“O machismo tem uma estrutura tão arraigada que se renova ao longo do tempo. E eu aposto em vocês para mudar esse quadro”, ouviram jovens jogadores do Botafogo, entre 15 e 17 anos, durante uma ação do SerH (Serviço de Educação e Responsabilização do Homem), da Secretaria de Estado da Mulher (SEM-RJ).
Na manhã desta terça-feira (10), o clube carioca recebeu o projeto, que atua na desconstrução de padrões violentos de masculinidade e na responsabilização de autores de violência doméstica. O encontro, promovido em parceria com o Departamento de Assistência Social do Botafogo, aconteceu na sala de imprensa do Estádio Nilton Santos.
O coordenador do programa, Paulo Sarcon, conversou com cerca de 70 atletas das categorias masculinas Sub-17 e Sub-15 e também com aproximadamente 50 jogadoras do futebol feminino profissional e do Sub-20, além de integrantes do departamento de futebol e da comissão técnica de ambas as modalidades. Ele abordou as diferentes formas de violência de gênero e provocou os jovens a refletirem sobre o que significa ser homem em uma sociedade marcada pelo machismo.
Sarcon também destacou que esse sistema cobra uma fatura alta — a vida de mulheres — e que os próprios meninos também precisam aprender a se cuidar.
Pela primeira vez, futebol feminino recebe ação do projeto
Foi a primeira vez que um time profissional feminino de futebol recebeu a equipe do projeto para discutir o tema. Durante a conversa, as jogadoras foram apresentadas a ferramentas de proteção disponíveis no estado, como o aplicativo Rede Mulher, que reúne serviços de apoio e conta com o chamado “botão do pânico”, recurso que permite acionar a polícia em situações de violência.
“Os números da violência doméstica são absurdos”, alertou Sueli Ferreira, psicóloga e assessora técnica da SEM-RJ. “Quanto mais jovens a gente conseguir sensibilizar e conscientizar, mais conseguimos modificar a sociedade. Que vocês possam falar com amigas de vocês e levar essa conversa para dentro de casa, porque a violência está presente em lugares onde a gente menos suspeita.”
Projeto SerH aposta em grupos reflexivos para reduzir reincidência
Além de levar a discussão para escolas e clubes de futebol, o SerH atua com autores de violência doméstica no Presídio Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária.
Apenas no primeiro ano de ação, 1.353 homens participaram dos grupos reflexivos na unidade. A reincidência entre egressos caiu de 17% para 2,9%.
A experiência será apresentada na 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU (CSW70), em Nova York, no próximo dia 11, reforçando o protagonismo do Rio de Janeiro em políticas públicas voltadas à prevenção da violência de gênero.