Halloween: conheça algumas lendas sobre as serpentes

Muito antes das lendas envolvendo Halloween desembarcarem no Brasil, as serpentes já assombravam nosso folclore. Elas sempre ocuparam um lugar de destaque no imaginário popular brasileiro, sendo protagonistas de inúmeras lendas e mitos que atravessam gerações, principalmente no interior. Por isso, o Instituto Vital Brazil separou um especial em alusão ao Dia das Bruxas, algumas das principais histórias e crenças populares sobre essas criaturas para esclarecer o que é fato e o que é ficção.


Entre as lendas mais conhecidas está a da Boiúna, ou Cobra Grande, uma serpente gigantesca que, segundo relatos da região amazônica, habitaria rios e lagos, capaz de afundar embarcações e engolir pessoas. Essa figura mitológica, que em algumas versões pode assumir forma humana para atrair vítimas, simboliza o medo do desconhecido e o respeito às forças da natureza, sendo uma forma de alerta às pessoas que navegam ou vivem próximas das águas. Embora sua existência não tenha comprovação, a Boiúna permanece viva no folclore e na cultura popular da região.


Outra história muito presente no imaginário amazônico é a dos irmãos gêmeos Norato e Maria Caninana, personagens do folclore que simbolizam, respectivamente, o bem e o mal. Norato é retratado como uma figura protetora e bondosa, enquanto Maria Caninana é temida pela perversidade e agressividade causando naufrágios e destruição. Em algumas versões, ambos seriam filhos de uma indígena e com boto, noutra seriam filhos da própria Boiúna. Essas narrativas refletem a relação profunda dos povos ribeirinhos com o ambiente natural e carregam simbolismos que vão além da simples superstição.


A caninana (Spilotes pullatus), inclusive, é popularmente ligada à muitas histórias, como a de que ela persegue pessoas ou rouba leite de vacas. Na realidade, trata-se de uma espécie não peçonhenta, que se alimenta de pequenos mamíferos, aves e répteis, e que evita o contato humano, reagindo apenas quando se sente ameaçada. Esses mitos reforçam o desconhecimento e o medo que cercam a convivência com esse animal.
 

Além dessas histórias, há outros mitos bastante difundidos pelo país, como o de que a jiboia (Boa constrictor) bebe leite ou invade quartos de mães em amamentação, o que é biologicamente impossível, pois esses répteis não possuem fisiologia para consumir leite. Também circula a ideia exagerada de que sucuris engolem bois inteiros, quando, na verdade, elas caçam animais de porte compatível com seu tamanho. Por vezes, ainda é comum a crença de que as serpentes perseguem humanos por vingança, o que não corresponde à realidade; e que todas as cobras são venenosas ou que possuem poderes. Como é o caso da cascavel (Crotalus durissus), que supostamente poderia hipnotizar suas presas com o chocalho.


Esses mitos persistem por diversas razões, entre elas o medo natural e o desconhecimento, a tradição oral que transmite essas histórias, a necessidade simbólica de explicar fenômenos naturais e os exageros presentes em relatos reais que acabam se transformando em narrativas fantásticas.


A ciência, por sua vez, destaca a importância das serpentes para o equilíbrio dos ecossistemas, atuando no controle de populações de roedores e contribuindo para a saúde ambiental. A maioria das espécies brasileiras não representa risco significativo para o ser humano, desde que haja respeito e cuidado na convivência.


O Instituto Vital Brazil reforça a importância de ações simples para promover uma convivência segura e harmoniosa com as serpentes. Evite provocar ou tentar capturá-las, mantenha ambientes limpos para não atrair roedores, busque conhecer as espécies peçonhentas da região e acione órgãos ambientais especializados quando necessário.
 

Foto: Edson Taciano/IVB

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