Com o pé na porta: Primeiros dias da presidente do COI anuncia criação de grupo de trabalhos de gênero
Ex-nadadora do Zimbábue assumiu a presidência a alguns dias e já está com planos de ação para os Jogos de 2028
Kirsty Coventry, ex-nadadora do Zimbábue, fez história ao assumir a presidência do Comitê Olímpico Internacional (COI) na última segunda-feira (23/06), em Lausanne, Suíça, tornando-se a primeira mulher e africana a liderar a entidade em 131 anos.
A cerimônia de posse, realizada em uma tenda no jardim da sede do COI, contou com a presença de seus pais, marido Tyrone Seward, suas filhas Ella e Lily, e do ex-presidente Thomas Bach, que a apoiou na transição.
Em sua primeira ação oficial, anunciada nesta quinta (26/06) após reunião do conselho executivo, Coventry criou dois grupos de trabalho: um para discutir questões de gênero no esporte e outro para reformular o processo de escolha das cidades-sede dos Jogos Olímpicos.
O grupo de trabalho sobre gênero, voltado a “proteger a categoria feminina”, será composto por especialistas e representantes das federações internacionais. Coventry destacou a importância de decisões baseadas em evidências científicas, considerando as particularidades de cada esporte.
Até Paris 2024, o COI delegava às federações a decisão sobre a participação de atletas transgênero. “Vamos liderar essa iniciativa com especialistas e em parceria com as partes interessadas, respeitando as diferenças entre modalidades”, declarou a presidente, reforçando o consenso entre os membros do conselho.
A força-tarefa sobre cidades-sede reavaliará o processo de seleção, incluindo a antecedência da escolha e os critérios adotados. Los Angeles (2028) foi definida em 2017, e Brisbane (2032), em 2021. “Precisamos refletir sobre o momento e a forma da escolha. Não manteremos o modelo antigo, usando os aprendizados de Los Angeles e Brisbane”, afirmou Coventry. A iniciativa busca maior eficiência e transparência, respondendo a críticas sobre os custos e a logística dos Jogos.
Coventry, de 41 anos, traz uma trajetória singular ao cargo. Após conquistar sete medalhas olímpicas, de Sydney 2000 ao Rio 2016, e atuar como Ministra de Esportes do Zimbábue até 2025, ela assumiu a presidência menos de um mês após Paris 2024.
No discurso de posse, emocionou-se ao lembrar seu sonho de 1992 de competir nos Jogos. “De um sonho de criança, chego aqui para realizar sonhos de outras crianças pelo mundo”, disse, comparando o movimento olímpico a uma teia de aranha: “complexa, bela e forte, mas só funciona se estivermos unidos.”
A transição marca o fim da gestão de Thomas Bach, que enfrentou desafios como o doping russo, a pandemia de Covid-19 e conflitos geopolíticos.
Entre os desafios de Coventry estão as relações com Donald Trump, questões envolvendo Ucrânia e Oriente Médio, a busca por patrocinadores e a adaptação aos novos hábitos de consumo de mídia.
Por Enzo Anselmo