SAÚDE INTEGRAL NO CENSE DOM BOSCO
Seguindo as diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei, em Regime de Internação e Internação Provisória (PNAISARI), o Centro de Socioeducação (Cense) Dom Bosco vem desenvolvendo e consolidando diversas ações para atender às demandas específicas da saúde mental dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa na unidade.
Atualmente composta por quatro profissionais, duas psicólogas (Karla Madruga e Fernanda Rimes) e duas terapeutas ocupacionais (Sonia R. Silva e Doralice Santos), a equipe de referência em saúde mental da unidade atende aproximadamente 40 adolescentes nos projetos terapêuticos que apresentam diversos tipos de abordagens.
Neste mês de outubro, os atendimentos e oficinas ganharam uma sala específica para o uso da equipe de Saúde Mental e, de acordo com um dos diretores da unidade, Odilon Muniz, a previsão é de que, em breve, o grupo receba um espaço novo após o término das obras que já foram iniciadas no Centro de Socioeducação.
Há pouco mais de 2 anos o Dom Bosco, que até então era uma unidade de internação provisória, passou também a executar a medida de internação, iniciando um trabalho de adaptação e transição para essa mudança na dinâmica do centro socioeducativo. Atualmente, com o delineamento de estrutura física e profissionais específicos para cada uma das duas medidas na unidade, a equipe de saúde mental relata que estas mudanças vêm possibilitando um atendimento a longo prazo e solidificando o trabalho da internação que tem um ritmo diferente da provisória, onde o jovem permanece na unidade durante pouco tempo.
Convidada pela Coordenação de Saúde do Degase para integrar o time da Saúde Mental do Cense Dom Bosco, a terapeuta ocupacional Doralice Santos vem articulando ações de saúde integral com palestras e oficinas com convidados.
“No final de setembro realizamos uma palestra de saúde bucal em parceria com a odontologia do Degase e já estamos com as próximas ações agendadas, receberemos uma farmacêutica para falar com os meninos sobre como o álcool e outras drogas, incluindo medicamentos, atuam no organismo, quais são os riscos e consequências do uso dessas substâncias e, posteriormente, também será realizada uma palestra sobre saúde sexual e reprodutiva”, explicou a terapeuta, acrescentando que estas ações também atendem socioeducandos que não estão em atendimento pela equipe de saúde mental.
Oficinas e grupos terapêuticos também compõem o atendimento realizado no Cense Dom Bosco. Eles utilizam ferramentas como artesanato, pintura, música, dança, teatro, consciência corporal, entre outras dinâmicas, promovendo um espaço seguro de escuta, interação e alívio de sofrimentos psíquicos.
“As oficinas da terapia ocupacional promovem a ressignificação da vida e a ampliação da visão de mundo dos jovens através do fazer artístico e cultural”, pontuou a terapeuta Sônia Silva, que também trouxe a parceria de grupos artísticos, além de CineDebates e rodas de conversa que abordam temas como política, cultura, alimentação, comidas típicas como referências geográficas e outros assuntos.
As áreas da psicologia e terapia ocupacional trabalham de forma integrada, realizando atividades conjuntas como o grupo “Potencial Criativo”, que acontece uma vez por semana e é voltado aos jovens com demandas de sofrimentos psíquicos e em uso de psicotrópicos.
Nos encontros, são utilizadas músicas, poemas, desenhos, pinturas e composições artísticas de autoria dos jovens como ferramentas para eles se expressarem, para potencializar a capacidade criativa, além de oferecer também atenção especial no manejo das prescrições de medicamentos. "Utilizamos o perfil do próprio adolescente para construir, através da arte, novas maneiras de estar no mundo e vivenciar a privação de liberdade", ressaltou a psicóloga Fernanda Rimes.
Atravessadas pela realidade da atual pandemia de coronavírus, as dinâmicas de algumas atividades precisaram ser repensadas e os grupos terapêuticos que antes podiam atender aproximadamente 10 adolescentes, passaram a ser menores e trabalhar com 6 a até no máximo 8 jovens por vez.
Foi este o caso dos círculos de construção de paz, que utilizam uma metodologia ancestral de resolução de conflitos em roda fazendo uma interface da saúde mental com a justiça restaurativa, e foram propostos pela psicóloga Karla Madruga. “Nos pautamos nos princípios básicos dos processos restaurativos, de estar em um espaço de não-julgamento, de confidencialidade, de falar por si e não pelo outro. Nos círculos, utilizamos a contação de histórias como uma forma de troca, de identificação e de resgatar valores, especialmente, mostrando que é possível resolver tanto conflitos internos quanto comunitários através da fala, da comunicação”, concluiu Karla.
Segundo a equipe de Saúde Mental, nos últimos meses já foram alcançados resultados como melhora do convívio nos espaços socioeducativos, descoberta de habilidades criativas natas dos adolescentes, altas do atendimento psiquiátrico, além de diminuição e suspensão de psicotrópicos, com o acompanhamento dos profissionais médicos responsáveis.
Entendendo o atendimento em Saúde Integral no Degase
Todas as unidades do Degase possuem uma equipe técnica de referência da medida, composta por profissionais responsáveis pelo acolhimento, atendimento, acompanhamento e avaliação dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.
São estes servidores (psicólogos, assistentes sociais e pedagogos) que acompanham o processo socioeducativo individual de cada jovem, realizam encaminhamentos, acompanham a família, avaliam as metas traçadas no Plano Individual de Atendimento (PIA) e elaboram relatórios para a autoridade judiciária.
As unidades de internação e internação provisória contam ainda com o atendimento de equipes multiprofissionais de atenção básica, compostas por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentistas, entre outros profissionais do sistema, que realizam atendimentos primários dos jovens dentro das unidades.
Os socioeducandos também são inseridos na Rede de Atenção à Saúde, tanto em casos de atendimentos mais complexos, quanto para estabelecer vínculos e garantir o acesso de cada jovem ao sistema de saúde durante o cumprimento da medida e após sua reinserção social.
Todos os adolescentes recebem atendimento psicológico, porém, em casos específicos de transtornos mentais, sofrimento psíquico ou problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas, este jovem é encaminhado para a equipe de Saúde Mental. Essas demandas podem ser sinalizadas na sentença pelo próprio juiz ou, geralmente, pelas equipes técnicas de referência e atenção básica, que identificam a necessidade de um atendimento especializado nestes casos.