O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que o Brasil atingiu o maior número de feminicídios desde que o crime foi tipificado, em 2015. São, em média, quatro mulheres mortas por dia. De 2023 para 2024, a taxa cresceu 0,7%, alcançando 1,4 por 100 mil mulheres. Entre meninas de 12 a 17 anos, o número de casos aumentou 30,7%. Diante dessa realidade, a Secretaria de Estado da Mulher (SEM-RJ) tem intensificado suas ações para promover a cultura do respeito entre meninos e meninas nessa faixa etária.
Na última sexta-feira (25), a Superintendência de Enfrentamento às Violências da SEM-RJ promoveu uma ação no Centro de Treinamento do Fluminense, em Xerém. A atividade reuniu atletas das categorias de base masculina e feminina com o objetivo de ampliar a conscientização sobre igualdade de gênero, prevenir violências contra meninas e mulheres e fortalecer a formação cidadã dos jovens atletas.
- O futebol é uma paixão nacional e, por meio desses atletas, podemos levar uma mensagem contra o machismo e contribuir para a construção de uma cultura de respeito às meninas e mulheres - destacou Paulo Sarcon, coordenador do Serviço de Educação e Responsabilização do Homem (SerH).
Durante a atividade, as equipes do SerH conduziram rodas de conversa com linguagem acessível e foco na realidade das categorias de base. Os encontros foram realizados em grupos separados: com os meninos, foram discutidos temas como masculinidades, responsabilidade afetiva e respeito às mulheres; com as meninas, o diálogo abordou saúde emocional, fortalecimento da autoestima, noção de limites e reconhecimento de direitos.
- Essa iniciativa da SEM-RJ é fundamental. Esses meninos e meninas chegam muito jovens ao clube, e nosso objetivo é que ações como essa contribuam para moldar seus comportamentos, para que sejam bons exemplos dentro e fora de campo, promovendo uma cultura de respeito às mulheres. Além disso, queremos que as meninas saibam que não estão sozinhas e conheçam seus direitos - afirmou a assistente social do Fluminense, Débora Menezes.
A ação faz parte de uma agenda articulada com os quatro maiores clubes do estado, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, e reforça o compromisso da Secretaria com a transversalidade das políticas públicas para as mulheres. O objetivo é atuar diretamente em espaços de formação, como os centros de treinamento, influenciando positivamente as futuras gerações do esporte.
Isabela da Silva, de 19 anos, jogadora do time sub-20 do Fluminense, veio de São Paulo com o sonho de se tornar uma atleta de elite e proporcionar uma vida melhor à sua família. Para ela, ações como essa fazem a diferença:
- É muito importante ver que, por meio dessa palestra, o clube demonstra preocupação não só com nosso desempenho em campo, mas também com nossa proteção enquanto mulheres e com o que sentimos fora das quatro linhas - afirmou.
Durante a palestra, os jogadores do sub-15 foram surpreendidos com a presença do ídolo tricolor Washington Cerqueira, o “Coração Valente”, que reforçou a mensagem de que ser um grande atleta também envolve respeitar as mulheres e rejeitar a cultura da violência.
Sobre o SerH
O SerH (Serviço de Educação e Responsabilização do Homem) é um programa da Secretaria de Estado da Mulher (SEM-RJ) que atua em três eixos: responsabilização, prevenção e promoção do cuidado. Suas ações incluem rodas de conversa, sensibilizações, grupos reflexivos para homens autores de violência, capacitação de profissionais da rede de apoio e atividades em escolas, clubes, unidades prisionais e espaços comunitários.
O programa também participa de campanhas como o Laço Branco, incentivando os homens a se posicionarem como aliados no enfrentamento à violência contra as mulheres.