"Chuva de Aranha" em São Tomé das Letras: entenda o fenômeno

Na última semana, o município de São Tomé das Letras, no interior de Minas Gerais, ganhou notoriedade pela curiosa “chuva de aranha”, fenômeno que deixou moradores impressionados ao verem centenas de aracnídeos no ar. O episódio gerou grande repercussão nas redes sociais, mas, apesar da aparência assustadora, trata-se de um evento natural explicável e recorrente em algumas regiões.

Nosso biólogo e Coordenador da Divisão de Artrópodes, Cláudio Maurício, esclarece os detalhes desse fenômeno que tem surpreendido a população. Segundo ele, o que foi visto em São Tomé das Letras não é exatamente uma "chuva", mas sim o comportamento coletivo de um grupo de aranhas.

“Entre as aranhas, podemos observar diferentes tipos de comportamento em relação à convivência social. Existem espécies nômades, que não toleram a proximidade de outras, e também há aranhas canibais, que se atacam ao entrarem em contato. No entanto, em algumas espécies, há uma colaboração entre os indivíduos, formando grandes aglomerados. No caso do vídeo que circulou, estamos vendo um grupo de aranhas que, ao contrário do que se pensa, não estão caindo das nuvens, mas sim formando uma grande teia coletiva. Esse comportamento pode ser uma resposta a mudanças climáticas, como vimos em outros casos na natureza, como as grandes teias de aranhas observadas nas enchentes do Rio Grande do Sul. Quando há alterações no ambiente, como mudanças de temperatura ou desastres naturais, as aranhas podem criar essas grandes teias como uma estratégia de sobrevivência”, explica o biólogo.

Apesar de ser um evento incomum, a manifestação observada em Minas Gerais faz parte de um padrão natural de comportamento de certas espécies de aranhas. Portanto, embora o cenário seja impressionante e, para muitos, até mesmo assustador, ele não representa nenhum perigo à população.

Entenda o Fenômeno:

  • O que ocorre é um comportamento coletivo de aranhas gregárias, que se agrupam em uma teia coletiva.
  • Essas teias podem ser permanentes ou temporárias, dependendo da espécie.
  • O fenômeno pode ser desencadeado por alterações climáticas ou outros fatores ambientais.
  • Apesar da aparência "inusitada", o fenômeno é natural e já foi registrado em outras partes do mundo.

Foto: Edson Taciano/IVB

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