Instituto Vital Brazil lidera pesquisa sobre biodiversidade de altitude na Mata Atlântica e registra novas espécies

O Instituto Vital Brazil está à frente de um estudo que amplia o conhecimento científico sobre a fauna de regiões montanhosas da Mata Atlântica. Desenvolvida na região serrana do Rio de Janeiro, a pesquisa identificou espécies de anfíbios e répteis e apontou indícios da existência de organismos ainda não descritos pela ciência em uma área considerada estratégica para a conservação ambiental.


O levantamento foi realizado em um fragmento de cerca de 3.600 hectares no município de Nova Friburgo, em altitudes que variam entre 1.000 e 2.000 metros. A área estudada pertence ao próprio Instituto Vital Brazil e abriga nascentes que contribuem para o abastecimento hídrico da região, além de reunir condições ambientais específicas, com fauna adaptada a temperaturas mais baixas e alta umidade. Trata-se também de um espaço voltado à proteção de recursos hídricos.


A pesquisa foi conduzida pela Coleção Científica do IVB, responsável por coordenar a proposta, que recebeu financiamento do próprio instituto e de um edital de apoio financeiro da ONG SOS Mata Atlântica em parceria com instituições brasileiras. O estudo contou ainda com a colaboração de pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido.


O trabalho de campo incluiu 552 horas de levantamentos visuais, 960 dias de coleta com armadilhas de queda e cercas de deriva, além de registros oportunísticos.


Ao todo, foram identificados 317 espécimes, distribuídos em 37 espécies, sendo 21 de anfíbios e 16 de répteis squamata. Entre os anfíbios, foram registradas nove famílias, com 18 espécies endêmicas da Mata Atlântica e três restritas ao estado do Rio de Janeiro. No grupo dos répteis, foram identificadas cinco famílias, com nove espécies endêmicas do bioma.


Os dados apontam para a singularidade da fauna presente em áreas de altitude e indicam a necessidade de ampliar os estudos em regiões ainda pouco exploradas. Pesquisas associadas ao mesmo território já permitiram a descrição de novas espécies de peixes, incluindo uma nomeada em homenagem ao Instituto Vital Brazil. Há ainda indícios da existência de anfíbios que podem representar espécies inéditas.
 

O estudo também envolveu a formação de recursos humanos, com a participação de 13 estudantes nas atividades de campo. Pelo Instituto Vital Brazil, participaram os cientistas Breno Hamdan, Mariana Guimarães, Guilherme Jones Souza, Miguel Relvas Ugalde e Valeria Ferreira, além de outros pesquisadores e colaboradores de instituições parceiras.


A Mata Atlântica é um dos biomas mais impactados por atividades humanas, como desmatamento e expansão urbana. Espécies de anfíbios e répteis estão entre as mais sensíveis a essas alterações, sobretudo em ambientes de altitude e dependentes de recursos hídricos.


Os resultados do estudo fornecem dados que podem orientar ações de conservação e subsidiar o planejamento ambiental. A continuidade de pesquisas na região é considerada essencial para aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade local e apoiar iniciativas voltadas à preservação dos ecossistemas.

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