A Atrofia Letal da Coroa do Coqueiro (ALCC) é uma doença que pode ocorrer em qualquer espécie de coqueiro, atingindo a coroa e causando redução do tamanho da folhagem. Consequentemente, ocorre a redução da produção. Como a área de fotossíntese se torna menor, a alimentação da planta e a produção de nutrientes ficam muito prejudicadas.
No Brasil, já foram relatados casos em nove estados: Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão, Sergipe, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Espírito Santo. Acredita-se que a anomalia possa expandir-se cerca de 40 quilômetros por ano, podendo atingir a cocoicultura de outros estados futuramente.
No Estado do Rio de Janeiro, responsável por 8% da produção da fruta no país e maior consumidor in natura de coco verde, ainda não foi relatado nenhum caso da anomalia. Entretanto, existe o risco de atingir o estado pela fronteira com o Espírito Santo, onde a ALCC foi relatada a cerca de 300 km.
Já ocorreu redução significativa da produção da fruta no Rio de Janeiro entre os anos de 2009 e 2019, de 48% da área cultivada, de 4.246 hectares para 2.215 hectares. Caso a Atrofia Letal da Coroa do Coqueiro chegue ao estado, pode afetar ainda mais o plantio e a produção e, consequentemente, o consumo e o lucro.
Entrevista realizada com o engenheiro agrônomo e diretor técnico da PESAGRO-RIO, Sílvio Galvão:
Existem formas de prevenir a ALCC?
Os estudos atuais não concluíram sobre o possível agente causal dessa anomalia. Assim, entendemos ser mais pertinente a condução da plantação envolvendo diferentes alternativas de manejo da produção e limpeza da área visando plantas saudáveis e diminuição da infestação de pragas em geral.
Qual a principal forma de tratar e recuperar o coqueiro atingido?
A PESAGRO-RIO entende que a melhor forma é manter a lavoura livre de folhas velhas, com monitoramento sistemático do início de ocorrência de pragas, tanto na parte aérea quanto radicular. Ainda, a correção da acidez do solo, adubação equilibrada e a busca de drenagem adequada da área, evitando-se sempre áreas alagadiças, permitindo o máximo vigor das plantas e a manifestação da sua resistência natural a condições adversas.
Existe risco no consumo de cocos extraídos de árvores atingidas pela doença?
Não. Na agricultura, é rara a ocorrência de pragas ou distúrbios fisiológicos que provoquem algum tipo de patologia no consumidor. Assim, mesmo com a ocorrência da anomalia, o consumo não é prejudicado. O grande prejuízo está na diminuição da produção individual, na produtividade anual da área de cultivo e na longevidade dos coqueiros.