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Horta Urbana no Vidigal faz sucesso e vira ponto turístico internacional

Horta Urbana no Vidigal faz sucesso e vira ponto turístico internacional
Horta

Iniciativa fomentada pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade mudou a paisagem na encosta da Avenida Niemeyer

 

Já imaginou um projeto social que combine sustentabilidade, produção de alimentos, ordem urbana, geração de empregos e turismo? O Estado do Rio de Janeiro provou que é possível e que o sucesso pode ser ainda maior do que o esperado. Este é o caso da Horta Urbana da comunidade do Vidigal, localizada na Zona Sul da capital e fomentada pelo Governo Estadual por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas).

Localizados abaixo da encosta da Avenida Niemeyer, os quatro terrenos abrangidos recebem, desde 2018, as ações de limpeza e transformação que os agentes ambientais promovem, o que resultou em uma grande mudança na paisagem local. Todo o material reciclado retirado diariamente, é encaminhado para uma cooperativa de reciclagem também mantida pelo Estado e localizada na Rocinha, que emprega diversos moradores da área.

O projeto mostrou resultados tão positivos, que os agentes ambientais decidiram criar uma Horta Urbana e um Horto no local, onde a produção é feita de forma totalmente orgânica e com o apoio da comunidade. Somente nos últimos três meses, tempo desde que se iniciou o plantio, já são quase 5 mil sementes de frutos, legumes, hortaliças e plantas medicinais inseridas na área, além das centenas de mudas de outras plantas e árvores.

O sucesso foi tanto, que a Horta Urbana virou ponto turístico. Os guias que promovem os passeios com os estrangeiros na comunidade do Vidigal, já incluíram o local em seus roteiros, o que permite que a equipe mostre o seu trabalho em constante evolução para os turistas. Em um fim de semana, é comum que cerca de 150 visitantes de variadas nacionalidades passem pelo espaço revitalizado que conta com vista privilegiada do oceano Atlântico.

José Antônio do Nascimento, conhecido como Zé do 14, é o principal colaborador do projeto e se diz muito feliz com os resultados já alcançados. Por iniciativa própria, começou em 1989 a limpar sozinho os terrenos ociosos que estavam cheios de lixo e entulho. “Eu queria limpar essa área da minha comunidade, fazer algo de bom para o Vidigal. Hoje, crescemos com a ajuda do Estado e conseguimos produzir alimentos que são entregues aos moradores”, conta.

Zé, Elenilton, Paulo, Rafael, Danilo e Messias são os seis agentes ambientais que trabalham diariamente no projeto, e contam que, por dia, retiram cerca de 20 sacos cheios de material reciclável que acabam nas encostas, além de outros resíduos sólidos. O desejo da equipe é que a iniciativa cresça a ponto de abranger toda a encosta que vai do Leblon a São Conrado.

Para a pesquisadora da PUC-Rio, Evania de Paula, a horta é uma oportunidade de combinar o espaço onde nasceu e cresceu com a sua tese de doutorado. “Aqui sou uma amiga e voluntária, trago as ideias do design para a nossa comunidade. O próprio plantio na horta é feito em curvas, uma inspiração no estilo do paisagista Burle Marx. O vidigal abraçou esse projeto, e queremos que tudo aqui cresça ainda mais, que seja um espaço educador”, afirma.

A limpeza do local melhorou também a vida dos pescadores, que agora conseguem ter acesso ao mar de uma maneira muito mais rápida e menos perigosa. Além disso, a coordenação da Escola Municipal Prefeito Djalma Maranhão, localizada entre os terrenos abrangidos, já pediu para que os agentes ambientais criem uma horta dentro do colégio, inspirados pela mensagem de sustentabilidade e educação ambiental que o projeto transmite.