, particularidades e privacidade.
Lançada em 2003, a PNH aposta na inclusão de trabalhadores, usuários e gestores na produção e gestão do cuidado e dos processos de trabalho. E busca pôr em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar, estimulando a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários dos serviços. Incluir os trabalhadores na gestão é fundamental para que eles, no dia a dia, reinventem seus processos de trabalho e sejam agentes ativos das mudanças para melhorar os serviços. Incluir usuários e suas redes sociofamiliares nos processos de cuidado é um poderoso recurso para a ampliação da corresponsabilização no cuidado de si.
– Acho importantíssima essa discussão. A capacitação com o objetivo de ampliar e fortalecer a importância dos NAFs é fundamental. Todos os profissionais que compõem o hospital, com destaque para a categoria médica, precisam entender a proposta do núcleo e a importância da sua participação neste espaço de acolhimento. As maiores demandas do NAF são referentes ao quadro clínico dos pacientes, uma incumbência do médico. Então esse profissional deve ter noção da sua importância – afirma Angélica Porto, coordenadora de Psicologia do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes.