Cada um no seu quadrado: Associação internacional de atletismo irá exigir exame genético para atletas mulheres
Nova política para competições femininas terá coleta de material genético por saliva.
A Federação Internacional de Atletismo (World Athletics) aprovou nesta terça-feira (25/03) a regra de que todas as atletas mulheres irão precisar provar, por meio de teste genético, seu gênero para competirem em eventos femininos.
A notícia foi confirmada pelo presidente da World Athletics, Sebastian Coe, depois que as propostas para endurecer as regras de elegibilidade foram discutidas no conselho da entidade. Segundo Coe, os regulamentos serão elaborados o mais brevemente possível, e que o órgão responsável por reger os eventos de atletismo e corrida de rua no mundo todo, encontraria um fornecedor de testes.
Ainda sobre as testagens, Coe afirmou que a federação irá priorizar empresas que possam fornecer exames que sejam não invasivos, como por exemplo de esfregação de bochecha (Swab Bucal) ou de análise de manchas de sangue seco. A nova política ainda não tem data para começar a valer, mas o órgão deseja que todas as atletas presentes no Mundial de Tóquio, em setembro, passem pelo teste.
Segundo Sebastian Coe, presidente da World Athletics, a nova medida é necessária para "proteger obstinadamente a categoria feminina". Em declaração durante o anúncio da medida, Coe afirmou que “é importante fazer isso não apenas falar sobre a integridade do esporte feminino, mas realmente garanti-la. Sentimos que esta é uma maneira realmente importante de fornecer confiança e manter esse foco absoluto na integridade da competição. A esmagadora maioria (do Conselho da World Athletics) avaliou que este é absolutamente o caminho a seguir, dentro das ressalvas levantadas (sobre os testes não serem muito intrusivos).”
O grupo responsável por cuidar dos estudos da World Athletics sobre atletas de gênero diverso teria confirmado, em fevereiro deste ano, que o teste genético SRY se faz necessário. Este exame avalia a presença do gene SRY, localizado no cromossomo Y, fundamental para o desenvolvimento de características masculinas.
Faz quase dez anos que a World Athletics cria e desenvolve os regulamentos com os critérios sobre a elegibilidade de atletas com DDS (diferenças no desenvolvimento sexual). Há dois anos, a federação tem proibido a participação de mulheres transgênero em provas internacionais de atletismo.
O exemplo mais famoso é da sul-africana Caster Semenya, bicampeã olímpica dos 800m, que é portadora da condição hiperandrogenismo, que causa a produção excessiva de hormônios andrógenos, como a testosterona, o hormônio masculino. Por conta disso, a atleta foi proibida de competir na categoria feminina.
Por Enzo Anselmo