PROJETO “BATE-PAPO LITERÁRIO” PROMOVE INCENTIVO À LEITURA NO CENSE PACGC
Com o retorno de algumas atividades presenciais, em virtude da flexibilização da quarentena no Estado, as unidades socioeducativas de internação e internação provisória foram retomando as visitas familiares, além de oficinas, cursos e encontros com os socioeducandos.
Esse é o caso do Bate-Papo Literário, um encontro mensal para falar sobre leitura e literatura, que começou bem antes da pandemia no Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da Costa (Cense PACGC). No mês de setembro, o projeto retomou suas atividades numa versão mais compacta: antes, os encontros mobilizavam todas as socioeducandas da unidade, e agora são realizados em grupos de até 5 adolescentes.
Idealizado pela psicóloga do Degase, Aline Garcia, que já realizava oficinas de poesia com as adolescentes do Cense PACGC, o objetivo foi estimular atividades de incentivo à leitura, empréstimos de livros na biblioteca da unidade e ainda promover a saúde mental das meninas, pela natureza das atividades. “A oficina de poesia foi um sucesso tão grande com as adolescentes que a coletânea de poesias produzidas nos encontros acabou virando o livro Vôos do Cárcere, que teve seu pré-lançamento na Bienal do Livro”, relembrou o diretor da unidade, Leonardo de Souza.
Com a bagagem de anos de trabalho na área, Aline adaptou o Bate-Papo Literário para o atual momento de pandemia, com os encontros acontecendo da seguinte forma: a psicóloga convida as duas jovens mais assíduas na utilização da biblioteca e que pegam mais livros emprestados para ler. Estas duas escolhem uma obra literária para apresentar a outras duas ou três meninas que, por meio da convivência, elas mesmas observam que precisam ser mais incentivadas a ler. As convidadas do projeto recebem um convite impresso e são recebidas em um espaço ao ar livre, com um lanche e ambiente preparados para a atividade.
O subdiretor-geral do Degase, Bruno Azevedo, reforçou a importância de iniciativas que promovam a autonomia e o protagonismo das meninas e meninos em cumprimento de medidas socioeducativas. “Neste projeto, elas têm espaço para expor suas ideias, dialogar, conviver. Apresentam sua visão sobre os livros escolhidos, explicam umas às outras sobre a importância e benefícios da leitura, além de incentivar o cuidado com os exemplares físicos, sem rasgar, amassar, rabiscar, mostrando como ações individuais podem influenciar no coletivo”, ressaltou Bruno.
Atuando como coordenadora e mediadora da atividade, a psicóloga Aline explica que o projeto atua como uma “terapia literária” para as adolescentes. “Partimos do entendimento que o livro é uma ferramenta que abre portas a quem o lê. Ele nos permite pensar novos rumos existenciais, ter um pensamento mais crítico da realidade e até mesmo enxergar a si mesmo e ao mundo de outra forma. As meninas incentivam umas as outras a tomar gosto pela leitura, não só como um passatempo de lazer, mas também como um suporte que pode te acompanhar pela vida”, explica a psicóloga, que contou receber o relato de uma das adolescentes dizendo o quanto se sentiu importante e especial ao ser convidada para o projeto e ainda receber um convite impresso com seu nome.
As atividades acontecem uma vez por mês e têm estimulado a utilização dos espaços de leitura na unidade e a procura das adolescentes por livros. Nos encontros, as meninas tem acesso a diversos livros que ficam à sua disposição e todas saem com o empréstimo do livro da sua escolha.