No Dia Nacional da Adoção, Governo do Estado celebra histórias reescritas por meio do programa Um Lar Para
Com incentivo a adoção tardia, a iniciativa já contribuiu para que mais de 800 crianças e adolescentes pudessem recomeçar suas vidas
Afeto, acolhimento e um novo começo, foi o que o Bombeiro Militar da reserva remunerada, Reinaldo Faria de Soares, proporcionou a oito irmãos, quando decidiu adotá-los por meio do programa Um Lar Para Mim. A iniciativa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, incentiva servidores públicos estaduais (ativos e inativos) à adoção de crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente, promovendo o direito à convivência familiar e à construção de novos vínculos afetivos e sociais.
Movido pelo desejo de adotar, Reinaldo foi apresentado ao programa por colegas do Corpo de Bombeiros. Em 2014, ele, a esposa, Ana Cristina, e a filha, Isabel, visitaram um lar de acolhimento temporário, dando início ao primeiro processo de adoção.
– Nossa família conheceu Gabriel e Isabela primeiro. Quando fomos buscá-los, estavam chorando e agarrados a Maria Rita e Mateus. Não queriam deixá-los. Eram quatro vidas que já carregavam marcas do abandono.
Segundo Reinaldo, enquanto aguardava na justiça para obter a guarda definitiva das quatro crianças, ele recebeu a notícia de que havia mais duas em outro lugar.
– Mariana, de 2 anos, e Maria Eduarda, a Duda, com apenas 1 ano e 3 meses estavam acolhidas temporariamente. Aquela família estava em pedaços espalhados pela cidade, como se cada coração estivesse guardado em uma caixa diferente – contou o bombeiro. – Olhei para minha esposa e vi nos olhos dela o choque, e a compaixão. E dentro de mim, eu me perguntava se tinha forças, se conseguiria adotar todos.
Novos desafios e começos
Após obter a guarda definitiva dos seis irmãos, um novo capítulo surgia para Reinaldo e sua família: mais duas crianças estavam acolhidas institucionalmente. Após um longo processo judicial, Daniel e Isaque se juntaram à família em 2023. Naquele ano, os Soares, que já eram em 9 pessoas, ganharam mais dois membros e se tornaram 11.
– Ser pai ou mãe é um dos maiores atos de coragem. Vivemos inúmeros desafios e, ao mesmo tempo, algo que nenhum dado consegue medir: a reescrita do destino de crianças que, estatisticamente, tinham poucas chances de encontrar uma família, especialmente, por serem irmãos e, em grande parte dos casos, já não serem bebês – disse Reinaldo.
Inclusão, pertencimento e auxílio financeiro
Instituído em dezembro de 2000, o programa um Lar Para Mim consolidou-se como uma importante ferramenta de transformação social e proteção infantojuvenil. Além de assegurar auxílio financeiro mensal para o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes adotados até que completem 21 anos – podendo o benefício ser prorrogado até os 24 anos, caso o adotando esteja cursando ensino superior; a iniciativa também promove inclusão e pertencimento.
– Ao promover a adoção tardia e oferecer suporte às famílias, o Estado não apenas garante segurança, mas constrói autoestima, pertencimento e um futuro digno. É um programa que já tem mais de vinte anos e que deve ser sempre fortalecido – afirmou o secretário da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Anderson Coelho.
Atualmente, 460 crianças e adolescentes permanecem cadastrados no programa que, desde 2024, é coordenado pela Subsecretaria da Criança e do Adolescente. Um Lar Para Mim atende perfis infantojuvenis de menor procura no sistema de adoção, como aqueles com idade entre 5 e 18 anos, grupos de irmãos, crianças e adolescentes com deficiência, doenças crônicas ou necessidades específicas, incentivando a adoção tardia.
– Muitas vezes, esses meninos e meninas passam anos aguardando uma oportunidade porque ainda existem preconceitos em relação à adoção de crianças maiores, adolescentes e crianças com deficiência. Mas o afeto não tem prazo. O vínculo é construído no encontro, na convivência e na decisão diária de cuidar. O programa Um Lar Para Mim nasceu justamente para ampliar esse olhar e consolidar a cultura da adoção tardia ou adoção necessária, garantindo que crianças e adolescentes acolhidos possam ter a chance de reconstruir suas histórias com dignidade, proteção e amor – pontuou o subsecretário da Criança e do Adolescente, Arthur Souza.
No Brasil, desde 2002, o Dia Nacional da Adoção é comemorado em 25 de maio. A data tem o objetivo de conscientizar a população sobre a garantia de acesso de crianças e adolescentes ao direito à convivência familiar e comunitária, além de reforçar a importância da adoção.
– Enquanto muitos sonham apenas com bebês, a fila da adoção no Brasil está cheia de crianças, adolescentes e grupos de irmãos que quase ninguém adota, mesmo havendo milhares de pretendentes inscritos. Não deixe a infância deles acabar na fila da adoção. Amplie seu olhar, considere a adoção tardia, milhares de crianças e adolescentes aguardam apenas uma família – reforçou Reinaldo.
A adoção é um procedimento gratuito e irrevogável, transferindo definitivamente os direitos e deveres da família biológica para a adotiva. Os interessados devem procurar a Vara da Infância e da Juventude mais próxima de suas residências, ser maiores de 18 anos e ter diferença mínima de 16 anos em relação à criança ou adolescente a ser adotado. Como já mencionado, o Programa Um Lar Para Mim está disponível apenas para servidores estaduais. Para mais informações, consultar os canais institucionais do Governo do Estado.
Fotos: Arquivo pessoal de Reinaldo Faria de Soares