ISP apresenta Dossiê Mulher 2010 em evento realizado no Cedim
ISP apresenta Dossiê Mulher 2010 em evento realizado no Cedim
Renata Fortes e Priscilla Diniz
21/05/2010 12:57h
Em cerimônia realizada na última quinta-feira, dia 20 de maio de 2010, no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou a Série Estudos 2 - Dossiê Mulher 2010 para uma plateia representativa.
O Vice-Presidente do Instituto de Segurança Pública, Cel PM José Motta de Souza, substituiu o Diretor-Presidente do ISP, Ten Cel PM Paulo Augusto Souza Teixeira, que não pôde comparecer ao evento, pois estava participando do III Fórum Nacional dos Gabinetes de Gestão Integrada (GGI), em Belém, no Estado do Pará. Cel Motta falou sobre a importância da publicação ao longo dos anos e apresentou a mensagem gravada do Ten Cel Teixeira.
Clique aqui e assista o vídeo do Diretor-Presidente do ISP - Ten Cel PM Paulo Augusto Souza Teixeira
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Organizadoras do Dossiê Mulher 2010: Capitã PM Claudia Moraes e a Socióloga Andréia Soares Pinto
Realizado com dados colhidos durante o ano de 2009, o dossiê, foi organizado pela Capitã PM Claudia Moraes, analista criminal do ISP, pela socióloga Andréia Soares Pinto, gerente de pesquisa do Instituto e pelo Diretor-Presidente Ten Cel PM Teixeira. Cabe ressaltar que a publicação apresenta apenas uma parte da realidade do Rio de Janeiro, pois muitas mulheres ainda sofrem caladas, sendo vítimas de violência doméstica.
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Autoridades compõem a mesa na apresentação do Dossiê Mulher 2010
Estiveram presentes à mesa de honra a Deputada Federal Cida Diogo, a delegada de Polícia Civil e Diretora da Divisão da Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM), Dra. Marta Rocha, o Vice-Presidente do Instituto de Segurança Pública, Cel PM José Motta de Souza, a Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), Dra. Cecília Teixeira Soares, e o Coordenador de Análise Criminal, Cel PM Robson Rodrigues da Silva, que representou o Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Cel PM Mário Sérgio de Brito Duarte.
A deputada federal Cida Diogo, que esteve presente ao evento, salientou a grande quantidade de mulheres vítimas que se sentem constrangidas em fazer os registros de ocorrências. Segundo ela, uma parceria entre os órgãos que realizaram o dossiê e a Secretaria de Saúde, permitiria maior abrangência dos registros e melhor capacidade em demonstrar a realidade das vítimas, já que muitas mulheres apenas procuram os hospitais e postos de saúde quando sofrem as agressões, não fazendo o registro da ocorrência.
Clique aqui e ouça a fala da deputada federal Cida Diogo
A apresentação dos dados foi feita pela Capitã Claudia Moraes. Como uma das organizadoras do Dossiê Mulher, ela esclareceu que, para demonstrar a realidade da violência contra a mulher no Estado, o primeiro contato com os dados ocorreu através dos registros coletados pela Polícia Civil. Através desses números, foi realizado um estudo especial a partir da DEAM-Centro, que atende pessoas de diversos bairros do Rio de Janeiro, o que permitiu estabelecer um perfil mais heterogêneo da amostra selecionada.
Dois assuntos foram aprofundados neste dossiê: o pedido de medidas protetivas às vítimas dos delitos e o perfil dos agressores e os históricos criminais destes. O estudo verificou que, dos 567 registros analisados da DEAM-Centro do ano de 2008, 43,9% dos acusados possuíam mais de um registro de violência praticados contra mulheres. Desses 249 acusados com mais de um registro, verificou-se que 166 praticaram outros delitos encontrados contra a mesma vítima da amostra inicial e 83 foram acusados por vítimas diferentes. O perfil das vítimas também foi analisado no Dossiê Mulher 2010.
Clique aqui para saber mais sobre as vítimas.
Os números apresentados mostram uma realidade alarmante: diariamente, 128 mulheres são vítimas de ameaça, sendo que, mais da metade (50,2%) tinham no companheiro ou ex-companheiro o provável autor desse delito; a média mensal de mulheres vítimas de tentativa de homicídio no ano de 2009 foi de 44 vítimas, e em 45,8% dos casos as vítimas conheciam os acusados.
Clique aqui e ouça a fala da Capitã da PM e Analista Criminal do ISP, Claudia Moraes
A delegada de Polícia Civil e Diretora da Divisão da Polícia de Atendimento à Mulher, Dra. Marta Rocha, ressaltou que os dados ajudarão no trabalho dos órgãos de segurança, pois novas providências e estratégias poderão ser tomadas a partir da análise dos mesmos. Alertou ainda que os números, nos próximos anos, devem aumentar em virtude de políticas públicas que têm sido feitas pelos órgãos competentes: “As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) estão fazendo com que as mulheres não tenham mais medo dos traficantes, medo de represália caso procurem uma delegacia. Dessa forma, elas estão se sentindo mais à vontade para fazer os registros, o que, consequentemente, acarretará em um aumento dos números.”
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Mesa composta pelas organizadoras e consultoras do Dossiê Mulher: Dra. Marta Rocha, Claudia Moraes, Andreia Soares e Dra. Cecília Teixeira Soares
Para a Dra. Cecília Teixeira Soares, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), a utilização das medidas protetivas é de grande importância, tendo em vista que o lar é o local que maior apresenta perigo para as vítimas de violência. Os ex-companheiros e maridos são geralmente os maiores agressores, e o momento da ruptura da relação é o de maior risco para as vítimas. “Elas não podem achar que a violência é normal, precisam denunciar, e é em cima disso que estamos trabalhando”, afirmou Cecília Teixeira.
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Um grande número de pessoas compareceu à apresentação do dossiê, entre elas, delegadas de DEAM’s, representantes de ONG’s , Conselhos Comunitários de Segurança e associações de defesa da mulher vítima de violência
Ao término do evento, o público participou da cerimônia fazendo perguntas e comentando o tema abordado.
Assessoria de Imprensa do Instituto de Segurança Pública – ISP
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