A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Sesp) completa dois anos de atuação com avanços significativos na estruturação, modernização e integração das forças de segurança do Estado. Desde dezembro de 2023, a pasta consolidou entregas estratégicas que ampliaram a capacidade operacional, qualificaram o planejamento e as investigações para aumentar a proteção da população fluminense.
Ao longo desse período, a Secretaria assumiu papel central na coordenação das medidas previstas na ADPF 635, fortalecendo o diálogo com o Supremo Tribunal Federal (STF) e aprimorando normas que orientam procedimentos e práticas das polícias. Segundo o secretário de Segurança, Victor dos Santos, o monitoramento contínuo das determinações do STF tornou-se rotina institucional, elevando o padrão de atuação das forças de segurança em todo o estado.
- Temos que reconhecer a vitória que foi o julgamento da ADPF 635. Conseguimos esclarecer e atender todos os pontos. Agora as polícias conseguem entrar nos territórios de forma coordenada, integrada com muito planejamento, inteligência e isso foi um grande avanço - comemora.
Dentre as exigências do Supremo no escopo da ADPF 635 está a elaboração de um Plano de Reocupação Territorial para recuperar áreas dominadas pelo crime organizado. A Secretaria de Segurança desenvolveu um plano estratégico com a indicação de reocupação de alguns territórios na região da grande Jacarepaguá, encomendou a Central Única das Favelas (CUFA) uma pesquisa sobre os anseios dos moradores, e entregará, no próximo dia 22/12, ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que tem a competência de fiscalizar e acompanhar todo o processo, desde a construção do plano até a execução.
Quando foi recriada, uma das primeiras tarefas da Secretaria foi a realização de um diagnóstico detalhado da atuação do crime organizado no Rio de Janeiro, permitindo mudança de rumo na atuação das polícias, principalmente nas investigações e no trabalho de inteligência. As polícias estaduais passaram a atuar fortemente na asfixia financeira das facções, com operações focadas nos negócios que financiam as facções. Um exemplo é a Operação Contenção que já bloqueou mais de R$6 bilhões do Comando Vermelho.
- Graças ao trabalho conjunto e coordenado, as polícias enxergam uma segurança pública não mais focada na figura do criminoso, mas no negócio exercido nesses territórios. E, com a retomada desses territórios, a gente conseguirá devolver a paz para o Rio de Janeiro e, principalmente, para as pessoas que são subjugadas e ameaçadas diariamente pelos narcoterroristas - explicou o secretário de Segurança.
Investimentos Estruturantes
Um importante passo para a segurança pública do Rio de Janeiro que ficará para a história é a implantação do Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP), uma ferramenta que integra os dados de todas as secretarias do Estado do Rio de Janeiro e das polícias civil e militar, fortalecendo a atuação conjunta entre as instituições. A plataforma também será compartilhada com os 92 municípios do Rio de Janeiro para uso das guardas municipais e secretarias de ordem pública, para que possam colaborar ainda mais com as forças de segurança. Já estão em fase de teste o compartimento de informações com as guardas de Maricá e Volta Redonda.
- O SISP vem de encontro a uma política de segurança nacional da Senasp para integração dos banco de dados nacionalmente. Hoje cada um dos 27 estados têm as suas plataformas e banco de dados. O SISP está preparado para integrar com qualquer outro estado, o que vai viabilizar, por exemplo, que um preso ou criminoso possa ser identificado aqui no Rio de Janeiro - explicou a subsecretária de gestão da secretaria de segurança, Cristina Drongitis.
Como um dos focos da segurança pública do Rio de Janeiro hoje é a estrutura financeira e econômica das organizações criminosas, a Secretaria de Segurança criou um setor para tratar especificamente de recuperação de ativos provenientes de corrupção e ganhos ilícitos do crime organizado que ficam bloqueados à disposição da justiça. Em parceria com a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e Controladoria Geral do Estado (CGE) a Sesp conseguiu identificar mais de R$1 bilhão de ativos oriundos de crime que estão espalhados na justiça estadual, federal e a Secretaria iniciou um processo de recuperação desse dinheiro para que seja revertido para a segurança pública, destinado à compras de equipamentos para as polícias e até mesmo para financiamento de projetos previstos no escopo do Plano de Reocupação Territorial.
