Polícia Civil deflagra operação contra manipulação em apostas de jogos das divisões inferiores do Rio de Janeiro
A Delegacia do Consumidor (Decon) deu início nesta segunda-feira a "Operação VAR" contra envolvidos em esquema de manipulação de resultados em jogos de divisões inferiores de 2024 Campeonato Carioca de 2024 e lavagem de dinheiro.
A ação tem como objetivo cumprir 11 mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Vila Valqueire, na Zona Oeste; em Duque de Caxias; na Baixada Fluminense; e um no estado de São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista. Um dos alvos foi preso pela Interpol, nesta sexta-feira (08/11), em Dubai, nos Emirados Árabes. Ele é William Rogato, conhecido como Rei do Rebaixamento. Em depoimento na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, no Senado Federal, Rogatto afirmou que ganhou mais de R$ 300 milhões com fraudes. Segundo ele, mais de 40 equipes foram rebaixadas no futebol brasileiro por conta de ações feitas por William.
Segundo a Decon, a investigação começou após denúncia da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), que apontou fraudes em diversos jogos. As ordens judiciais de busca e apreensão foram expedidas pelo Juizado do Torcedor e Grandes Eventos.
Um dos casos emblemáticos investigados foi uma partida entre Nova Cidade e Belford Roxo, pela 4ª rodada da Taça Corcovado da Série B1 sub-20. Naquele jogo, o Belford Roxo abriu o placar, e sofreu a virada ainda no primeiro tempo para 3x1 num espaço de apenas 5 minutos. No segundo tempo, o Belford Roxo voltou a frente do placar, virando a partida para 5x3 Esse desfecho gerou um volume significativo de apostas em casas de apostas na Ásia, o que chamou a atenção das autoridades e aumentou as suspeitas de manipulação.
O caso foi noticiado pelo Todas as Divisões, no mês de junho. À época, a FERJ decidiu pelo afastamento dos clubes enquanto a Justiça Desportiva decidisse sobre a situação. A federação também suspendeu o registro de os atletas que entraram em campo nessa partida, tornando-os sem condição de jogo em competições organizadas pela FERJ até o final desta temporada. O Nova Cidade chegou a emitir uma nota sobre o ocorrido, destacando o apoio do clube nas investigações e ressaltando que a instituição também é vítima do caso. O clube ressaltou que, após a partida citada, realizou a quebra de contrato com a empresa EJ AGENCIAMENTO, na qual era responsável exclusivamente pela equipe sub-20 do Nova Cidade. O Nova Cidade também afirmou que excluiu os atletas que fazem parte da empresa. O Belford Roxo, por outro lado, nunca se manifestou sobre o ocorrido.
Outros clubes investigados são o São José, Brasileirinho e Duquecaxiense.
Na Série C do ano passado, as três equipes foram suspensas pela FERJ após suspeitas de manipulações em partidas válidas pela Quintona. O São José tinha William Rogato como gestor, e perdeu uma partida para o Zinzane por 11x0, e outra por 7x1 para o Vera Cruz. Na época, uma reportagem do site Acesso Carioca trouxe informações de que aconteciam substituições de jogadores suspeitas de uma partida para outra, troca de jogadores da defesa, saída de alguns dos principais nomes do time, e troca no comando técnico. Já o Brasileirinho chegou a sofrer um 8x0 no meio do torneio, e foi afastado na penúltima rodada. Enquanto que o Duquecaxiense sofreu na sequência derrotas por 7x0, e 5x1, antes de ter sido suspenso pela Federação.
Por: Daniel Santiago