Vinte e três mulheres se formaram no Força na Peruca, um programa realizado pela Secretaria de Estado da Mulher (SEM-RJ), Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC) e a Fundação Laço Rosa, com o objetivo de oferecer formação profissional para moradoras de áreas de risco social. O evento aconteceu nesta quinta-feira (5) na Capela Ecumênica da UERJ.
Como parte da conclusão do curso, as alunas produziram perucas sob medida para pacientes, que as receberam pessoalmente como presente.
- A Secretaria de Estado da Mulher está muito honrada em fomentar este trabalho de extrema relevância. O programa foi pensado para beneficiar uma rede que envolve as pacientes ao receberem um novo acessório e as alunas que, ao aprenderem uma nova profissão, podem gerar renda, construindo sua autonomia econômica, além de beneficiarem outras mulheres - destacou a Secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar.
Em 2014, Solange Lopes (58) era rodeada de amigos e vivia uma vida agitada, dividindo-se entre o trabalho e a criação do filho, até que uma notícia mudou tudo: ela foi diagnosticada com câncer de mama. No meio de um turbilhão de novas emoções e das sessões de quimioterapia, ela se deparou com a perda dos cabelos, algo que afetou diretamente sua autoestima. Depois de quatro recidivas, ela decidiu que mudaria a vida de mulheres que, assim como ela, passam pelo tratamento oncológico. Solange se matriculou no curso de perucaria, que contempla a produção de perucas, apliques e extensões, e tem como uma de suas metas criar um banco de perucas para que as pacientes usem o acessório durante o tratamento e, depois, o devolvam para que outra pessoa possa fazer uso.
Para a superintendente de Articulação Institucional da SEM-RJ, Aline Inglez, histórias como a de Solange demonstram o propósito do curso.
- O curso acontece no prédio do programa Cidade Integrada, na comunidade Pavão-Pavãozinho, em Ipanema, garantindo a autonomia econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade, inclusive, sendo um fator preventivo em relação à violência doméstica. Além disso, o trabalho desenvolvido tem por beneficiárias outras mulheres, que tiveram sua autoestima afetada pela perda dos cabelos, seja em decorrência de um tratamento para o câncer, seja em razão de doenças que estão associadas a essa perda também - apontou.
Sônia Regina da Silva, de 56 anos, mora em Duque de Caxias e, durante quatro meses, se deslocou até Ipanema com entusiasmo, pois enxergou no curso a oportunidade de aprender uma profissão e a chance de ajudar as mulheres que passam por tratamento oncológico.
- O curso me deu acesso a diversas oportunidades de aprendizado, e também de ajudar o próximo, que, embora eu não conheça, quero fazer o bem e devolver a autoestima - destaca a formanda.
Uma das pessoas beneficiadas pelo trabalho de Sônia foi a estudante Júlia dos Santos, de 25 anos, que há um ano descobriu um câncer de mama durante a amamentação de seu primeiro filho.
- Quando raspei o cabelo, fiquei com medo de perder a feminilidade. No início, é difícil, mas hoje encontrei uma força que nem eu sabia que existia dentro de mim. É me olhar e me reconhecer como uma mulher empoderada, realmente, todos os dias. E saber que sou bonita de todas as formas, e agora, com a peruca, estarei ainda mais bonita. - conta.