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Conheça a importância do trabalho do Grupo Equidade Intersetorial para as populações vulneráveis
Conheça a importância do trabalho do Grupo Equidade Intersetorial para as populações vulneráveis

GEI é essencial para manutenção da saúde e da proteção social de povos tradicionais

 

A pandemia de Covid-19 evidenciou a necessidade de cuidado com pessoas com comorbidades como hipertensão, diabetes, câncer, condições imunológicas e doenças respiratórias, além das mais idosas. Mas não só: pôs também sob os holofotes as desigualdades sociais e raciais, visto que a doença atingiu de forma agressiva os grupos que já estavam em situação de vulnerabilidade. São eles: população quilombola, indígena, imigrante, refugiada, cigana, assentada e acampada, negros e LGBTQI, privados de liberdade e em sofrimento mental.

Neste cenário, foi criado o Grupo de Equidade Intersetorial (GEI), com o intuito de ampliar estratégias de ação para superação de lacunas institucionais e estruturais, acerca dos povos tradicionais, em especial indígenas e quilombolas. De acordo com a médica e coordenadora técnica dessa agenda da Superintendência de Atenção Psicossocial e Populações Vulneráveis (SAPV), da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Graciela Pagliaro, o primeiro passo foi articular estrategicamente a SES com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), a Secretaria de Educação (SEEDUC) e a Secretaria de Cultura (SECEC), para fortalecer as estratégias e iniciativas, viabilizando a problematização do acesso universal à saúde e à garantia dos direitos dessas populações, em um contexto ampliado.

“Destacamos, pela saúde mental, que a intersetorialidade, ou seja, os mecanismos de gestão e integração de ações de diferentes setores da política pública, é um aspecto importante da gestão compartilhada, pois o enfrentamento da pobreza e desigualdade social é uma ação complexa. Portanto, as iniciativas setoriais isoladas não são suficientes. Vivemos uma questão social fortemente estruturada sobre as desigualdades e a exclusão de grupos sociais e isso tem impacto importante na saúde mental da população fluminense”, afirma o coordenador da atenção psicossocial Daniel Elia.

A equipe de equidade e atenção psicossocial da SAPV tem estruturado o trabalho do cuidado em saúde baseado em evidências científicas a partir da realidade dos territórios e sua perspectiva sociocultural nos municípios onde se promovem ações de cuidado e se executam as diferentes políticas públicas inclusivas e sustentáveis.

Sabemos que isso não é fácil, mas não podemos dar passos atrás em políticas públicas que garantem o direito à saúde do ponto de vista individual e coletivo. O trabalho em rede é uma necessidade do território do ERJ.

Sobre o GEI “Nosso plano é trabalhar com duas regiões de saúde durante 2021, Baía da Ilha Grande e a Baixada Litorânea, onde está a maioria dos indígenas aldeados e onde encontramos muitos quilombos. Iniciamos com Mangaratiba, em fevereiro, e já houve vários encaminhamentos demandados às diferentes secretarias”, afirma Graciela.

Neste encontro em Mangaratiba, o Grupo de Equidade Intersetorial iniciou o trabalho com os territórios. “Buscamos trazer as questões que já temos elencadas como chave de problemas que são de difícil encaminhamento. Além disso, pudemos conferir as informações demográficas e em saúde que temos sobre os grupos populacionais cuidados. Também refletimos em grupo, estado e município, sobre as situações que impactam na vida e saúde dessas pessoas”, finaliza Graciela.

 

Texto de Carmen Lúcia