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Dia Nacional do Psicólogo: sensibilidade e subjetividade no cuidado à saúde
Dia Nacional do Psicólogo: sensibilidade e subjetividade no cuidado à saúde

Psicólogos integram Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e contribuem para promover a integralidade no cuidado à saúde

 

O Dia Nacional do Psicólogo, 27 de agosto, marca a regulamentação da profissão, em 1964, e reforça a importância desses profissionais na promoção da integralidade no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). “A RAPS propõe um novo modelo de atenção à saúde mental, baseado na convivência em sociedade, que promove os direitos das pessoas. A Rede articula ações e serviços de saúde em diferentes níveis de complexidade, ampliando o acesso da população aos cuidados em saúde mental”, explica o coordenador de Atenção Psicossocial da Superintendência de Atenção Psicossocial e Populações Vulneráveis da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SAPV/SES-RJ), Daniel Elia.

Para Daniel, que exerce a profissão desde 2007, o psicólogo é o profissional que dedica um olhar particular, único, para cada sujeito. “É a pessoa que observa a subjetividade como fator decisivo em qualquer um dos processos da vida, sejam os sociais, os de saúde e doença ou os do trabalho. A atenção psicossocial tem papel fundamental nesse processo, porque é o eixo transversal das estratégias de saúde, que entende que as condições mentais, os arranjos subjetivos e o sofrimento mental são fenômenos complexos e não necessariamente patológicos. Por isso, nem sempre devem ser tratados com intervenções técnicas”, considera.

Ele destaca que, no SUS, o psicólogo tem papel fundamental no cuidado ao paciente, pois tem sensibilidade apurada para enxergar as complexas e variadas condições mentais que podem afetar o indivíduo. “Mesmo nas situações em que os protocolos sanitários são mais claros e eficazes, esse profissional sustenta um olhar crítico para a subjetividade. Isso não significa ‘psicologizar’ tudo e transformar todos os fatores em problemas psicológicos, mas enxergar e respeitar as particularidades de cada um”, afirma o coordenador de Atenção Psicossocial da SAPV/SES-RJ.

Na rede de saúde, esse trabalho acontece nos Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). “Os psicólogos são protagonistas. Não só realizam atendimentos e compartilham sua escuta qualificada, mas, ao integrar suas funções aos princípios do SUS, são fundamentais para garantir a integralidade na saúde e a sustentação da atenção psicossocial”, afirma Daniel.

Selma Brasil, psicóloga e diretora técnica do Centro de Tratamento e Reabilitação de Adictos (Centra-Rio), unidade que cuida de adolescentes, jovens e adultos com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas, além de seus familiares, aponta que é o acompanhamento psicológico que estrutura todo o desenho do serviço, desde a entrada do paciente na unidade, passando pelo acolhimento em momentos de crise, até a condução e conclusão do tratamento. “O psicólogo acompanha os pacientes fazendo entrevistas individuais, organizando um plano terapêutico singular, ofertando oficinas, grupos terapêuticos e atendimentos individuais. Geralmente, a partir do momento que o paciente recebe a oferta de escuta o resultado é um efeito de apaziguamento”, conclui.