Ação faz parte do protocolo "Não é Não!"
A Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro (SEM-RJ) capacitou, neste domingo (25), dezenas de colaboradores do camarote Folia Tropical, na Sapucaí, para atuarem em casos de importunação sexual.
O treinamento já foi aplicado no Camarote MAR, para trabalhadores da Liesa e representantes de escolas da Série Ouro e do Grupo Especial, seguindo as diretrizes do protocolo estadual "Não é Não! Respeite a Decisão", instituído por decreto. Os próximos locais a receberem o treinamento serão os camarotes do Salgueiro e da Mangueira.
Esta é a primeira vez que a SEM-RJ fecha parceria direta com camarotes na Sapucaí, ampliando as ações que já ocorrem junto às escolas da LIGA RJ e agremiações do Grupo Especial, onde as quadras recebem sinalização com canais de denúncia e orientações claras de respeito às foliãs.
Em 2025, as ações em escolas de samba e blocos de rua impactaram mais de 2 milhões de pessoas. Durante a atividade no Folia Tropical, a superintendente de Enfrentamento às Violências da SEM-RJ, Giulia Luz, ensinou os colaboradores a identificarem casos de importunação, como acolher uma vítima e para onde encaminhá-la.
Segundo Giulia Luz, o primeiro passo para romper o ciclo da violência é a capacidade técnica e sensível de identificar situações de abuso. Ela enfatizou que o acolhimento é o diferencial para que a mulher se sinta segura em buscar ajuda. "O acolhimento é fundamental. Se acolhemos essa mulher sem julgar, deixando de lado perspectivas moralizantes e sabendo ouvir com empatia, estamos cumprindo o nosso papel", afirmou.
Mickael Noah, publicitário responsável pelo Folia Tropical, reforçou que a conscientização sobre o acolhimento deve ser um compromisso coletivo, extrapolando gêneros ou vivências pessoais. Para ele, o preparo para lidar com situações de vulnerabilidade é um processo contínuo de aprendizagem que começa na atitude individual.
"Não precisamos sofrer uma violência para entender que é nosso dever estarmos preparados para acolher e saber agir. Esse é um processo de construção e, acima de tudo, de aprendizagem que levamos para a vida e para os nossos espaços", pontuou.
Os profissionais aprenderam ainda que há uma sala no setor 11 com plantão da DEAM, Defensoria, Ministério Público e Tribunal de Justiça, e outra sala de acolhimento com advogadas e psicólogas no setor 13, para onde também podem ser encaminhadas as vítimas.
Este conjunto de iniciativas tornou-se obrigatório pelo Decreto Estadual nº 49.520/2025 e já soma mais de 13,5 mil profissionais qualificados através do site [www.naoenaorj.com.br]. Para reforçar o incentivo, a secretaria certifica com o Selo Mulher+Segura os estabelecimentos que mantêm ao menos 70% de suas equipes treinadas e o espaço devidamente sinalizado com canais de ajuda.
As campanhas também orientam as mulheres a utilizarem o aplicativo Rede Mulher, que possibilita acionar um botão de emergência ligado diretamente à Central 190 da Polícia Militar, realizar registros de ocorrência online e solicitar medidas protetivas. O app permite ainda o registro de até três "guardiões" alertados em emergências e possui um modo camuflado para evitar que o agressor impeça o pedido de socorro, estando disponível também em inglês e espanhol para o atendimento a turistas.