Cascavel (Crotalus durissus)
Nome vulgar: Cascavel, boicininga, maracambóia
Nome científico: Crotalus durissus
Tamanho médio: 1,6 metros
Dentição: Solenóglifa
Alimentação: Mamíferos
Reprodução: Vivípara
Hábito: Noturno
Habitat: Terrestre
Distribuição geográfica: Crotalus durissus é encontrada em todas regiões do Brasil, e somente dois estados não possuem registros da serpente: Acre e Espírito Santo. É comum encontrá-las em campos, cerrados e caatingas.
A cascavel é uma serpente conhecida por seu comportamento característico. Sendo facilmente reconhecida pela presença de um chocalho na extremidade de sua cauda, servindo como mecanismo de defesa. Esse chocalho é composto por uma série de guizos que se formam à medida que a serpente cresce e passa por mudas, mas é importante frisar que o número de guizos não reflete a idade exata da serpente. Os guizos das cascavéis mais velhas, inclusive, podem quebrar com o tempo.
Sintomas de envenenamento: A picada da cascavel pode não deixar uma lesão visível imediata no local da mordida. Os sintomas geralmente incluem flacidez nos músculos faciais, visão dupla ou turva, náuseas, vômitos, suor excessivo, sensação de mal-estar, sonolência ou inquietação, dores musculares intensas, urina escura e, em casos graves, insuficiência renal aguda, além de alteração no tempo de coagulação sanguínea.
Ação do veneno: O veneno da cascavel é complexo, contendo componentes neurotóxicos, miotóxicos e coagulantes, que afetam o sistema nervoso, os músculos e a coagulação sanguínea, podendo levar a complicações graves, como o colapso renal.
Tratamento: O soro utilizado no tratamento do envenenamento é o Anticrotálico (SAC) ou o Antibotrópico-crotálico (SABC), dependendo de decisão médica.
Coral Verdadeira (Micrurus spp)
Nome vulgar: Coral, coral-verdadeira
Nome científico: Micrurus spp. (diversas espécies)
Tamanho: Em média, de 40 cm a 80 cm
Dentição: Proteróglifa
Alimentação: principalmente outras serpentes
Reprodução: Ovípara
Hábito: Fossorial
Habitat: Subterrâneo
Distribuição geográfica: Espécies de corais são encontradas em todo Brasil
A cobra coral verdadeira é colorida e intensa, muitas espécies com anéis vermelhos, pretos e brancos ou amarelos dispostos em padrões diversos, mas o padrão de coloração varia conforme a espécie, inclusive podendo nem ter anéis. Desta forma, o colorido não é uma característica a ser considerada para identificação do gênero, visto que espécies de falsas corais podem ter colorido bem semelhante por serem miméticas.
Ao contrário de muitas outras espécies de serpentes, as corais são dificilmente vistas, pois possuem hábitos fossoriais, passando grande parte de sua vida enterradas ou escondidas sob folhagens.
Sintomas de envenenamento: A picada de uma coral pode ser inicialmente assintomática ou com dor local discreta. Com o avanço do envenenamento, podem surgir sintomas como dificuldade respiratória, paralisia muscular, principalmente nos músculos respiratórios, alteração na pressão arterial e em casos graves, insuficiência respiratória e parada cardíaca. Apesar da gravidade do veneno, a taxa de mortalidade é baixa em função do comportamento do animal e de sua dentição, desde que haja tratamento adequado em tempo hábil.
Ação do veneno: O veneno das corais é predominantemente neurotóxico, levando a paralisias e complicações respiratórias, dependendo da gravidade do envenenamento.
Tratamento: O soro recomendado para o tratamento do envenenamento por coral é o Antielapidico. A rápida administração do soro é crucial para a recuperação.
Jararaca (Bothrops jararaca)
Nome vulgar: Jararaca, jararaca preguiçosa
Nome científico: Bothrops jararaca
Tamanho: De 1 a 1,5 metro
Dentição: Solenóglifa
Alimentação: Mamíferos, aves e anfíbios
Reprodução: Vivípara
Hábito: Noturno
Habitat: Terrícola e arbórea
Distribuição geográfica: Comum no sudeste e sul do país, podendo se estender para o centro-oeste e nordeste até a Bahia. Ocorre em áreas de mata, cerrado e proximidades urbanas.
A jararaca é uma das serpentes mais conhecidas e também uma das espécies responsáveis por grande parte dos acidentes ofídicos no Brasil. Embora seja encontrada principalmente em matas e regiões com vegetação tropical, ela demonstrou grande capacidade de adaptação a ambientes urbanos, sendo frequentemente vista em áreas periféricas das cidades, especialmente onde há proximidade com terrenos mais naturais, como quintais, parques e beiras de rios. A jararaca é uma serpente vivípara que prefere ambientes úmidos, como margens de rios e córregos, onde há abundância de alimento, como roedores e sapos, que constituem sua dieta principal. Durante o dia, ela se refugia em locais protegidos, como pilhas de folhas secas, onde permanece imóvel, camuflada, aguardando a noite para sua atividade de caça.
