Degase realiza Simpósio "Saúde e Socioeducação" em parceria com Academia Nacional de Medicina
Na última quinta-feira (13/4) o Degase e a Academia Nacional de Medicina (AMN) promoveram o Simpósio "Saúde e Socioeducação", reunindo diversas autoridades e especialistas nos assuntos abordados.
A mesa de abertura foi composta pela secretária estadual de Educação, Roberta Barreto; o diretor-geral do Degase, Victor Poubel; o presidente da AMN, acadêmico Dr. Francisco Sampaio; e os acadêmicos Dr. José Galvão Alves e Dr. Pietro Novellino.
O diretor-geral do Degase, explicou sobre a estrutura e funcionamento do Departamento para os participantes do Simpósio e frisou que um dos maiores focos do órgão neste momento é investir empregabilidade dos jovens atendidos, para que o objetivo da socioeducação e reingresso dos adolescentes à sociedade possa efetivamente ser atingido.
Segundo a secretária de Educação, Roberta Barreto, a socioeducação talvez seja um dos maiores desafios do país e do Estado.
- Falar de socioeducação é falar também de saude física, mental, da reintegração à sociedade, inserção no mundo do trabalho e também no aspecto do desenvolvimento humano, é um conjunto complexo de áreas que precisam de atenção - completou a secretária.
Na sequência, o secretário estadual de Saúde, Dr. Luiz Antônio Teixeira Jr, deu início ao ciclo de palestras do evento abordando o tema "Políticas Públicas de Saúde". Alguns dos pontos citados foram a política de reforço financeiro da atenção primária, com o cofianciamento da assistência médica dos municípios, que também faz parte da rede assistencial das pessoas privadas de liberdade, segundo o princípio da incompletude institucional; os altos índices de tuberculose no Estado também estiveram na pauta, já que dois dos grandes canais de disseminação do vírus são o sistema prisional e habitações precárias e com pouca circulação de ar nas favelas. Uma das metas do Estado é diminuir as taxas da doença e para isso será implementado o atendimento volante nas comunidades, presídios e centros socioeducativos, que terá busca ativa de pessoas com sintomas, além de testes rápidos para detectar a tuberculose e doenças sexualmente transmissíveis, com orientação, atendimento e acompanhamento dos pacientes positivos. O gestor de Saúde do Estado finalizou sua fala ressaltando o compromisso em implantar políticas públicas inclusivas para os socioeducandos e, especificamente, para as jovens do sexo feminino, ações de prevenção à gravidez na adolescência e distribuição de contraceptivos.
Na segunda palestra da tarde, o deputado estadual Sérgio Azevedo falou sobre o "Legislativo na Promoção da Saúde Pública", ressaltando que o principal da atividade parlamentar para a contribuir nesta área é entender as diferenças da rede pública para a rede privada, já que os gestores públicos só podem fazer o que a lei determina. Sendo assim, o Poder Legislativo tem a responsabilidade de aplicar de forma justa, consciente e responsável a Lei Orçamentária Anual, que define onde e em quais ações serão aplicadas as verbas para ações e atividades de saúde pública.
Finalizando as palestras da tarde, o vice-prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Nilton Caldeira, abordou o tema "Municipalidade e Juventude", ressaltando que além da educação e ensino formais, é de extrema necessidade que se invista em políticas de profissionalização e empregabilidade. Na oportunidade, o diretor-geral do Degase, Poubel, reforçou a necessidade de apoio dos comerciantes e empresários do Estado para promover a empregabilidade da juventude, que é o principal meio de fazer com que o índice de reincidência dos atos infracionais diminua.
Ainda durante a parte vespertina do evento, durante a fase de perguntas do público, entraram na pauta assuntos como a importância da alimentação saudável e orientação nutricional de crianças, adolescentes e famílias, bem como meios e politicas publicas para que a população mais vulnerável tenha acesso a alimentação adequada, chegando também ao sistema educacional e socioeducativo. Ainda sobre a saúde, foi um consenso de que o acompanhamento das crianças deve ser feito desde o pré-natal, com boa alimentação, saúde, segurança, educação e demais cuidados, seguido por ampliar o repertório de mundo e cultura dos jovens, para que o mundo deles possa se tornar mais do que eles conhecem e ultrapassem as barreiras dos lugares onde vivem.
