Webinar debate o papel da liderança institucional nos hospitais para segurança do paciente
A segurança dos pacientes dentro das unidades de saúde no contexto da pandemia de Covid-19 foi tema de webinar promovida pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), nesta terça-feira (15/09). O encontro virtual teve como objetivo discutir a importância do papel de liderança institucional e do planejamento dos processos de trabalho que impactam em riscos para os pacientes. O evento também faz parte das iniciativas da SES-RJ para o Dia Mundial de Segurança do Paciente, comemorado na quinta-feira (17/09).
Para a coordenadora de Segurança e Gestão de Risco da Superintendência de Vigilância Sanitária (SUVISA) da SES-RJ, Maria de Lourdes Moura, o debate sobre a segurança do paciente envolve também a segurança do próprio profissional de saúde. “Anualmente, ocorrem mais de 134 milhões de eventos adversos em pacientes em todo o mundo devido ao cuidado inseguro, e esses eventos contribuem para 2,5 milhões de mortes. No Brasil, isso se reflete na ocorrência diária de eventos evitáveis, como agravos e até mortes”, afirmou. Nesse contexto, Maria de Lourdes ressalta a necessidade de um plano abrangente de segurança do paciente, unificando e padronizando ações e protocolos.
A liderança dos núcleos de segurança do paciente foi salientada na webinar pela subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-RJ, Claudia Mello. Para ela, o exercício dessa liderança é o que garante o bom trabalho cotidiano na gestão hospitalar. “A equipe multiprofissional dentro de uma unidade precisa ter cada colaborador atuando na mesma harmonia. Cada diretor médico vai trazer para sua equipe o colaborador que possa fazer com que o plantão funcione em um só modelo. Temos que ter um alinhamento que consiga fazer a roda girar.”
Para articular essas ações no âmbito hospitalar, com base no plano de segurança, a liderança institucional dentro dos hospitais deve atuar na gestão das unidades de saúde e no comando das equipes profissionais. Convidado para relatar sua experiência, o diretor técnico e coordenador do Núcleo de Segurança do Paciente da Casa de Saúde São José (ACSC), Augusto Neno, destacou como ele vê o papel do líder institucional. “O líder precisa entender o cenário em que está atuando e seus liderados. Essa liderança pode ser exercida de maneira direta ou indireta, contando com outros líderes intermediários para o planejamento institucional daquele hospital. Ele precisa participar sempre, estar do lado e atuante.”
O diretor técnico mencionou o Programa Nacional de Segurança do Paciente, implementado em 2013 pelo Governo Federal, para ressaltar que esse papel de liderança deve ser exercido pelos Núcleos de Segurança do Paciente (NSP), tendo como guia o Plano de Segurança do Paciente. A criação desses núcleos é obrigatória e, desde 2016, deve integrar todo o organograma da instituição médica. “Antigamente, tínhamos uma estrutura atuando de maneira descentralizada e sem coordenação de um núcleo. Os profissionais de saúde acabavam muito sobrecarregados por conta dessa descentralização. Então, trouxemos o núcleo de segurança para dentro da instituição, ligado diretamente à direção médica”, frisou Augusto Neno.
No contexto da pandemia do novo coronavírus, o diretor técnico ressalta o papel de seu núcleo na Casa de Saúde São José em operacionalizar ações no atendimento aos pacientes da Covid-19 diante de uma nova realidade da saúde pública. Para isso, contou com um comitê de crise atuante desde março de 2020, composto de 11 membros, dentre os quais 60% já faziam parte do núcleo de segurança do paciente do hospital. Durante a pandemia, o comitê aprovou mais de 170 documentos e comunicados. “A dinâmica e o trabalho foram muito grandes. Trago como destaque a melhoria fantástica na comunicação do comitê de crise, atingindo a todos com vídeos e boletins informativos. Destaco também nossa plataforma virtual, o PEPS, que dispõe de todas as informações técnico-assistenciais, assim como comportamental, para os profissionais de saúde.”