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Projeto Arte e Terapia, do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, oferece experiências lúdicas para crianças internadas
Projeto Arte e Terapia, do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, oferece experiências lúdicas para crianças internadas

Ação acontece todos os dias e busca humanizar o ambiente hospitalar

 

Ao caminhar pelos corredores de pediatria do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, no município de Duque de Caxias, é possível encontrar muitas crianças internadas, tomando soro e até fazendo exames. Mas, no final do primeiro andar, numa salinha de parede colorida e com diversos livros de histórias infantis, folhas em branco e lápis de colorir, uma verdadeira mágica acontece.

É neste ambiente que é realizado, há três meses, o projeto Arte e Terapia. Voltado para as crianças da unidade, ele foi fundado pela supervisora de comunicação, Verônica Silva, e pelo artista plástico, Rafael Agostini, ambos funcionários do hospital. A ideia é humanizar o ambiente hospitalar e proporcionar experiências cheias de afeto entre os pacientes mirins.

“Este projeto era um sonho do Rafael. Ele já vinha conversando comigo sobre a necessidade de fazermos algum trabalho voltado para as crianças. Quando ele escreveu a ideia e eu li, senti uma motivação enorme para colocá-la em prática. Começamos a trabalhar, arrumamos um espaço, doações de materiais por parte de colaboradores da unidade, e iniciamos as atividades. Promovemos leitura, contação de histórias, as crianças desenham, fazem atividades que estimulam o foco, a atenção, a cognição e o imaginário, criando promoção de bem-estar emocional e mental, além da melhora na saúde física”, conta Verônica.

O sucesso foi imediato e as atividades tiveram que ser ampliadas, já que o interesse era imenso. “O projeto começou no dia 17 de novembro e, no início, acontecia três vezes na semana, às segundas, às quartas e às sextas. Depois de um tempo, devido ao aumento da procura pelos pacientes, vimos que existia a necessidade de ele acontecer todos os dias. Quando o projeto passou a ser diário, começamos a contar com a ajuda da Rosângela da Silva, que é uma terapeuta ocupacional. Ela sempre defendeu a arte como forma de auxílio no tratamento e já desenvolvia atividades semelhantes com adultos. Hoje ela atende as crianças na parte da manhã e o Rafael, no horário da tarde”.

Para Verônica, apostar na humanização permite que a criança guarde na memória lembranças acolhedoras, por mais difícil que seja o problema de saúde que ela está enfrentando. “A gente entende que o leito de um hospital não precisa ser triste. Eu também posso trazer alegria para este espaço. A criança não precisa guardar na memória o fato de estar em uma unidade hospitalar longe de casa, dos amigos, da família, tomando medicações e fazendo exames. A gente quer que elas guardem uma imagem positiva”.

Nestes três meses de atividade, muitas histórias emocionantes passaram pelo projeto. Como o caso do paciente que ficou internado por meses, por conta de um problema no pé, e corria o risco de ter que amputá-lo.“Para ele, era muito difícil lidar com aquela situação. A nossa equipe se aproximou e ele começou a querer participar das atividades, a se interessar e passou a se ver como um Cyborg, aquele personagem que é metade humano e metade mecânico. Depois de um tempo, de uma forma inexplicável, ele começou a melhorar. No fim, o paciente que ia perder o pé todo, teve que amputar apenas três dedos”, lembra a funcionária emocionada.

Rafael Sperendis da Silva, pai do pequeno Paulo Sperendis da Silva, de 7 anos, acredita que o projeto tem amenizado a saudade que o filho, internado na unidade, sente da irmã e transformado os momentos dentro da enfermaria. “No início, ele pegava o telefone, fazia chamada de vídeo com a irmã e chorava muito, pedia para ir embora. Agora, ele está feliz, fica todo animado esperando a hora de ir para a salinha desenhar, fazer as atividades, está bem melhor. Já produziu vários desenhos para levar pra casa. Ver o meu filho assim, faz eu me sentir muito mais tranquilo e me dá a ideia de que vai ficar tudo bem”.

Cheia de orgulho e ao lado de sua equipe, Verônica garante que, no que depender deles e do próprio hospital, o Arte e Terapia seguirá firme e forte por muito tempo, mudando muitas vidas. “Acreditamos que a cura não está só nos remédios. Eles ajudam, mas a saúde também vem através do gesto de ouvir, de dar atenção e da criança se sentir livre para desenhar e se expressar”, finaliza.