Números de acidentes de trânsito no Rio mantêm a tendência de aumento
Números de acidentes de trânsito no Rio mantêm a tendência de aumento
Renata Fortes e Mariana Miranda
31/10/2012 15:58h
O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulga hoje (31.10.12) pelo segundo ano consecutivo, um relatório sobre os acidentes de trânsito ocorridos no Estado. Em 2011, foi contabilizado um total de 2.512 vítimas fatais e 46.734 vítimas não-fatais de acidentes de trânsito. Já em 2010, foram 2.400 vítimas fatais e 42.845 não-fatais. O aumento do número de vítimas no trânsito veio acompanhado da elevação, também, da frota de veículos automotores nos últimos anos. Em 2010, o total do número de veículos no Estado do Rio de Janeiro era de 4.992.233 e, em 2011, passou para 5.327.652 – um acréscimo de 335.419 automóveis.
Em termos de taxas, esses números também sofreram aumentos. Em 2010, os dados se traduzem em 15 mortes e 268 lesões causadas em acidentes de trânsito para cada grupo de 100 mil habitantes. Considerando a frota de veículos do Estado, seriam 5 mortes e 86 lesões para cada 10 mil veículos. Já em 2011, foram 16 mortes e 289 lesões cada 100 mil habitantes. Ao analisar a frota de veículos, seriam 5 mortes e 88 lesões para cada 10 mil veículos.
O Dossiê Trânsito 2012 usa como fonte a base de dados de registros de ocorrências da Polícia Civil no ano passado. Com este relatório, o ISP visa contribuir para a formulação de políticas públicas que reduzam as vítimas de acidentes de trânsito, possibilitando assim apresentar a situação dos números de acidentes/vítimas no trânsito, e a sua evolução frente a anos anteriores.
No Dossiê, foram analisadas duas classes de ocorrências, denominadas “Lesão Culposa de Trânsito” e “Homicídio Culposo no Trânsito”. Para ambos os delitos, alguns tipos de acidentes, como atropelamentos, colisões e capotagens foram incluídos. Levou-se em consideração, nesses casos, o total de pessoas vitimizadas. No entanto, para as análises das principais características dos acidentes foram considerados os totais de ocorrências ao invés do total de vítimas, uma vez que a mesma ocorrência pode conter mais de uma vítima e, assim, duplicar a informação.
O trabalho apresenta ainda a situação dos últimos anos das vítimas no trânsito, atentando para os possíveis efeitos da aplicação da Lei 11.705/2008 – Lei Seca, que visa coibir o uso de bebida alcoólica e de substancias psicoativas durante a condução de veículos.
Diante disso, é possível dizer que os números encontrados sugerem a necessidade de atenção para grupos etários especificamente vulneráveis, formados por pessoas idosas e crianças e adolescentes.
Informações que merecem destaque no Dossiê Trânsito:
- Vítimas Fatais - Em 2008, foram 2.753; em 2009, foram 2.373; em 2010, 2.400 vítimas, e em 2011, esse número aumentou para 2.512. Já com relação aos acidentes com vítimas não-fatais (lesão culposa de trânsito), os números foram: em 2008, 40.849 vítimas; em 2009, 41.227; em 2010, 42.845; e em 2011, o número aumentou para 46.734 vítimas não-fatais.
- Algumas características [horário, dia da semana, mês e locais (por Áreas Integradas de Segurança Pública – AISP – e circunscrição de delegacias)] de acidentes de trânsito foram analisadas:
- Quanto aos períodos do dia com maior incidência de acidentes, despontam os turnos da tarde e da noite, com 32,6% e 30,0% das ocorrências, respectivamente. Já na especificação por horário, a faixa mais crítica é entre 17 horas e 19 horas (19,3%).
- Em relação à distribuição espacial das vítimas, foram calculadas taxas por 10.000 habitantes e por frota de 1.000 veículos, a fim de relativizar o número de vítimas. Em 2011, em números absolutos, a capital do Rio de Janeiro foi a área que concentrou o maior número de vítimas de Homicídio Culposo de Trânsito (691 vítimas, de um total de 2.512 no Estado). Já por taxa de 10.000 habitantes, a AISP 36 foi a mais crítica (4,33) e, por taxa por frota de 1.000 veículos, destacou-se a AISP 33 (1,53). Em relação às vítimas de Lesão Culposa de Trânsito, também foi a capital que apresentou o maior número absoluto de pessoas vitimizadas (22.383 vítimas, de um total de 46.734 no estado). Já por taxa de 10.000 habitantes, a AISP 25 foi a área que mais se sobressaiu (37,18) e, por taxa por frota de 1.000 veículos, a AISP 33 obteve a maior taxa (12,93).
