Temporariamente afastado: Ciclista brasileiro é suspenso por não respeitar política anti-doping
Vinícius Rangel nega uso de substâncias e alega dificuldade com idioma após gancho de 20 meses
O ciclista brasileiro Vinícius Rangel Costa, de 24 anos, ex-Movistar e atual corredor da Swift Pro Cycling, foi suspenso por 20 meses pela União Ciclística Internacional (UCI) por violações das regras antidoping.
A punição, anunciada na terça-feira (28/10), resulta de três falhas de localização (whereabouts failures) em um período de 12 meses, uma infração comum que impede os testes surpresa da agência.
A suspensão começou em 27 de agosto de 2025 e vai até 26 de abril de 2027, quando Rangel, natural de Cabo Frio (RJ), poderá retornar às competições.
De acordo com o comunicado oficial da UCI, o caso foi resolvido por "aceitação das consequências", sem contestação pela defesa do atleta.
A entidade delega seu programa antidoping à Agência Internacional de Testes (ITA) desde 2021, mantendo a gestão de resultados.
Rangel, que representou o Brasil no ciclismo de estrada nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 (71º lugar, com 6h39min31s), é campeão brasileiro de 2022 e tem nono lugar no Mundial sub-23 de 2021, na Bélgica.
Após três anos na WorldTeam espanhola Movistar, ele voltou ao ciclismo continental com a equipe brasileira Swift em 2024.
Nesta quarta-feira (29/10), Rangel quebrou o silêncio em postagem no Instagram, negando uso de substâncias proibidas e atribuindo a sanção a dificuldades com o idioma inglês e inexperiência no sistema de atualizações trimestrais de localização.
Atletas de elite devem informar dados como endereço, telefone, rotina de treinos e mudanças, sob pena de falhas que podem levar a punições.
"Por questões totalmente alheias à minha vontade — e também por dificuldades com o idioma e com a comunicação em um sistema que ainda estou aprendendo a lidar — acabei sendo sancionado pela UCI por falhas nos testes de localização, os chamados whereabouts", escreveu. "Não houve, em momento algum, qualquer uso de substâncias proibidas. Sempre procurei seguir as regras, honrar o esporte e competir de forma limpa, com o mesmo respeito e dedicação que sempre me guiaram desde o início da minha carreira."
Rangel reconhece os erros: "Reconheço que cometi erros nos procedimentos — erros que me ensinaram muito. Aprendi, da forma mais dura, a importância de estar atento a cada detalhe fora das competições também."
Ele agradece à equipe, família, torcedores e amigos pelo apoio, e planeja usar o período para "aprender e amadurecer". "A compreensão e o apoio de vocês significam tudo."
A notícia gerou repercussão imediata no mundo do ciclismo. No X (antigo Twitter), perfis como @BikeBlz questionaram: "Cadê a babá desse menino?", enquanto @Domestique__ destacou as barreiras linguísticas. @Pelote resumiu: "O brasileiro Vinícius Rangel foi sancionado por doping em função de não ter sido encontrado onde deveria estar por 3 vezes no período de um ano."
Outros, como @SpazioCiclismo e @CiclismoAtual, ecoaram o comunicado da UCI, enfatizando que não se trata de substâncias, mas de falhas administrativas.
Especialistas veem o caso como um alerta para atletas em ascensão no ciclismo de elite, onde o sistema ADAMS (Anti-Doping Administration & Management System) exige precisão.
No Brasil, Rangel era uma das promessas, com passagens pela Movistar (2022-2024) e conquistas nacionais.
A suspensão impacta o calendário continental e o ciclo para Los Angeles 2028, adiando seu retorno aos 25 anos.
A UCI e a ITA reforçam o compromisso com o "esporte limpo", financiado por eventos de rua. Atualizações sobre o caso podem ser acompanhadas pela UCI e veículos como Cyclingnews e Giro do Ciclismo.
Rangel, que começou no ciclismo aos 13 anos incentivado por um primo, agora foca na lição: "Quero agradecer imensamente à minha equipe e a todos que estiveram comigo nesse momento."
Reportagem por Enzo Anselmo