EXCLUSIVO! Formado exclusivamente por jogadores indígenas, Esporte Clube Originários negocia com o Ceres para representar a equipe na Série C do Carioca
O futebol carioca ganhará um projeto inédito neste ano: o Esporte Clube Originários, clube formado exclusivamente por jogadores indígenas. A ideia da equipe ganhou força após a realização do primeiro Campeonato Nacional Indígena, competição que reuniu 92 equipes de diferentes regiões do país e de várias etnias. O Originários terá como princípio inegociável a formação de um elenco profissional masculino composto 100% por jogadores indígenas. Atualmente, estima-se que cerca de 25 jogadores indígenas atuem nas Séries A, B, C e D do Brasileiro, incluindo atletas titulares em grandes clubes como Barros, volante do Vasco.
O elenco do Originários deverá contar com aproximadamente 28 jogadores, dos quais cerca de 18 já estão confirmados. As atividades do elenco começam no dia primeiro de março. O clube está em negociação avançada com o Ceres Futebol Clube para utilizar sua estrutura como base. A proposta já foi apresentada à diretoria do Alviceleste e encontra-se em fase final de ajustes. A ideia é que o Originários represente o Ceres nas competições profissionais, respeitando as exigências da FERJ e utilizando o uniforme da equipe de Bangu. O Originários terá uniforme próprio, mas vai utilizar apenas em partidas amistosas e eventos institucionais.
A sede administrativa do projeto será na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro, enquanto o estádio do Ceres passará por reformas estruturais, especialmente nos vestiários. Os treinamentos acontecerão no campo do Dínamo, também em Maricá, local que poderá receber partidas oficiais caso haja autorização. De acordo com os responsáveis, o time nasce com uma estrutura considerada altamente profissional. O planejamento inclui treinos regulares cinco dias por semana, alojamento para atletas — sendo que cerca de 80% do elenco deve ser formado por jogadores de fora do estado do Rio de Janeiro —, além de alimentação e acompanhamento contínuo.
A diretoria do Originários pretende disputar editais esportivos, incentivos públicos e buscar patrocínios privados. A médio prazo, entre 2027 e 2028, o planejamento prevê a criação das categorias de base e do time feminino, também com protagonismo indígena. O Esporte Clube Originários mantém parcerias institucionais com iniciativas semelhantes, como o Mushuc Runa, do Equador, e o Gavião Kyikatejê, do Pará. Mais do que um time de futebol, os responsáveis afirmam que a equipe nasce como um movimento de representatividade, inclusão e transformação social.
Por: Gustavo Guerra