- Foi realizada, ainda, uma análise mais específica sobre os locais que concentraram os maiores números de vítimas de acidentes de trânsito no município do Rio de Janeiro, com base na distribuição dessas vítimas por logradouros. Em 2011, as vias mais críticas foram: Avenida Brasil (2.307 vítimas); Avenida das Américas (826 vítimas); e Avenida Presidente Vargas (460 vítimas). Juntas, as três concentraram 15,6% do total de vítimas registradas na capital no ano passado.
- Os crimes ainda foram divididos por tipos de acidentes: atropelamentos, capotagens, colisões, quedas do/no interior do veículo e outros. Em 2011, das 34.723 ocorrências de acidentes de trânsito registradas no Estado do Rio de Janeiro, 29,6% foram por colisão; 19,8% por atropelamento; 5,5% por queda do/no interior do veículo; 1,1% por capotagem; e 43,9% foram ocasionados por outros tipos.
- Sobre o perfil das vítimas, vale destacar que os homens são a maioria dos vitimizados (60,6%). Além disso, a faixa etária mais atingida da população é a de 25 a 34 anos (21,0%).
- As principais vítimas de atropelamentos são as crianças e adolescentes (de 0 a 17 anos), e os idosos, que correspondem a 28,1% e 25,8% respectivamente. É possível dizer que grupo de 6 a 11 anos é o que apresenta maior percentual de vítimas de atropelamento, com 35,8%. As mortes por atropelamento apresentam maiores percentuais nas faixas etárias de 6 a 11 anos (38,5%) e de 60 anos ou mais (42,0%), ou seja, principalmente crianças e idosos;
- Nas colisões, o maior percentual de vítimas encontra-se nas três faixas etárias de 18 a 24, de 25 a 34 e de 35 a 44 anos, com 39,5%, 40,0% e 37,0%, respectivamente. Os homens (37,3%) se destacam em relação às mulheres (28,6%) como vítimas preferenciais;
- O atropelamento é o tipo mais frequente de causa de morte de mulheres no trânsito (27,2%), seguido pela colisão (21,1%). Quanto às vítimas do sexo masculino, como causa, primeiramente, há as colisões (26,2%), e em seguida, os atropelamentos (23,3%);
- A queda no ou do interior de veículo é um evento mais frequente para o grupo de pessoas com 60 anos ou mais, com 13,0%. Observa-se que, entre as mulheres vítimas, há um percentual significativo (9,0%), quando comparado ao percentual de homens vítimas do mesmo evento (1,6%);
- As capotagens, apesar de numericamente menores quando comparadas aos outros tipos de acidentes, assumem percentual significativo para o grupo de vítimas fatais de 0 a 5 anos (5,9%). Nesse caso, vale ressaltar a razão e a importância de se impor regras de segurança para a condução de crianças em veículos, com a utilização do dispositivo de retenção para o transporte infantil em veículos (uso da cadeirinha).
- É possível identificar maior concentração de ocorrências em determinadas vias e o deslocamento de foco para áreas críticas mais distantes da capital, como é o caso da circunscrição da 35ª DP (Campo Grande). Esses resultados mostram que, apesar da extensão territorial das circunscrições de DP e AISP, é possível distinguir alguns pontos mais críticos dos acidentes de trânsito, destacando, assim, localizações onde ações e planejamentos podem ser priorizados.
Ao publicar o Dossiê Trânsito 2012, o Instituto de Segurança Pública cumpre papel relevante ao produzir o estudo, dando contribuição para subsidiar políticas públicas e campanhas educativas de trânsito e que também possibilite a reunião de informações relevantes aos diferentes segmentos da sociedade.
Essas e outras informações referentes ao Dossiê Trânsito 2012 já estão disponibilizadas, na íntegra, no site do ISP - www.isp.rj.gov.br (publicações / série estudo) ou clique aqui.
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