Com mais de 4 mil ocorrências, Centro de Gerenciamento de Riscos e Emergência em Energia vira referência nacional
Iniciativa do Governo do Estado, inédita no país, integra órgãos e concessionárias, opera 24 horas por dia e reduz tempo de resposta a apagões e eventos críticos em solo fluminense
Pioneiro no Brasil, o Centro de Gerenciamento de Riscos e Emergência em Energia do Estado (CGREE), do Governo do Rio de Janeiro, registrou mais de 4 mil ocorrências em dois anos de funcionamento — média de 5,5 por dia —, e já é referência nacional no que diz respeito à resposta para o restabelecimento de energia, em casos de interrupções por falhas ou acidentes.
Um importante indicador usado para deixar ainda mais clara a eficiência do trabalho do CGREE é o Tempo Médio de Atendimento de Emergência (TMAE), que é a soma de dados que vão da identificação da ocorrência, passando pelo acionamento das equipes e a realização do atendimento e restabelecimento do serviço.
O CGREE tem sido um dos fatores de contribuição para a redução consistente e progressiva do TMAE, com destaque para o ano de 2025, quando esse indicador apresentou uma diminuição de 48,31% em relação ao ano-base de 2023.
A experiência do governo fluminense vem atraindo representantes de vários estados, interessados em replicar o modelo. O CGREE é coordenado pela Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (SEENEMAR) e funciona no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, onde tem à disposição uma gama de equipamentos sofisticados e câmeras de última geração.
Com operação ininterrupta e monitoramento em tempo real, o centro tem contribuído diretamente para diminuir períodos de apagões, minimizando impactos à população e até salvando vidas.
— Hoje, conseguimos antecipar riscos e supervisionar os sistemas de energia e gás de forma instantânea. Agimos de forma integrada, preventiva e colaborativa, com mais de 50 órgãos públicos, agências e concessionárias. Essa união de esforços agiliza protocolos de prestação de atendimento e socorro aos consumidores, garantindo mais segurança para a população e para os serviços essenciais do Estado — ressaltou o coordenador do CGREE, coronel Alexandre Silveira de Souza.
Interagindo como gestor de crises e emergências em energia, o CGREE identifica e analisa riscos climáticos, operacionais e regulatórios, auxiliando na elaboração de planos de contingência. Sua atuação, além de abranger energia elétrica, também se estende às áreas de gás natural, petróleo e combustíveis renováveis. Para as empresas desses setores, a vigilância permanente do sistema é de grande eficácia, inclusive economicamente, porque os alertas de origens de interrupções no fornecimento e sugestões para soluções mais rápidas, evitam multas milionárias por conta de perda de tempo que as concessionárias teriam até detectar o que causou a paralisação.
Parcerias melhoram qualidade dos serviços
O CGREE atua em parceria com várias concessionárias, como Light, Enel, Energisa e Naturgy, com articulação permanente com instituições como as polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Grupo de Ações Coordenadas (GRAC), além do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Estações de Tratamento de Água (ETAs) e os municípios do Estado. Embora não atenda diretamente a população, sua atuação estratégica impacta a continuidade e melhoria da qualidade de serviços.
Na prática, o Centro de Gerenciamento de Riscos acompanha e fiscaliza, em caráter preventivo, sobretudo, eventos climáticos extremos, envolvendo altas temperaturas e tempestades; problemas técnicos e acidentes industriais.
A cooperação entre os entes envolvidos permite, por exemplo, saber em tempo real quantos consumidores estão sem energia ou sem gás e as causas das interrupções em qualquer região de todo o Estado do Rio de Janeiro.
Ações integradas salvam vidas
Um exemplo de como o CGREE pode ajudar indiretamente a salvar vidas. Durante uma forte tempestade, que provoque a queda de energia em uma região com unidades de saúde e vias movimentadas, pacientes ficam ainda mais vulneráveis. Ao identificar o problema em tempo real, o CGREE aciona imediatamente concessionárias e órgãos de emergência responsáveis naquela determinada localidade, priorizando o restabelecimento da energia a hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e sistemas de abastecimento de água.
— Ao mesmo tempo, informamos às forças de segurança e trânsito sobre riscos iminentes, como cabos energizados rompidos em vias públicas, evitando acidentes com pedestres e motoristas, muitas vezes, fatais. Com essa atuação integrada e antecipada, é possível reduzir o tempo de resposta, garantir o funcionamento de equipamentos vitais, orientar decisões como transferência de pacientes e prevenir situações de risco. Ações que fazem toda a diferença para preservar vidas em momentos críticos — avaliou Alexandre.
Condições climáticas extremas provocam maioria das ocorrências
As ocorrências por falta de energia ou gás no Estado têm diferentes causas, sendo as mais comuns relacionadas às condições climáticas adversas, como ventos fortes, temporais com raios e ondas de forte calor — fatores que frequentemente provocam blecautes. A interferência do CGREE, no entanto, vai além da resposta: inclui antecipação de riscos e articulação para respostas rápidas e coordenadas, sob qualquer circunstância.
O CGREE também mantém parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o que possibilita alertas antecipados sobre eventos climáticos extremos. Com isso, concessionárias e órgãos públicos conseguem mobilizar e deslocar equipes e equipamentos antes mesmo que os problemas ocorram.
Outro avanço importante é a capacidade de monitorar e apoiar situações mais complexas, como protestos por falta de energia com fechamento de vias, quedas de balões em redes de energia e explosões de transformadores, que não raramente afetam o sistema elétrico.
O centro ainda investe em protocolos de contingência, simulados e treinamentos técnicos de sua equipe, elevando o nível de preparo dos servidores e fortalecendo a resiliência da infraestrutura energética do estado.