COM FLEXIBILIZAÇÃO DAS MEDIDAS DE ISOLAMENTO, RETORNA A OFICINA DA TV DEGASE

COM FLEXIBILIZAÇÃO DAS MEDIDAS DE ISOLAMENTO, RETORNA A OFICINA DA TV DEGASE

Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão já disse o ganhador do Festival de Cannes, o cineasta brasileiro Glauber Rocha. Os jovens internos do Degase têm a oportunidade de expressar suas opiniões e mostrar uma visão crítica do mundo e de sua realidade ao participarem das oficinas da TV Degase, uma iniciativa que completa 10 anos. Egressas do sistema socioeducativo, Rebeka Terra e Michelle Felix são as responsáveis pela produção da oficina.

 Elas mesmas são histórias de sucesso.  Rebeka Terra, 27 anos, é estudante do curso de pedagogia da UFF, em Niterói.  “Queria entrar em uma faculdade pública e pedagogia foi uma possibilidade diante das opções que eu tive”, salientou Rebeka, também moradora da chamada Cidade Sorriso. “ Pretendo mixar todos os conhecimentos que venho adquirindo e usar na educação”.

 Michele Félix, 28 anos, ficou grávida do companheiro Wellington, também egresso do Degase e teve a filha Duda, atualmente com 5 anos “ Eu sempre quis ajudar as pessoas e como fiquei um período parada no audiovisual, acabei fazendo o curso técnico de enfermagem. Era uma forma de também auxiliar o outro”, analisou Michele, que estudou ainda Comunicação Crítica no Observatório nas Favelas, uma parceria com a UFRJ.

O trabalho realizado pela TV Degase já rendeu premiações como a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara de Vereadores do Rio, a Medalha Tiradentes, entregue pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), além de ter sido citado no relatório do Conselho Nacional de Justiça como um modelo de ação que deve ser seguido em todo o Brasil.

O retorno das aulas a partir da flexibilização das medidas de isolamento social por causa da pandemia,  começou com uma oficina de sensibilização, para perceber os adolescentes que têm interesse e aptidão para participar do curso.  Elas realizaram dois encontros, pela manhã e à tarde, na sala de leitura da Escola João Luiz Alves (EJLA) na segunda-feira (19/10). Durante três meses, os interessados vão escolher temas, pesquisar, redigir textos, produzir, gravar e editar vídeos.

Ao longo dos 10 anos, 1440 meninos e meninas produziram dezenas de reportagens e documentários para o canal da TV Degase no YouTube. A iniciativa é vinculada à Divisão de Profissionalização (Dipro) da Coordenação de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Cecel). Verônica Rimes, diretora da Dipro, e o coordenador da Cecel, Luiz Fernando Brandão, acompanharam a oficina de sensibilização ao lado do diretor-geral do Degase, Márcio Rocha.

Ao final do encontro Márcio Rocha falou com os jovens e explicou as opções que este curso pode oferecer aos internos. “Quem trabalha com audiovisual pode exercer funções na frente e atrás das câmeras. Vai desde o produtor, repórter, apresentador, câmera até o editor”, enumerou o diretor-geral.