Sintomas de envenenamento: O veneno da jararaca é altamente tóxico e pode causar sintomas variados. Inicialmente, pode ocorrer dor intensa no local da picada, seguida de inchaço, formação de equimoses (manchas roxas) e necrose. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, dificuldade respiratória, colapso circulatório, sangramentos espontâneos e, em casos mais graves, insuficiência renal aguda e choque hemorrágico.
Ação do veneno: O veneno da jararaca é uma mistura de toxinas hemotóxicas, que causam destruição de tecidos e coagulação sanguínea anormal, além de efeitos sistêmicos que podem afetar órgãos vitais como rins e pulmões.
Tratamento: O tratamento para envenenamento por jararaca envolve a administração de soro antibotrópico, antibotrópico-crotálico ou antibotrópico-laquético, dependendo do caso.
Jararacuçu (Bothrops jararacussu)
Nome vulgar: Jararacuçu, jararaca-grande, patrona
Nome científico: Bothrops jararacussu
Tamanho: Pode atingir até 2 metros de comprimento
Dentição: Solenóglifa
Alimentação: Mamíferos, aves e anfíbios
Reprodução: Vivípara
Hábito: Noturno
Habitat: Terrícola
Distribuição geográfica: Do Sul da Bahia até o Rio Grande do Sul.
A Bothrops jararacussu, é uma serpente que pode atingir até 2 metros de comprimento. Seu nome tem origem na língua tupi-guarani, que significa “jararaca grande”. A espécie tem dimorfismo sexual, ou seja, há diferença entre os sexos. As fêmeas são maiores que os machos e claramente diferentes na coloração: Os machos são de coloração cinza e preto é cinza e as fêmeas são de coloração amarela e preta. Sua dieta é composta principalmente por pequenos mamíferos, aves e anfíbios, que ela captura com ajuda de sua habilidade de camuflagem e de ataques rápidos.
Sintomas de envenenamento: O envenenamento por jararacuçu se manifesta da mesma maneira que da jararaca. Contudo, é mais potente - o veneno afeta o sistema circulatório, levando à hipotensão (pressão arterial baixa), insuficiência renal aguda e choque hemorrágico. A vítima pode também apresentar dificuldades respiratórias, náuseas, vômitos e dor abdominal intensa.
Ação do veneno: O veneno da jararacuçu é predominantemente hemotóxico, contendo enzimas e proteínas que causam a destruição dos vasos sanguíneos e dos tecidos próximos à área atingida. Além disso, o veneno possui propriedades anticoagulantes e hemorrágicas, que podem resultar em sangramentos internos graves.
Tratamento: O tratamento do envenenamento por jararacuçu envolve a administração do antibotrópico e antibotrópico-crotálico, além de cuidados médicos intensivos, como o controle de sinais vitais e, se necessário, transfusões de sangue. A intervenção rápida é essencial para reduzir os riscos de complicações fatais e melhorar as chances de recuperação.
Surucucu pico de jaca (Lachesis muta muta e Lachesis muta Rhombeata)
Nome vulgar: Pico de Jaca, surucutinga, surucucu de fogo
Nome científico: Lachesis muta e Lachesis rhombeata
Tamanho: Pode ultrapassar 4 metros de comprimento
Dentição: Solenóglifa
Alimentação: Mamíferos, aves e répteis
Reprodução: Ovípara
Hábito: Noturno
Habitat: Florestas tropicais e matas primárias
Distribuição geográfica: Encontrada nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
A diferença entre Lachesis muta e Lachesis rhombeata está na distribuição geográfica e em pequenas características morfológicas. A Lachesis muta pode ser encontrada na região amazônica, enquanto Lachesis rhombeata reside pela Mata Atlântica - tendo sido recentemente elevada ao status de espécie separada.
Comparando essas duas espécies, Lachesis rhombeata tem menor número de escamas no ventre e uma faixa preta mais larga após o olho. Lachesis muta, por sua vez, possui mais escamas no ventre, faixa preta após o olho mais fina, e geralmente apresenta um comprimento maior (em média 1,9 metro) com a cabeça e a cauda ligeiramente maiores. Ao contrário de outras serpentes venenosas brasileiras, a surucucu é ovípara. Essa característica reprodutiva é uma das diferenças notáveis em relação a outras espécies de viperídeos no Brasil. A surucucu habita principalmente matas primárias e florestas tropicais densas, sendo uma serpente bastante adaptada a ambientes com alta umidade. Sua dieta consiste em pequenos mamíferos, aves e até mesmo répteis, que ela captura com sua habilidade de camuflagem e ataques rápidos.
Sintomas de envenenamento: O veneno da surucucu é extremamente potente e pode causar sintomas como dor intensa no local da picada, inchaço, necrose tecidual, dificuldade respiratória, queda da pressão arterial, hemorragias internas e insuficiência renal aguda. Caso não seja tratado de forma rápida e eficaz, o envenenamento pode ser fatal.
Ação do veneno: O veneno da surucucu é composto por toxinas hemotóxicas, causando a destruição dos tecidos e vasos sanguíneos próximos à picada. Além disso, ele pode causar distúrbios de coagulação sanguínea e danos aos órgãos vitais, como os rins, devido à sua ação necrótica.
Tratamento: O tratamento de envenenamento por surucucu envolve a administração urgente do soro antibotrópico-laquético, além de cuidados médicos intensivos para monitorar e tratar complicações, como insuficiência renal e distúrbios circulatórios.