ISP divulga dados iniciais da Pesquisa de Desaparecidos no estado do Rio de Janeiro
ISP divulga dados iniciais da Pesquisa de Desaparecidos no estado do Rio de Janeiro
Renata Fortes e Marianna Carmelini
27/04/2009 20:00h
A pesquisa tem como objetivo mapear as ocorrências de pessoas desaparecidas no estado do Rio de Janeiro, no ano de 2007. A base de dados a ser utilizada será proveniente de 4.641 ocorrências registradas pela polícia civil naquele período. As informações primárias serão coletadas a partir de entrevistas com familiares dos desaparecidos na tentativa de traçar um perfil dessas pessoas (sexo, raça, idade, nacionalidade, naturalidade, renda, escolaridade, local de moradia e localização da ocorrência por Área Integrada de Segurança Pública - AISP), além de identificar as circunstâncias das ocorrências e as possíveis causas.
Além do conhecimento e da análise quantitativa da questão, o documento busca padronizar a coleta de informações, a inserção de um banco de dados (que poderá ser utilizado como ferramenta de integração entre diferentes órgãos) e ainda contribuir para o estabelecimento de normas e procedimentos policiais diante de tais ocorrências.
A primeira fase é referente à sistematização dos dados provenientes dos Registros de Ocorrência (RO’s) de desaparecidos que constam no banco de dados da polícia civil.
A segunda etapa da pesquisa quantitativa sobre desaparecidos é a coleta de dados primários e de informações de acordo com o perfil dos entrevistados, com elaboração de questionário a ser aplicado aos familiares das vítimas. A seguir tentar-se-á indagar os motivos que levaram ao desaparecimento, como, por exemplo, rapto; tráfico de órgãos e drogas; prostituição e exploração sexual; dependência química; prisão; internação em abrigos ou asilos, entre outros.
A terceira fase tem como objetivo geral produzir material didático-pedagógico que oriente e esclareça as polícias e a sociedade civil como proceder diante de um provável caso de desaparecimento. A ação pretende disponibilizar uma cartilha na Internet e planejar a distribuição de cartazes e folderes em instituições como: polícias civil e militar, academias de polícia do Brasil, Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP, além da Fundação para a Infância e Adolescência - FIA, hospitais públicos, asilos, abrigos, conselhos tutelares, organizações não governamentais - ONG’s, imprensa e etc.
É importante ressaltar que os Conselhos Comunitários de Segurança serão brindados com exemplares para distribuição nas comunidades.
E por fim a quarta e última fase promoverá a divulgação dos resultados da pesquisa em workshops abertos ao público.
Foi possível verificar através do banco de dados produzido em qual município ocorreu desaparecimento. A cidade do Rio de Janeiro apresentou, então, a maior quantidade de casos, simbolizando 40,08% do total de 4471 ocorrências. A categoria “outros” agrupa todos os municípios que apresentaram menos de 1% de ocorrências. Ainda, é necessário lembrar que os municípios da região metropolitana foram os que apresentaram números mais expressivos.
Tabela 1
Vítimas totais por município da ocorrência – 2007 (maiores ocorrências)
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
Das 4641 vítimas, a variável “sexo” pôde ser determinada em 4240. Dessas, a maioria, 61,79%, se refere a pessoas do sexo masculino. Ao considerarmos somente os maiores de idade, a proporção de homens aumenta para 72,18%.
Gráfico 1
Vítimas totais por sexo – 2007
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
De acordo com os 3868 casos válidos referentes à idade das vítimas, ao agrupar as idades em blocos, foi possível perceber que a faixa etária com maior prevalência, 19,73%, é de adolescentes entre 11 e 15 anos. Esta faixa etária combinada com a faixa de pessoas entre 16 e 20 anos, concentra quase 40% do total de vítimas.
Ao analisar as idades que apresentam concentração de vítimas, percebe-se que pessoas de 14, 15 e 16 anos agregam, sozinhas, 18,64% dos casos.
