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Leitura, cultura e ressocialização: conheça o Projeto Ler

Leitura, cultura e ressocialização: conheça o Projeto Ler
Atividade do Projeto Ler no Presídio Djanira Dolores de Oliveira

A Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro (SEPPEN) desenvolve, dentro das unidades prisionais, uma série de iniciativas voltadas à reintegração social. Mesmo em um ambiente adverso, são realizadas atividades com foco na transformação de vidas e, dentre elas, está o Projeto Ler.

No Presídio Djanira Dolores de Oliveira, em Bangu, uma das cinco unidades prisionais femininas do estado, com cerca de 820 internas, a leitura funciona como ferramenta de conhecimento e também de remição de pena. 

A cada livro lido, as presas elaboram uma resenha, que passa pela avaliação de professores. Se aprovada, quatro dias são reduzidos da pena. Cada pessoa pode ler um livro por mês. Ao todo, ao final de um ano, 48 dias de pena podem ser remidos. 

Para a coordenadora das unidades prisionais femininas, Andréia Oliveira, o projeto vai além da redução do tempo de cárcere. 

“A SEPPEN vem transformando sonhos em oportunidades. É sobre sonhar, idealizar e realizar. A remição da pena abre caminhos, reduz o tempo de cárcere e permite que essas mulheres comecem a escrever novas histórias, muitas delas iniciadas ainda aqui dentro. Nós acreditamos e fazemos acontecer”, destaca. 

Dentro da unidade, a educação ocupa um papel essencial. Além do projeto Ler, o Colégio Estadual Primeiro Tenente atende internas desde a alfabetização até o ensino médio, respeitando o tempo e a realidade de cada uma. A diretora da escola, Luciana Silva, explica que a biblioteca vai muito além do empréstimo de livros. 

“A Biblioteca funciona como um espaço de transformação. Mais do que o empréstimo de livros, é um ambiente de incentivo à leitura, de construção de conhecimento e de troca entre as alunas. Desenvolvemos atividades como leitura compartilhada, criação de poesias, histórias e debates. É um trabalho coletivo, onde quem já domina a leitura também contribui com quem ainda está aprendendo”, comenta. 

Para quem está do outro lado dessas páginas, o impacto é direto. A interna Emily de Souza, que participa do projeto, descreve a experiência como uma forma de respiro dentro da rotina do cárcere.

“Não é só uma forma de passar o tempo, é também uma fuga, uma maneira de sair um pouco desse ambiente e conhecer outras histórias, outras vivências. Para mim, é muito bom viver isso. É uma sensação bonita, que ajuda a gente agora e ao longo do tempo”, fala.

Para a diretora do Presídio Djanira Dolores de Oliveira, Cláudia Izabel, a remição de pena pela leitura é uma ferramenta concreta de transformação.

“Para essas mulheres, é uma oportunidade real de ressocialização, que abre portas e encurta caminhos. É a chance de reconstruir trajetórias ainda durante o cumprimento da pena, permitindo que elas sejam protagonistas das suas novas histórias”, avalia.

Mais do que reduzir o tempo de pena, iniciativas como o Projeto Ler mostram que, atrás das grades, ainda existe espaço para recomeços.