O Dia de Campo sobre a cultura de soja, recuperação de pastagens, arroz, feijão, milho e olerícolas, promovido pelo Centro Estadual de Pesquisa em Agronomia e Aproveitamento de Resíduos da PESAGRO foi um sucesso. Nossos pesquisadores puderam discorrer sobre os temas e apresentar os resultados de alguns experimentos que vêm sendo conduzidos no CEPAAR.
O evento contou com as presenças do Vice-presidente da ALERJ, Deputado Jair Bittencourt, toda a diretoria da PESAGRO, além de diversos representantes da empresa, da EMBRAPA, da UENF, da UFFRJ e do setor agropecuário fluminense.
O chefe do CEPAAR, Ronaldo Soares, celebrou a presença de tantos produtores rurais no evento e falou sobre a importância de compartilhar os resultados obtidos a partir das pesquisas aplicadas no local para o desenvolvimento do agronegócio fluminense.
“O Dia de campo foi muito proveitoso. Nós tivemos mais de 130 pessoas presentes, a maioria produtores rurais interessados em conhecer as ações de pesquisa feitas pela PESAGRO, notadamente o CEPAAR. Vários produtores estão iniciando a produção de soja com pouca ou nenhuma orientação. Muitos implementam variedades de forma livre, sem um estudo que possa apresentar a eles quais são as variedades mais adaptadas à região. Isso, evidentemente, reduz muito a produtividade.”
Ronaldo Soares destacou ainda que a troca de experiências com os produtores foi muito proveitosa e que um dos temas que mais chamou a atenção do grupo foi o trabalho de recuperação de pastagens degradadas.
“Foi muito legal ver o interesse com o trabalho de recuperação de pastagens degradadas. Nós estamos fazendo no nosso centro há 4 anos, com resultados excelentes, com materiais altamente produtivos, com rendimento de proteína e massa seca muito grande para os animais. E o trabalho de recuperação dessas pastagens usando rotação de cultura, como soja, milho e feijão. Isso confere ao solo características muito melhores e o produtor pôde ver na prática como fazer isso. Foi uma troca de experiências muito boa.”
Afinal: o Rio de Janeiro pode produzir soja?
Foi notável o interesse do público em conhecer o trabalho com soja que vem sendo realizado nos municípios do Norte e Noroeste Fluminense. Embora a produção no Rio de Janeiro ainda seja pequena, em torno de 300 hectares, já há plantio empresarial tanto em Campos dos Goytacazes quanto em Macaé. Responsável pelos estudos de soja no CEPAAR, o pesquisador Benedito Fernandes confirmou o potencial produtivo que a região tem para o cultivo do grão.
“Nós pudemos apresentar as 10 cultivares mais promissoras testadas aqui no CEPAAR. Embora ainda não tenhamos os números certos, é seguro afirmar que algumas delas vão ultrapassar os 5.000 kg/ha, o que em comparação ao nível nacional é muito bom. Essa vitrine tecnológica montada aqui em Campos mostra o potencial que a região tem para o cultivo de soja.”
Arroz Gourmet – alto valor agregado e nutricional
Na ocasião, o pesquisador Silvino Amorim apresentou alguns dados sobre as pesquisas com a cultura do arroz, feitas pela PESAGRO na região desde 1976. Ele selecionou 12 cultivares de alto potencial produtivo e excelente qualidade de grão, e obteve ótimos resultados. A produção, que costumava ficar em 1.300 kg/ha em média, alcançou média de 4.300 kg/ha, sendo comum alguns produtores colherem acima de 6.000 kg/ha. Os resultados foram obtidos a partir de estudos com as seguintes cultivares de grãos tradicionais: Epagri 109, BRS Esmeralda, BRS Pampeiro e BRS Tropical, sendo a mais produtiva a BRS Pampeiro.
Outra linha de pesquisa que está evoluindo muito nos últimos dois anos é com o chamado “arroz “gourmet”. Foram selecionadas e repassadas ao sistema produtivo no Norte e Noroeste Fluminense as cultivares SCS 120 Onix (preto), proveniente da Epagri, em Santa Catarina, e BRS 901 (Vermelho), do CNPAF/Embrapa. Cerca de 30 pequenos produtores nos municípios de Italva, Laje do Muriaé e São José de Ubá, estão envolvidos no trabalho que vem sendo desenvolvido em parceria com a EMTAER. Alguns estão beneficiando de forma artesanal os grãos e comercializando à R$ 30 o quilo, em feiras, restaurantes e na Cooperativa de Produtores de Italva.
Para Silvino Amorim, o cultivo de arroz gourmet na região é uma estratégia interessante para o pequeno produtor aumentar sua renda.
“O trabalho com arroz gourmet está indo muito bem e o interesse dos produtores também cresce à medida que eles veem os resultados. É um novo nicho de mercado, de alto valor agregado e surge como uma excelente opção de receita para esses produtores. Podemos afirmar que o arroz gourmet já é uma realidade no Noroeste Fluminense.”
Recomendações para o plantio de milho
Uma das culturas com maior potencial nas regiões Norte e Noroeste Fluminense é a do milho. No evento, a pesquisadora Lúcia Valentim falou sobre os resultados que estão sendo obtidos com a cultura do milho em Campos e adjacências e ressaltou que o programa Rio Milho tem vai crescer nos próximos anos.
“O Rio Milho é um programa com enorme potencial de crescimento. Nós implementamos os primeiros testes no município de Quissamã, e tem sido um sucesso. Como se trata de um projeto-piloto, podemos adiantar que ele será levado para outros municípios. Temos milhares de hectares na região disponíveis para o plantio, os produtores e municípios vão entender aos poucos que o milho é uma alternativa viável.”
A recomendação da PESAGRO é que se utilize as cultivares BRS 4157 Sol da Manhã, BR 106, AL Avaré, AL Bandeirante, BRS 4103, BRS 4104, BRS Caimbé, BRS 1055, BRS 2022, BR 2121 e BRS 3046 para semeadura no estado do Rio de Janeiro. No caso do milho-verde a recomendação é que se utilize as cultivares AG1051, AG4051 e Cativerde 02.
![]()