Centro de Informação em Saúde conta com cerca de 400 profissionais que monitoram o estado 24 horas por dia, sete dias por semana
No Rio Comprido, sede da Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), existe um grupo de 380 profissionais – entre reguladores e técnicos do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) – que se revezam 24h para salvar vidas. No desastre com uma lancha em Cabo Frio, em junho de 2024, os reguladores foram determinantes ao conseguir internar dez pacientes do acidente na rede pública. Em muitos casos, o helicóptero é acionado pelos plantonistas nos atendimentos. Entrega de soros, monitoramentos de vírus respiratórios, desastres naturais e intoxicação por metanol são ocorrências que estão no radar dos experientes especialistas.
O trabalho dos plantonistas da regulação e do CIEVS é feito todos os dias, inclusive sábados, domingos e feriados. As demandas enviadas pelos 92 municípios chegam pelo Sistema Estadual de Regulação (SER), e-mail, Whatsapp e telefone. O coração da operação acontece no Centro de Informação em Saúde (CIS), maior equipamento público digital do Brasil. O CIS tem cerca de 1.150m² e conta com 47 monitores de alta performance, agilizando a regulação dos pacientes, consultas e exames, bem como o monitoramento epidemiológico em todo o estado do Rio de Janeiro.
“São setores que não param. Eles trabalham em tempo integral com a finalidade de buscar um leito especializado para o paciente, uma internação de urgência ou monitorar um agravo de saúde para atuar de forma oportuna e precoce”, frisa o secretária de Estado de Saúde, Ronaldo Damião.
Há quatro anos, a enfermeira Aline Fleming trabalha na Secretaria de Estado de Saúde. Foi no seu plantão de 24h que aconteceu a explosão de uma lancha, em 2024, em Cabo Frio, que levava turistas de Vitória, no Espírito Santos. Para ela, foi uma das situações mais emblemáticas vividas em sua jornada de trabalho.
“Foi um acidente de grande repercussão. Havia 11 pessoas na embarcação, entre elas uma mulher grávida e crianças. Foi um trabalho intenso na procura de vagas para salvar vidas. Cada minuto contava muito. A gestante foi encaminhada para o Hospital Estadual Azevedo Lima e os demais para Roberto Chabo e Alberto Torres. A ocorrência foi uma das mais significativas em que atuei”, relatou a reguladora Aline Fleming, de 52 anos.
Para atender uma solicitação de suporte de UTI neonatal para um prematuro extremo de 25 semanas do município de Carmo, na Região Serrana, em novembro de 2025, a plantonista solicitou ajuda de um helicóptero.
“Foi uma regulação difícil, devido ao perfil do bebê de 800g, que precisava de cuidados especiais e às circunstâncias. A vaga inicialmente seria para São Pedro da Aldeia, depois foi para Niterói e, finalmente, conseguimos em uma unidade contratualizada em Campos dos Goytacazes . A sensação que fica é do dever cumprido e do trabalho feito em equipe que salva vidas”, avalia Clarissa Mendes, médica, de 48 anos.
Secretaria regula mais de 1 milhão de pacientes em quase dois anos
No ano passado, a Secretaria de Estado de Saúde regulou cerca de 610 mil pessoas em todo estado para terapia intensiva, gestação de alto risco, ortopedia de alta complexidade, entre outras especialidades. Este ano, já foram mais de 219 mil. O setor conta com dez plantonistas por dia na jornada de trabalho de 24h.
“A regulação trabalha em horário integral para garantir acesso à população aos serviços de saúde de alta e média complexidades. Tudo de forma ágil e qualificada, com o objetivo de salvar vidas”, avalia a superintendente de Regulação Médica do estado, Kitty Crawford.
Cuidados especiais para morador que teve contato com morcego
O que parecia ser um caso simples de uma torneira entupida colocou em alerta a Secretaria de Estado de Saúde e o Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião. Um morador de Cabo Frio tentou desentupir a torneira usando a boca e acabou tendo contato com um morcego morto. Ele precisou fazer tratamento de profilaxia pós-exposição (PEP) para a raiva humana.
“Foi um caso inusitado, que atuei no ano passado, na Região dos Lagos. Foi necessário consultar a literatura, pois não há muitas ocorrências desse gênero. Pedimos ajuda ao Instituto de Infectologia que indicou o uso do soro e a aplicação de vacina antirrábica”, explicou Ângelo Batista da Silva, técnico de vigilância de Emergências em Saúde, de 44 anos.
CIEVS monitora eventos epidemiológicos e ambientais
O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) é responsável por acompanhar eventos com elevado potencial de disseminação ou risco à saúde pública, como sarampo, febre amarela, gripe aviária, intoxicação exógena e desastres naturais.
“O Cievs consiste em uma rede de detecção, alerta e resposta rápida a emergências de saúde pública. O setor funciona em tempo integral, com uma equipe de 17 técnicos que se alternam nos plantões para identificar surtos, monitorar riscos e coordenar ações em saúde”, explica Silvia Carvalho, superintendente de Emergências em Saúde Pública do estado.
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