02 de março - O Mês da Mulher na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, entra no segundo dia de atividades com o Painel: Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, promovido pela Secretaria de Estado da Mulher. O debate contou com a participação de Mônica Sacramento, pedagoga e coordenadora da ONG Criola, e Helena Theodoro, pesquisadora, escritora, doutora em Filosofia e pós-doutora em História Comparada.
O evento começou com a mostra de fotos sobre os 10 anos da Marcha das Mulheres Negras, no cinema da Casa, que ficou lotado para ouvir as duas professoras, referências na pauta.
- Estamos nessa casa, em Ipanema, Zona Sul do Rio, porque esse é um espaço do Governo do Estado para promover cultura, e é um espaço para vocês, para mulheres pretas, para as mulheres da marcha. Fico muito feliz e honrada por fazer a abertura deste sábado, neste espaço que é de vocês e para vocês - disse a secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar.
A professora Helena Theodoro destacou a importância da ocupação dos espaços e da oferta de acesso para que isso aconteça:
- Hoje, falamos sobre a grande importância de nós nos vermos como mulheres negras do Fórum Nacional de Mulheres Negras nesse espaço de cultura, entendendo que, durante muito anos, a comunidade negra ficou aparte da vida cultural, econômica e social, principalmente, da vida política. Apesar de não nos terem dado oportunidade de saber de onde viemos, temos uma consciência muito grande de quem foram nossos pais, nossos avós, nossa história, nossa fé na vida. E um processo claro de que a humanidade, independentemente do tom da sua pele ou do território em que tenha vivido, vale a pena ser vista, ouvida, respeitada. Por isso, nos, negros, precisamos ter nosso espaço e nossos direitos de humanidade reconhecidos - disse a professora, que foi enredo este ano da escola de samba , de São Paulo.
A participação de mulheres negras nas discussões do G20, encontro de líderes das maiores economias do planeta, em novembro, no Rio, também foi abordada no encontro de hoje.
- As discussões que acontecerão determinam a nossa vida, independentemente de onde estivermos, e no nosso território. E sabemos que os impactos são maiores para as mulheres negras - disse a professora Mônica Sacramento, coordenadora da ONG Criola.
Uma das organizadoras do Painel deste sábado, Clatia Vieira, coordenadora da Marcha das Mulheres Negras no estado do Rio, falou da importância de se abrir espaços de diálogos não apenas no mês de julho:
- Estamos aqui no Fórum Estadual de Mulheres Negras para dialogar. Quero agradecer a Secretaria de Estado da Mulher, que nos convidou a falar sobre o G20 sob o olhar antirracista, que para nós é um privilégio e um desafio colocar a nossa cara preta e o nosso corpo preto nessa discussão.
Helena finalizou o painel destacando a importância do acolhimento.
- Esse encontro de hoje, que fala sobre mulheres negras, trabalha para acabar com certos preconceitos e estereótipos, na medida em que podemos, como qualquer outro ser humano, fazer música, poesia, de pensar diferente e de praticar a fé, o amor e o acolhimento - disse ela.
Ao fim do evento, empreendedoras negras participaram do “Pôr do sol das Empreendedoras” na varanda da Casa Laura Alvim.