Resultados expressivos
Os últimos dois anos foram marcados também por operações de grande impacto no enfrentamento ao crime organizado. A Operação Contenção, por exemplo, ocorrida recentemente nos complexos do Alemão e da Penha, vem combatendo duramente a estrutura do Comando Vermelho, resultando na prisão de centenas de criminosos, na apreensão de dezenas de armas de guerra e no bloqueio de bens da facção.
Em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), a Secretaria de Segurança do Rio coordenou a Operação Shamar que resultou na prisão de mais de 80 criminosos em ações de combate à violência contra a mulher, a Operação Virtude focou na prevenção a crimes contra idosos, enquanto a Caminhos Seguros levou à prisão de mais de 60 criminosos envolvidos na exploração sexual de crianças e adolescentes.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que o rumo dos trabalhos da Secretaria de Segurança estão no caminho certo. Na comparação entre os dois anos anteriores à criação da pasta, 2022 e 2023, e os dois primeiros anos de atuação da Secretaria, em 2024 e 2025, foram identificadas quedas expressivas nos principais indicadores de criminalidade: 15,9% no roubo de carga; 16,3% no roubo a transeunte; 18,2% nos roubos a coletivos e 13,1% na letalidade violenta.
- Nestes últimos dois anos as polícias vêm alcançando resultados operacionais surpreendentes, seja no aumento das prisões, quase 80 mil, e nas apreensões de fuzis, mais de 1.500. Esse aumento da produtividade é resultado da integração entre as forças, que é uma das missões da Secretaria, integrar e coordenar. Então hoje temos uma efetividade maior por conta dessa integração conjunta das forças policiais - mostrou o secretário Victor.
Ao longo desses dois anos, a Secretaria recebeu delegações e autoridades de diversos países para intercâmbio de experiências, acordos de cooperação técnica e compartilhamento de boas práticas em segurança pública. As agendas incluíram representantes dos Estados Unidos, Itália, México, Tanzânia, Argentina, China, Alemanha, entre outros. Os encontros fortaleceram parcerias voltadas à inteligência, inovação e prevenção à violência.
A Secretaria de Segurança Pública também garantiu o planejamento integrado e a atuação coordenada em grandes eventos estaduais, nacionais e internacionais, como o Réveillon, o Carnaval, o show da cantora Madonna, da Lady Gaga, reunião da cúpula do G20, encontros do COSUD e atividades preparatórias da COP30, assegurando tranquilidade e eficiência na condução de operações complexas.
Perspectivas para 2026
Com os melhores índices de segurança dos últimos 15 anos, o Estado do Rio de Janeiro entra em 2026 com o desafio de transformar resultados estatísticos em uma percepção ainda mais clara de segurança no cotidiano da população. A estratégia passa pela execução contínua de operações como a Contenção, Impacto, Torniquete e Rastreio, além do programa Barricada Zero, para frear a criminalidade e manter os índices dentro das metas estabelecidas pelo Governo.
- Nosso objetivo é que o carioca sinta, no dia a dia, que está mais seguro e que o Estado retomou o controle do território. O crime contra o patrimônio é um crime que impacta muito a vida do cidadão - o roubo de celular, roubo de veículos - e isso causa uma insegurança muito grande. Hoje temos os melhores índices dos últimos 15 anos, mas a população não sente isso. Então o grande desafio para 2026 é transformar os bons números, em sensação de segurança da população - promete o secretário.
Para isso, a secretaria de segurança seguirá coordenando e planejando ações para que as polícias atuem mais fortes na prevenção de crimes, com mais ostensividade nas ruas, e com mais operações policiais, baseadas em investigação e inteligência.