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Pela 1ª vez em 194 anos, a Academia Nacional de Medicina elegeu uma presidente mulher

Pela 1ª vez em 194 anos, a Academia Nacional de Medicina elegeu uma presidente mulher
Eleição ANM

Data: 03 de dezembro de 2023

 

Em um feito histórico para a medicina brasileira e para a promoção da equidade de gênero, nesta última quinta-feira (30), a mineira, médica e Profª Eliete Bouskela foi eleita presidente da Academia Nacional de Medicina – ANM. É a primeira mulher a ocupar o cargo em 194 anos de fundação da ANM. Foi eleita com número expressivo de votos, na presença de 65 acadêmicos. A posse da nova diretoria acontecerá em 07 de março de 2024.

Junto com a nova presidente, foram eleitos para compor a Diretoria do Biênio 2024-2025, os Acadêmicos: Antônio Egídio Nardi (Primeiro Vice-Presidente), Ronaldo Damião (Segundo Vice-Presidente), Omar Lupi da Rosa Santos (Secretário Geral), Monica Roberto Gadelha (Primeiro Secretário), José Hemógenes Rocco Suassuna (Segundo Secretário), Henrique Murad (Tesoureiro), Rossano Kepler Alvim Fiorelli (Primeiro Tesoureiro), Natalino Salgado Filho (Orador), Jayme Brandão de Marsillac (Diretor de Biblioteca), Miguel Carlos Riella (Diretor de Arquivo), Arno von Buettner Ristow (Diretor de Museu), Walter Araújo Zin (Presidente da Secção de Ciências Aplicadas), José Galvão-Alves (Presidente da Secção de Medicina), José de Jesus Peixoto Camargo (Presidente da Secção de Cirurgia).

Vale informar que, além do recente título, Eliete é a primeira mulher latino-americana eleita membro associado estrangeiro da Academia Francesa de Medicina e a primeira Diretora Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ.

Assim, a Profª Drª Eliete Bouskela não apenas eleva seu nome a um patamar de destaque no cenário médico nacional, mas também quebra uma barreira significativa, sendo pioneira em ocupar o cargo mais alto na Academia. Sua eleição representa não apenas um avanço para a medicina brasileira, como também um passo marcante na promoção da igualdade de gênero em uma área que por muito tempo foi predominantemente masculina.

A Academia Nacional de Medicina, como uma instituição quase bicentenária, desempenha um papel crucial na promoção da excelência científica, pesquisa e avanço da medicina no Brasil. A escolha para liderar essa instituição ressalta seu notável percurso profissional, competência acadêmica e contribuições inestimáveis para o campo da saúde.

Este marco histórico servirá de inspiração às mulheres em todo o Brasil que almejam carreiras nas ciências médicas. Sua ascensão à presidência da ANM envia uma mensagem poderosa sobre a importância da diversidade de gênero e a necessidade de oportunidades iguais para mulheres em todas as áreas, especialmente na ciência e medicina.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação parabeniza calorosamente a Profª Drª Eliete Bouskela por essa conquista notável, bem como o Profº Drº Ronaldo Damião – Diretor do Hospital Pedro Ernesto na UERJ que foi escolhido, no mesmo pleito, para compor a diretoria da ANM como segundo vice-presidente. A SECTI expressa seu orgulho por contar com profissionais tão excepcionais em seus quadros.

“A eleição de Eliete Bouskela é um momento de celebração de todos nós”, disse o Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Mauro Azevedo Neto. “Sua eleição é um impulso para a transformação positiva nos campos da medicina e ciência, e um estímulo para todas as mulheres que buscam realizar grandes feitos em suas respectivas áreas e conquistar cada vez mais espaço nas áreas de liderança. A conquista da Drª permanecerá como um capítulo significativo na história da medicina brasileira e na luta contínua pela igualdade de gênero.”

 

NOTÁVEL TRAJETÓRIA ACADÊMICA

Filha de Laura de Melo Bouskela e Elie Bouskela, Eliete nasceu em Uberlândia em 1950 e nos anos 60 mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro onde graduou-se em medicina (1973) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestrado em biofísica (1975) e doutorado em fisiologia (1978) também pela mesma instituição.

Mudou-se para os Estados Unidos em 1974, onde estagiou nos estados de Minnesota e Washington. Em Seattle, realizou pós-graduação da UFRJ com bolsa da CAPES e depois trabalhou como Pesquisadora Associada da University of Washington, como parte experimental da tese de doutorado até 1977. Já em 1989 realizou pós-doutorado na Universidade de Lund, na Suécia, e obteve livre-docência (1992) na mesma instituição.

Eliete Bouskela é professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro desde 1999; diretora científica da FAPERJ para o período 2018-2024; membro titular da ANM; coordenadora adjunta (área de Pesquisa Clínica) do curso de pós-graduação de Fisiopatologia Clínica e Experimental (nível 5 da CAPES, Medicina I); membro do Conselho Consultivo da Academia Mundial de Ciências (TWAS) para Ciências Médicas (2019-2020); pesquisadora 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), membro do Comitê de Assessoramento (CA) da Medicina do CNPq (período 07/2019 – 07/2026) e coordenadora científica do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE-UERJ).

A Doutora tem experiência na área de fisiologia cardiovascular (microcirculação) e pesquisa clínica, atuando principalmente nos seguintes temas: regulação da reatividade microvascular na obesidade, resistência à insulina, choques séptico e hemorrágico e detecção precoce de risco cardiovascular em doenças crônicas usando métodos não-invasivos. Dentre os prêmios e títulos adquiridos durante a carreira, destacam-se: Membro Estrangeiro de Honra (2001), Associação Médica Argentina (AMA, na sigla em espanhol); Cientista do Estado do Rio de Janeiro (2004) pela Faperj; Mulher do Ano (2005), do Instituto Biográfico Americano (ABI, na sigla em inglês); Intelectuais Notáveis do Século XXI (2006) e Profissional de Saúde de Liderança Global (Leading Health Professional of the World), ambos do Centro Biográfico Internacional, localizado no Reino Unido (IBC, na sigla em inglês); Grandes Mulheres do Século XXI (2006), do Instituto Biográfico Americano (ABI, na sigla em inglês); e Medalha Tiradentes (2014), da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Além da ABC, é membro associado estrangeiro da Academia Nacional de Medicina da França, sendo a primeira mulher brasileira a integrar a agremiação francesa; membro titular (área Medicina) da Academia Europeia de Ciências e Artes; membro titular da TWAS.