Acadêmicos da AMN sugeriram também a participação dos cientistas e pesquisadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) para realizarem palestras para os socioeducandos do Degase, contribuindo com a disseminação de conhecimentos sobre saúde; e o presidente da Academia, também reitor do Centro Universitário Geraldo Di Biase (UGB), mencionou que será firmada uma parceria com o Degase em Volta Redonda, para oferecer bolsas de estudos integrais desde o ensino básico até a universidade para os socioeducandos da região.
A tarde foi encerrada com um chá acadêmico oferecido pela ANM e as apresentações da noite começaram com a palestra da representante do Ministério da Saúde, Caroline Mariana Arantes de Morais; que falou sobre a PNAISARI, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde dos Adolescentes em Conflito com a Lei, em Regime de Internação, Internação Provisória e Semiliberdade. Tópicos como os marcos legais para a atenção à saúde de adolescentes; o papel da saúde na Proteção Integral dos jovens; a abordagem diferenciada para este público; os desafios na atenção integral à saúde dos adolescentes, objetivos da PNAISARI e políticas do SUS para os socioeducandos, além da incompletude institucional como alicerce para que os jovens reconheçam a rede de assistência extramuros como locais seguros de acolhimento e atendimento, estas foram algumas das pautas abordadas.
Logo em seguida, o médico do Degase, Dr. Cleiton Toledo Cabral compôs a mesa do evento para discorrer sobre "Saúde Mental dos Adolescentes e Servidores da Socioeducação e Determinantes Sociais", que iniciou sua fala esclarecendo que dentro do sistema socioeducativo sempre serão encontrados os mais diversos quadros de transtornos como por exemplo ansiedade, depressão ou quadros reativos, pois a privação de liberdade, por sua natureza, já é uma condição nociva ao psiquismo humano e consequentemente irá causar reações emocionais às pessoas que passam por ela. O médico explicou a estrutura de cuidados de saúde do Departamento, e especificamente da da Coordenação de Atenção em Saúde Integral e Psicossocial do Degase, ressaltando que cada unidade socioeducativa possui uma equipe técnica de referência em saúde mental, composta por psicólogos e terapeutas, que são responsáveis por fazer as avaliações dos socioeducandos e encaminhá-los para os psiquiiatras caso seja levantada a necessidade; dando ainda a conhecer o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Atenção às Famílias (NUAF) e do Núcleo de Promoção à Saúde do Trabalhador (NUPST), voltados respectivamente para prestar suporte aos familiares dos adolescentes atendidos pelo sistema e para os servidores do Degase. Segundo Dr. Cleiton, toda a estrutura de trabalho depende dos funcionários do Departamento, que estão imbuídos de uma missão árdua e nobre, já que a sociedade precisa deste trabalho que é desgastante porém fundamental e poucas vezes reconhecido.
Finalizando a noite, a coordenadora de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (COOECEL) do Degase, Evangelina Dantas, expôs imagens e vídeos sobre o trabalho realizado nestas áreas, incluíndo a realização de torneios esportivos, cursos profissionalizantes, encaminhamento para o mercado de trabalho, passeios extramuros e diversas atividades realizadas no campus da COOECEL e nas 26 unidades do Departamento.
Prestando uma conclusão sobre a complexidade dos temas abordados, o diretor-geral do Degase compartilhou que após 29 anos como delegado da Polícia Federal e cerca de dois anos à frente do Degase, ele tem a chance de ter uma visão completa do que rege a Segurança Pública, e que não basta ter um olhar raso e, enquanto sociedade, sermos motivamos por um desejo de vingança ou achar que basta prender para que tenhamos uma sociedade melhor.
- O Degase tem algumas missões: fazer com que a família dos jovens participe desse processo de ressocialização junto com eles, preparar os profissionais para lidar com essa realidade e buscar o apoio da sociedade civil, seja da universidade, dos empresários, comerciantes e de todos os cidadãos. Precisamos que cada pessoa cobre e participe para que esse sistema funcione. Todos estão convidados a conhecer o trabalho do Degase para saber como a socioeducação funciona e como ela é importante para que a gente não tenha o bandido do amanhã, para que possamos interromper este ciclo - reforçou o diretor - Estamos trabalhando com muito afinco para que tenhamos uma sociedade que todos, sem exceção, possam viver melhor, com mais dignidade, oportunidades e segurança - concluiu.
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