Há uma relação entre clima e segurança alimentar que merece a atenção no Rio de Janeiro. Nos meses de verão, percebe-se que o estado sofre cotidianamente com sensações térmicas que chegam próximo aos 60º. As mudanças climáticas, manifestadas através de eventos extremos, como chuvas intensas e períodos de seca, afetam diretamente a produção de alimentos, comprometendo a segurança alimentar da população.
Essa realidade não é apenas local ou nacional. Isso pode ser observado, por exemplo, pela disparada do valor do azeite no mercado nacional e internacional por conta dos problemas climáticos enfrentados pela Espanha, grande produtora mundial. Além disso, o aumento das temperaturas urbanas intensifica os desafios relacionados à preservação de alimentos, afetando a qualidade e a segurança dos produtos disponíveis para consumo.
A situação se torna ainda mais preocupante porque o contexto brasileiro reflete um cenário em que mais da metade da população sofre com algum grau de insegurança alimentar. De acordo com a advogada e doutora em Segurança Alimentar Roberta Lima, “há, no país, 125,2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar leve, moderada e grave combinadas. Essa condição é ampliada pelas questões climáticas, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas, onde a mudança climática ameaça a disponibilidade e o acesso a alimentos nutritivos”.
Segundo a pesquisadora, no momento é urgente pensar em estratégias inovadoras e sustentáveis para enfrentar esses desafios, indo além de práticas tradicionais como a agricultura urbana. As políticas públicas devem ser direcionadas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, para a promoção de sistemas alimentares sustentáveis e agroecológicos e para a garantia de acesso a alimentos saudáveis e nutritivos para todos, especialmente para as comunidades mais vulneráveis.
“As abordagens para garantir a segurança alimentar no Estado do Rio de Janeiro devem ser holísticas, abordando simultaneamente as questões de direitos humanos, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável”, conclui Roberta.