REDE DE MONITORAMENTO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
REDE DE MONITORAMENTO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Se há 10 anos técnicos e acadêmicos fossem perguntados sobre quais seriam seus principais desafios no desenvolvimento de estudos relacionados a desastres ambientais, a resposta certamente seria a falta de uma rede detalhada de informações que representasse a natureza no seu estado atual e passado. Ou seja, o fator limitante não era o conhecimento científico sobre o assunto, mas os dados primários que os permitissem aplicar tal conhecimento.
Esta realidade se inverteu nos últimos anos. No Rio de Janeiro pós-desastre de 2011, por exemplo, existem instalados centenas de pluviômetros e estações hidrológicas, fora as estações meteorológicas completas com históricos mais longos de dados que permanecem em atividade. O novo desafio então está em como tirar o melhor proveito de tantas informações disponíveis.
Um dos primeiros obstáculos no uso dos dados está na reunião das informações. Uma vez que o pesquisador consiga identificar todas as instituições dotadas de redes observacionais e tenha acesso aos dados disponíveis, o que por si só já é uma grande empreitada, se deparará com uma realidade onde cada instituição possui sua rede de equipamentos, com especificações técnicas distintas, disponibilizados em plataforma e formato próprios, com diferentes frequências de envio.
A necessidade de reunir dados gerados por diferentes instituições em uma única plataforma foi percebida pela Agência Nacional de Águas – ANA – em 2005, com a operacionalização do sistema Hidro. Nele, os órgãos geradores de informações hidrometeorológicas são responsáveis pelo cadastro dos pontos de monitoramento existentes, período de coleta de dados e tipo de informação gerada, além de disponibilizarem as séries de dados históricos brutos e consistidos. Outros sistemas complementares vieram nos anos seguintes e possibilitaram sincronizar em tempo real dados de diferentes instituições dotados de telemetria.
Para as centrais hidrelétricas licenciadas pela ANEEL o compartilhamento das informações hidrometeorológicas com a ANA já é uma obrigação, estabelecida em resolução conjunta desde 2010. Mas a cultura do compartilhamento deveria se estender aos níveis estadual e municipal, sendo a força do licenciamento ambiental um instrumento poderoso para tal.
Outra ação da ANA ainda em curso que deverá aumentar a confiabilidade dos pesquisadores nas séries de dados disponíveis é a criação da Rede Hidrometeorológica Nacional de Referência. Neste projeto foram analisados espacialmente todos os locais do Brasil onde há interesse da União em manter uma série histórica de dados hidrometeorológicos com o mínimo de falhas. Os pontos resultantes foram sobrepostos à camada da rede existente, possibilitando a identificação dos locais de referência que já são monitorados, dos pontos prioritários que necessitam receber novos equipamentos, e ainda dos locais monitorados onde não há interesse federal na série de dados, o que demandará uma busca por instituições (entes estaduais, municipais, ou setor elétrico) que tenham interesse em manter esses equipamentos.
Haverá possivelmente uma redução dos locais monitorados pela ANA, o que possibilitará maior frequência de manutenções e campanhas para levantamentos de dados de campo nos locais considerados prioritários.
O Rio de Janeiro está no caminho de seguir o exemplo federal. Usando o Plano Estadual de Recursos Hídricos (2014) como guia, e tendo em mãos mapas de vulnerabilidade a inundações e diversas demandas por monitoramento encaminhadas especialmente pelos municípios, o INEA atualiza o Plano de Readequação da Rede Hidrometeorológica pelo menos a cada 2 anos. Neste processo, é a feita análise espacial de todas as fontes de dados confrontando-as com as demandas por monitoramento, sendo possível identificar as lacunas, reduzir seções de monitoramento coincidentes com redes de instituições parceiras e canalizar recursos para a expansão da rede em locais prioritários.
Sabe-se que há redundância em locais monitorados, ao passo que regiões mais remotas são cobertas por redes de monitoramento aquém do recomendado pela Organização Meteorológica Mundial – OMM – que define uma densidade mínima de estações para cada tipo de terreno.
Por fim, a integração das redes deve passar ainda passa pela definição do ente nacional responsável por centralizar as informações e disponibilizá-las para o público, guardando as condições de redundância necessária de infraestrutura, lógica e energia.
É possível observar que há diversidade de coleta de informações, mas não há centralização dos dados em plataforma única, ou dos esforços de gestão das redes, o que dificulta a construção de Planos de Expansão, o uso dos dados por parte da academia e mesmo em cálculos de projetos. Desta maneira, é importante criar um sistema capaz de integrar em tempo real as informações de diferentes fontes. O sistema deve conter ferramentas para cadastro das estações, pré-qualificação dos dados e consistência das séries históricas, com facilidade para extrair as séries consistidas e consolidadas a fim de estimular a comunidade científica a utilizar as informações em estudos futuros, ampliando o leque de finalidades da informação gerada.
A integração desejada entre agências estaduais passa não somente pela integração dos dados mas também pelo planejamento conjunto das ações de monitoramento, com o objetivo de orientar instituições com pouco histórico de observação meteorológica e/ou sem corpo técnico especializado na área a observar a rede existente antes de definir locais para novos pontos de monitoramento, conforme a finalidade deste novo ponto, os locais disponíveis para instalação, a qualidade dos equipamentos escolhidos, as possíveis fontes de erros, as incertezas envolvidas com as medidas obtidas, a rotina de manutenção preventiva e corretiva necessárias, o método de telemetria, a infraestrutura necessária para recepção, armazenamento e pós processamento dos dados, e o compartilhamento das informações com as comunidades operacional e científica.
Foi feito um levantamento das fontes disponíveis de informações hidrometeorológicas no estado do Rio de Janeiro, considerando a redes telemétricas das instituições: Agência Nacional de Águas (ANA), Setor Elétrico, Instituto Estadual do Ambiente (INEA), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN-RJ) e Prefeitura do Rio de Janeiro; além das redes telemétrica e convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); que somam 637 estações operacionais no Estado.