Gráfico 2
Vítimas por faixa etária – 2007
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
A cor das vítimas foi citada por 4153 comunicantes. A cor parda prevaleceu em 43,66% dos casos, seguida de 37,49% da cor branca e 18,37% da cor negra. Verificando os dados das vítimas maiores de idade, é possível perceber que a variação de cor é pequena. As vítimas de cor parda totalizaram 41,01%, e as de cor branca, com 40,28%, um pequeno aumento se comparado ao total.
Gráfico 3
Vítimas por Cor – 2007
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
Verificando o banco de dados produzido, também foi possível aferir a ocupação em 3622 casos. Nesse aspecto, a categoria “estudante” foi a mais citada, sendo esta a ocupação principal de 34,62% vítimas. A categoria “outros” diz respeito a ocupações que foram efetivamente mencionadas pelos comunicantes, mas, no entanto, cada uma delas não chegou a 1% do total. A prevalência da categoria “estudante” é condizente com a faixa etária de maior concentração de vítimas, de 11 a 20 anos, já que se trata de idade escolar. A segunda categoria mais citada é a de “desempregado”, totalizando 10,61% das vítimas.
Em relação às vítimas maiores de idade (2505 casos), 75,49% possuem ocupação, sendo a categoria “aposentado” a mais citada (10,68% do total de ocupados), seguida por “estudantes” (9,31%) e “do lar” (9,04%).
Gráfico 4
Vítimas por Ocupação – 2007
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
A escolaridade das vítimas foi reportada em 3187 casos, a maior parte 43,18%, possui 1º Grau Incompleto (atual Ensino Básico). Observando o nível de escolaridade dos maiores de idade, predominou a categoria “1º Grau Incompleto”. A freqüência cai para 30,82%, enquanto a segunda categoria mais citada, “1º Grau Completo”, aumenta para 20,54%. É preciso destacar que a distribuição de alfabetizados ou não alfabetizados se mostra indiferente quando comparada ao grupo total de vítimas maiores de idade.
Vítimas por Escolaridade – 2007
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
O estado civil das vítimas segue a mesma lógica da faixa etária. Dos 3811 casos válidos, a maioria é solteira, com 71,14%. Em seguida vem a categoria “casado”, com 14,93%. Dentre os maiores de idade, o estado civil “solteiro” ainda apresenta prevalência, mas a discrepância entre as categorias é atenuada: 58,61% são solteiros, enquanto a proporção de casados aumenta para 22,31% e a de companheiros para 8,31%.
Vítimas por Estado Civil – 2007
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Fonte: ISP. Pesquisa sobre pessoas desaparecidas do estado do Rio de Janeiro em 2007, 2009.
A pesquisa tem consultoria especial do Doutor em ciências sociais, Gláucio Ary Dillon Soares. O professor possui graduação em Sociologia e Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1958), graduação em Direito pela Universidade Cândido Mendes (1957), mestrado em Direito - Tulane University (1959) e doutorado em Sociologia - Washington University at St Louis Mo (1965). Atualmente é pesquisador da Sociedade Brasileira de Instrução - SBI/IUPERJ. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Criminologia e em Sociologia Política, atuando principalmente nos seguintes temas: violência, homicídios, democracia e regimes ditatoriais.
A responsabilidade do projeto, designado pelo Presidente do ISP, Cel PM Mário Sérgio de Brito Duarte, é da Coordenadoria de Projetos da Instituição, chefiada pelo Doutor em medicina preventiva, Thales Pontes Luz. Além dele, também fazem parte da equipe a Delegada da polícia civil Edna Pinto de Araújo, a Perita Criminal da polícia civil, Lia Maria Loiola Galuzzio, a Mestranda em saúde coletiva, Eliane Santos da Luz, a Doutoranda em ciências políticas, Vanessa Campagnac da Silva Barros e o estagiário Márcio Alexandre da Mota Duarte. A previsão de término da pesquisa é de um ano.
Assessoria de Imprensa do Instituto de Segurança Pública – ISP
Tel: 2332-9690 Renata Fortes 8596-5244
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