“Ouvi um estalo”: Número um do Brasil do salto em altura se acidenta durante torneio

“Ouvi um estalo”: Número um do Brasil do salto em altura se acidenta durante torneio
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Recordista sul-americano indoor, Thiago Moura caiu em cima de estrado duro e precisa de ajuda para sair da prova

Thiago Moura, número um do Brasil no salto em altura e recordista sul-americano indoor com 2,31m, sofreu um acidente preocupante durante o Campeonato Paulista de Atletismo, na última sexta-feira (27/06), na Arena Olímpica de São Bernardo do Campo. 

Aos 29 anos, o atleta olímpico viu o colchão de queda se abrir durante um salto, caindo sobre o estrado de plástico duro da estrutura. O impacto, que atingiu a região da coluna cervical, ombro e cabeça, gerou um susto imediato. 

“Quando eu caí, ouvi um estalo e fiquei bem assustado que fosse do meu corpo. Mas era o estrado de plástico duro da base do colchão. Ainda sinto dor por causa da pancada, que pegou bem na região da coluna cervical e perto do ombro.” - disse o atleta em entrevista ao UOL.

Socorrido pela equipe médica e encaminhado a um hospital, os exames de imagem não apontaram lesões graves, mas ele entrou em protocolo de concussão, exigindo quatro dias de repouso e medicamentos.
O incidente expôs falhas na organização do evento. 

A Comissão de Atletas da Federação Paulista de Atletismo (FPA) emitiu nota de repúdio, afirmando que o problema com o colchão já havia sido alertado em congresso técnico, sem providências eficazes. “O problema com a abertura do colchão de queda, que comprometeu diretamente a segurança e integridade do atleta, já havia sido levantado previamente em congresso técnico. Na ocasião, foi informado que medidas seriam tomadas para a fixação ou substituição dos colchões, o que, evidentemente, não foi realizado de forma eficaz ”, declarou a comissão nas redes sociais. 

Thiago, atleta do Esporte Clube Pinheiros, reforçou que ele próprio havia notificado a comissão semanas antes, após outra competição, sobre o estado precário do colchão. “Eles amarraram uma corda, uniram os colchões e colocaram uma lona, mas não estava bom”, disse. 

A FPA assumiu a responsabilidade, admitindo que o procedimento de junção dos colchões não resistiu ao volume de saltos, e prometeu medidas para evitar novos incidentes.

Thiago agora se recupera em casa, sob observação médica, e planeja retomar os treinos nos próximos dias. “Qualquer período fora da preparação pode nos prejudicar. Todo tempo agora é valioso”, afirmou, mirando o Troféu Brasil, que vai acontecer de 31 de julho a 3 de agosto, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. 

A competição é crucial para garantir sua vaga no Mundial de Atletismo, em Tóquio, de 13 a 21 de setembro, onde está pré-classificado. 

Para confirmar a participação, Thiago precisa saltar acima de 2,20m e terminar entre os dois primeiros no Troféu Brasil. Sua presença nas etapas do World Continental Tour em Quito (09/07) e Cochabamba (12/07) está incerta devido à recuperação.

Por Enzo Anselmo