A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) viabilizou, na última semana, um passeio pedagógico a Paquetá para alunos da Escola Municipal Professor Escragnolle Dória, localizada em Costa Barros. Ao todo, 27 estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental tiveram uma experiência inédita para quase todos: a travessia de barca pela Baía de Guanabara em direção à ilha.
Com o tema “Caminho das Águas, vivência em Paquetá”, a atividade, promovida pela Associação Selvagem por meio do Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), proporcionou uma experiência pedagógica territorializada, articulando educação ambiental, memória social, patrimônio cultural e saberes ancestrais.
-O transporte aquaviário, que completa em outubro 191 anos de história, integra a memória viva do Rio de Janeiro. Neste passeio, a barca garantiu não apenas a mobilidade dos estudantes, mas também foi a ponte para uma atividade de pertencimento, educação e contato com a história da cidade. A iniciativa reforça o compromisso da Setram com a mobilidade e a educação - destacou a secretária de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem.
De acordo com Veronica Pinheiro, coordenadora do LAS, para grande parte dos alunos, essa também foi a primeira experiência em um passeio pedagógico fora do ambiente escolar. A expectativa da atividade mobilizou grande entusiasmo entre as crianças, especialmente pela possibilidade de conhecer de perto as águas da Baía de Guanabara a partir de uma experiência coletiva, sensível e educativa.
-Mais do que realizar um passeio pedagógico, o passeio abriu uma fresta para que elas percebessem que a cidade também canta, respira e guarda memórias nas águas. Ao longo da travessia, muitas crianças viram o mar de perto pela primeira vez, andaram de barca pela primeira vez e descobriram que aprender também pode acontecer caminhando, escutando o vento, cantando coletivamente e observando os movimentos da maré. A experiência nasceu do desejo de aproximar escola, território e ancestralidade, permitindo que as crianças reconhecessem a Baía de Guanabara não apenas como paisagem, mas como corpo vivo atravessado por histórias, cantos, dores e encantamentos- destacou.
Entre as atividades desenvolvidas estão a caminhada cantada até o Parque Natural Municipal Darke de Mattos, vivências práticas de observação do território, escuta, brincadeiras, música e atividades artísticas, além de momentos de convivência e aprendizado coletivo.
-Eu não dormi, porque fiquei com medo de perder a hora de ir para escola - disse Maxwel Reis, de 8 anos, antes de embarcar na aventura.
Já em terra firme, quem também demonstrou muito entusiasmo com o passeio foi Lázaro Bernardo, da mesma idade.
-Tia, aqui faz silêncio e é tão bonito. Estamos no Egito? - questionou.
Após o passeio, os estudantes vão desenvolver registros pedagógicos e artísticos relacionados à experiência, incluindo desenhos e conversas coletivas, de forma a transformar as vivências do território e do ecossistema em narrativas visuais e sensíveis.