Recordista e banida: Maratonista queniana leva suspensão por doping, mas mantém recorde mundial

Recordista e banida: Maratonista queniana leva suspensão por doping, mas mantém recorde mundial
zfdh

 

Ruth Chepngetich recebeu um gancho de três anos que a imperirá de competir em Los Angeles 2028

A queniana Ruth Chepngetich, de 31 anos, recordista mundial da maratona feminina com o tempo de 2h09min56s estabelecido no GP de Chicago em outubro de 2024, foi suspensa por três anos pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU).

A decisão, anunciada nesta quinta-feira (23/10), veio após a atleta admitir violações das regras antidoping, incluindo o uso de hidroclorotiazida (HCTZ), um diurético proibido usado como agente de mascaramento.

A AIU buscava uma punição de quatro anos, mas a confissão voluntária de Chepngetich reduziu a sanção em um ano.

A suspensão provisória já estava em vigor desde 19 de abril de 2025, após o teste positivo detectado em amostra coletada em 14 de março de 2025, com concentração estimada de 3.800 ng/mL de HCTZ – muito acima do limite mínimo de notificação de 20 ng/mL da Agência Mundial Antidoping (WADA).

Uma amostra anterior, de 28 de fevereiro de 2025, também apresentou traços da substância abaixo do limite, mas suficiente para levantar suspeitas.

Importante destacar que as conquistas de Chepngetich anteriores à amostra de 14 de março, incluindo o recorde mundial em Chicago – o primeiro abaixo de 2h10min na história feminina –, permanecem válidas.

No entanto, todos os resultados, prêmios, títulos e premiações obtidos a partir dessa data estão anulados.

A AIU continua investigando evidências do telefone da atleta, incluindo mensagens de 2022 a 2025 que sugerem "suspeita razoável de intencionalidade", como imagens de frascos de testosterona e contatos com "terceiros não identificados em programas possivelmente relacionados a doping".

Brett Clothier, chefe da AIU, afirmou: "O caso do teste positivo para HCTZ foi resolvido, mas continuaremos investigando o material suspeito recuperado do telefone de Chepngetich para determinar se ocorreram outras violações".

David Howman, presidente da AIU, reforçou: "Ninguém está acima das regras. Embora decepcionante para quem confiava nela, é assim que o sistema deve funcionar. A indústria de corridas de rua deve ser elogiada por financiar esforços antidoping que detectam violações em atletas de elite".

A AIU considerou a explicação final "pouco crível", classificando a ação como imprudente e não acidental, o que justificou a sanção inicial de quatro anos. A redução foi automática pela admissão rápida.

Chepngetich, primeira mulher a quebrar a barreira dos 2h10min na maratona, deixa um vazio no atletismo queniano, conhecido por dominar a longa distância.

Sua suspensão, que vai até 2028, coincide com o ciclo para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, adiando qualquer retorno.

Por Enzo Anselmo