Durante a última reunião do Conselho Estadual do Empreendedorismo Feminino (CEEF), no Palácio Guanabara, as 30 conselheiras participaram ativamente dos debates, trazendo contribuições a partir de suas experiências em áreas como inovação e tecnologia, cultura, economia criativa, economia solidária, entre outros. Um dos temas discutidos foi o recém-publicado Decreto nº 49.635, que regulamenta a Política Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto.
Na ocasião, as conselheiras refletiram sobre como a regulamentação pode fortalecer os empreendimentos liderados por mulheres e contribuir para a construção de um ambiente mais favorável à geração de impacto social e ambiental positivo.
O Governo do Estado instituiu o Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto, que terá a missão de articular políticas públicas voltadas ao apoio de empreendimentos que conciliam retorno financeiro com impacto social e ambiental positivo. Esses negócios atuam em áreas essenciais como educação, saúde, meio ambiente e empregabilidade e, a partir de agora, contarão com um ambiente institucional mais estruturado para crescer e gerar transformações em todo estado.
- O Rio de Janeiro deu um passo visando um futuro mais justo, inovador e sustentável com a regulamentação da Política Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto. - destacou a secretária de Estado da Mullher, Heloisa Aguiar.
O CEEF
Segundo dados do SEBRAE de março de 2024, o Rio de Janeiro se destaca nacionalmente por contar com cerca de 964 mil empreendedoras, o equivalente a 38% do total de donos de negócios no estado. Esse índice ultrapassa a média nacional, que é de 34%. O Rio também é o estado com a maior proporção de mulheres na população, com 52,8%, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da atuação feminina na economia. Instituído pelo Decreto nº 49.022, de 1º de abril de 2024, o CEEF, órgão consultivo vinculado à Secretaria de Estado da Mulher (SEM-RJ) tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de diretrizes estratégicas para impulsionar os negócios liderados por mulheres no estado.
A iniciativa é inédita no Brasil e representa um marco no fortalecimento da atuação feminina na economia fluminense, promovendo mais inclusão, autonomia e geração de renda.
- Nosso objetivo é garantir que essas mulheres tenham cada vez mais oportunidades, capacitação e apoio para desenvolverem seus negócios de forma sustentável e competitiva. O empreendedorismo feminino não é apenas uma questão de autonomia financeira, mas também de poder de tomada de decisão, inclusão social, desenvolvimento econômico e transformação da sociedade, - defende Heloisa Aguiar.
O Conselho é formado por 30 conselheiras, entre acadêmicas, empreendedoras, representantes da sociedade civil e gestoras públicas. Em seu primeiro ano de atuação, promoveu uma série de ações estratégicas que já demonstram impacto no ecossistema empreendedor do estado. Entre as principais iniciativas estão a análise do Diagnóstico do Empreendedorismo Feminino no ERJ – 2023, a validação da pesquisa Empreendedoras RJ, a oferta de 15 mil vagas em cursos de capacitação em parceria com a Aliança Empreendedora e a realização de encontros trimestrais promovendo debates e possíveis soluções.
Além de atuar no fortalecimento dos negócios femininos, o CEEF também participa de debates nacionais sobre políticas públicas, como a 5ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, organizada pelo Ministério das Mulheres. O Conselho se comprometeu a fomentar ações de mobilização em torno da conferência, ampliando a participação das empreendedoras fluminenses na construção de propostas concretas.
Com um ano de atividades, o Conselho Estadual do Empreendedorismo Feminino reafirma seu compromisso com o desenvolvimento das mulheres. A atuação conjunta com a sociedade civil e o poder público reforçam o papel estratégico do empreendedorismo feminino como motor da economia e como ferramenta de transformação social.
Impulsionando sonhos em todo o estado
A pesquisa Empreendedoras RJ entrevistou 1.844 mulheres em todas as regiões do estado e traçou um perfil detalhado das participantes. O levantamento revelou que 49% delas são as principais provedoras de suas famílias, 78% são mães, 59% se autodeclaram negras, 58% têm entre 35 e 55 anos e 38% possuem ensino superior completo. Tais dados reforçam a necessidade de políticas que considerem recortes de raça, território e classe social.
Segundo a superintendente de Autonomia Econômica da SEM-RJ, Marcele Porto, a atuação do CEEF impacta diretamente a trajetória de mulheres ao promover políticas que alcançam todo o estado, oferecendo suporte técnico, visibilidade e acesso a oportunidades.
-A escuta ativa do Conselho, aliada a parcerias estratégicas, contribui para que empreendedoras tenham acesso a capacitação, redes de apoio e instrumentos que fortalecem sua presença no mercado e sua autonomia
Uma dessas mulheres é Margareth Regina dos Santos Nogueira, de 54 anos, é moradora de Angra dos Reis e artesã especializada em bordados. Como muitas mulheres fluminenses, busca fortalecer sua autonomia financeira por meio do empreendedorismo.
- Espero alcançar mais clientes para o meu negócio e que ele se torne mais lucrativo. Eu mesma produzo, sou eu quem faço tudo -, afirmou Margareth.